TUMULTO - 08/11/2018 - 15:01

Após fechamento de matadouro, marchantes protestam em Itabaiana

Foto: Rede Social | Autor Desconhecido

Da redação, AJN1

Dezenas de marchantes decidiram protestar na manhã desta quinta-feira (8), em frente à sede da Câmara de Vereadores e do Ministério Público da cidade de Itabaiana, com o objetivo de encontrar soluções ágeis contra o fechamento do matadouro municipal. O estabelecimento parou de funcionar após a operação policial “Abate Final”, que culminou com as prisões do prefeito, Valmir de Francisquinho, do secretário de Agricultura, Erotildes José, além de outros três assessores, suspeitos de um suposto esquema de desvio de quase R$ 2 milhões da Prefeitura em taxas recolhidas no matadouro.

A rua ficou interditada por alguns momentos e a polícia foi chamada para manter a tranquilidade no local. Inicialmente aconteceu um “bate boca” entre vereadores da oposição, situação, marchantes e demais funcionários do matadouro.

Um grupo de trabalhadores chegou a ser recebido pelo o promotor Amilton Filho, o qual explicou que só poderá determinar a abertura do matadouro com algum representante legal do município ou um interventor decidido pela Justiça.

O subprocurador do Município, Lucas Cardinali, endossou as palavras do promotor e disse que o matadouro ficará fechado até que a Prefeitura ou a Justiça tomem uma decisão sobre o tema.

Por enquanto, o matadouro permanecerá fechado e os marchantes poderão abater os seus animais em outros municípios.

Entenda

Na manhã de quarta-feira (8), o Deotap, em parceria com a Promotoria do Patrimônio Público, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e apoio do O Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope, cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão na cidade de Itabaiana.

Denominada de “Abate Final”, a operação investiga um suposto desvio anual de quase R$ 2 milhões da Prefeitura de Itabaiana em decorrência de desvios de taxas recolhidas no matadouro da cidade, tendo como principais alvos o prefeito Valmir dos Santos Costa, e o secretário de Agricultura de Itabaiana, Erotildes José de Jesus. Na ação, também foram presos Jamerson da Trindade Mota, Breno Veríssimo Melo de Jesus e Manoel Messias de Souza.

Após investigações do Deotap, entre os anos de 2015 a 2017, foram abatidos, por ano, entre 2.500 a 3.900 animais, recolhendo entre R$ 24 mil a R$ 39 mil.

“Investigações realizadas mostram que era cobrada aos boiadeiros a taxa de cerca de R$ 50 a R$ 60 reais, sem observar as formalidades legais, mas na prática apenas R$ 17,15 eram recolhidos para os cofres da Prefeitura. Esse mesmo valor também está envolvido no recolhimento dos resíduos dos animais”, relatou a delegada Thaís Lemos, uma das responsáveis pelas investigações.

Segundo a delegada-geral Katarina Feitosa falou sobre os delitos que os envolvidos irão responder, o prefeito e os assessores irão responder por excesso de exação qualificada (cobrança indevida de tributos), lavagem de dinheiro, associação criminosa e crime de licitação. “Todos comprovados e com provas robustas ao decorrer do inquérito policial.”