7 DE SETEMBRO - 07/09/2018 - 00:34

Brasil celebra 196 anos de Independência política

Foto: Divulgação

 

Da redação, Joangelo Custódio

 

Em 7 de setembro de 1822, há exatos 196 anos, o Brasil cortava para sempre o cordão umbilical com sua pátria mãe, Portugal, para ser, de fato e de direito, um jovem independente, mas infestado por correntes políticas conservadoras, ainda embevecidas com a burrice da síndrome de sub-realeza. Este dia histórico e representativo, que fez o Brasil republicano decretar feriado e vestir-se de verde e amarelo em sucessivos desfiles país afora nos tempos modernos, ficou eternizado na célebre, porém exagerada, pintura “O Grito do Ipiranga”, do artista Pedro Américo, em 1888.

Como já é notório, o príncipe regente naquela época, Dom Pedro I, futuro Imperador do Brasil e Rei de Portugal, proclamou a Independência às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, com dor de barriga e montado numa mula ou cavalo baio. Nada de roupas de gala e cavalos robustos como pintou Pedro Américo.

A simplicidade daquele ato fulgura numa das mais lindas páginas da história do Brasil, um divisor de águas entre o nosso passado e os dias contemporâneos, como explica o professor de História do Instituto Federal de Sergipe, Amâncio Cardoso, em entrevista exclusiva ao Jornal Correio de Sergipe.  

“Bem ou mal, iniciamos um projeto de Nação, que ainda está sendo gestado. Porém, temos instituições que nos representam juridicamente. Uma Constituição, símbolos como a bandeira; muito embora ainda estejamos num processo de organização democrático muito árduo. Mesmo assim, temos uma certa posição no concerto mundial, com todos os atropelos de um país continental, de diversidade cultural imensa”.

De acordo com o professor, com o 7 de setembro, surgia uma nova nação, politicamente. “Até formamos um império no século XIX que ampliou o território político administrativo, investindo contra recém repúblicas da América do Sul. Dessa forma, conseguimos uma certa hegemonia na América Latina. Mas nenhum país tem independência financeira num mundo globalizado. Até as nações mais poderosas tomam medidas protecionistas quando querem se resguardar de “ameaças” externas contra sua economia, como ocorreu há pouco com os E.U.A”.

Influência das elites

O papel desempenhado pelas elites do Brasil, explica Amâncio, foi determinante para esse processo. “Infelizmente, nossas elites política e econômica sempre foram concentradoras de renda. Por isso que ainda estamos gestando uma nação independente em termos sociais e morais. A elite política brasileira também não dá espaço de participação para outras categorias. Sempre concentrando o poder, permanecendo ad infinitum nas rédeas da nação. Daí, se faz necessárias as reformas (política, fiscal, tributária) para aplainar esses âmbitos sobre os quais falamos”.   

Nesse contexto, afirma o professor, a independência política foi um processo elitista e excludente. “Mas não seria diferente, pois o Brasil vivia sob um regime escravocrata, cuja população livre, por sua vez, era analfabeta em sua maioria, e não tínhamos universidades para formação de intelectuais”.

Mas o que aconteceria se Dom Pedro não decretasse a independência do Brasil com relação a Portugal? Seríamos uma nação sem identidade? A resposta do professor Amâncio é categórica. “Não! Seríamos uma colônia portuguesa. Como alguns países africanos o foram até a década de 1970; a exemplo de Angola, Moçambique, etc.”

Patriotismo perdido

Nos dias de hoje, vê-se certo desinteresse, principalmente, por parte dos mais jovens, quando o assunto é patriotismo. Muitos não entendem ou tampouco sabem cantar o hino, o que dizer das lutas antológicas e das mortes das sumidades brasileiras que ajudaram a construir uma nação soberana. Nomes como do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ou simplesmente Antônio Conselheiro, que liderou a Guerra de Canudos, passam despercebidos e quase esquecidos pela geração “Smartphone”. Torcer pelo Brasil, somente em épocas de Copa do Mundo.

Para o professor Amâncio, o problema não está no aluno, mas na formação dos professores. “O público tem interesse por História. Tem até sede para conhecer a História local, a de Sergipe. Filmes, séries, jogos, revistas e livros que trazem temas históricos fazem sucesso e vendem bem. O problema é que a má formação pedagógica da maioria de nossos professores é gritante. As aulas de História não são elaboradas a partir de fontes de época, na maioria das vezes. Elas se baseiam apenas no livro didático que não se aproxima dos interesses do alunado e de sua realidade. O grande público gosta de uma História bem contada, assim como gosta de música clássica quando é contextualizada. Tudo parte de uma boa base educacional que o nosso país ainda não proporciona. Pois os governos só têm priorizado o ensino superior e descurado do fundamental. Nossa Educação Formal é uma casa com grande telhado sem colunas e base de sustentação. Assim fica difícil gestar uma Nação poderosa”.