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A arte de  fazer política 

O maior identificador de caráter do político partidário está na sua chegada ao poder. Ele irá revelar suas maiores virtudes e seus piores defeitos. O universo político é feito de extremos, embora sua maior atuação se enquadre no eixo da mediocridade, ou seja, no meio. No centro das convivências, se estabelece o improvável entre inimigos reatados, alianças impossíveis, cumprimentos inimagináveis, acordos invisíveis, apoios impalpáveis, entendimentos previsíveis. O meio é o lugar onde a palavra não é cumprida. Nele se assentam os homens, segundo seus interesses, jamais aqueles que envolvem uma população. Usam o discurso do bem comum, quando o único bem que lhes interessam é o poder pelo poder. Para se chegar a um acordo com visões futuristas, tudo é estatisticamente calculado. Coloca-se na balança, as prováveis lideranças que integram aquele agrupamento. O povo, controlado como o “Admirável Gado Novo” são tão velhos quanto as velhas raposas. Os filhotes das raposas velhas seguem a cartilha das idosas, por saberem que algumas receitas são parecidas com a boa comida da vovó – raramente erram. Neste contexto, o inconsciente coletivo é dominado sobre uma mesa de jogatina, onde os votos são as cartas, e os valores, divididos entre os jogadores. Nesta esfinge, o povo agoniza numa esperança secular, cada vez mais carcomida pelo discurso do engano.

 

O mesmo que falara na campanha não é o mesmo que foi eleito. Mentem descaradamente como se fosse algo normal. São os filhos da hipocrisia, da manipulação discursiva do marketing que retira da massa, o seu doloso pensar. Aquele de nível mais baixo, considerando que o descontrole da natalidade está presente entre os que mais precisam do serviço público, sendo eles, os que elegem. Em feriados, outros níveis sociais passeiam, enquanto aqueles que nada sabem, elegem os que sabem tudo. A desgraça do homem está naqueles que os representam. Porque na chegada da vaidade manifestada pela indiferença, quem primeiro morre, é o próprio coração que continua a bater. Eles não sentem necessidades de ninguém, exceto as suas e dos seus. Cada ser político partidário traz consigo centenas ou milhares de pessoas que dependem dos benefícios que ele pode oferecer. E é esta, e apenas esta, o conceito que cada um deles tem sobre povo – seus aliados.

 

A política é a arte que desnuda o caráter de cada um, com seu grau de compaixão ou frieza. Os que só sabem dizer sim, são aqueles que costumam ser adorados pelo povo! Os que sabem dizer não, são os técnicos. E os que sabem dizer sim, quando deviam dizer não, são os irresponsáveis; mas, os que sabem dizer não, quando poderiam dizer sim, são os servos da maldade e da vingança. No poder central que coordena a vida de uma nação munícipe ou patriótica, habitam homens de bem e servos do mal. Os filhos do bem nem sempre são notados. Os filhos do mal, não apenas são notados, como adorados. E entre eles, o povo, usado como manada, controlado por seus líderes em diversos níveis. A melhor parte do bolo ficará com seus representantes e, se sobrar alguma coisa, darão as migalhas ao povo, até que sintam fome, de novo. Eis a arte de fazer política.  

 

 

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