PROMISSOR - 28/12/2018 - 15:36

Cultura da soja será impulsionada em Sergipe em 2019

Foto: Divulgação

Da redação, Joangelo Custódio

Ainda em estágio experimental, o processo de cultivo de soja começa a ser implantado na nova fronteira agrícola denominada Sealba – recorte territorial que abrange novas áreas com alto potencial para grãos em Sergipe, Alagoas e Bahia. Em Sergipe, a área destinada é de apenas dois mil hectares. Parece pouco, mas os resultados são promissores.

Segundo o consultor em agronegócio, Gleiton Medeiros, a soja ainda está sendo introduzida paulatinamente, sob a supervisão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Tabuleiros Costeiros, mais precisamente nas regiões Agreste e Sul do Estado.

“Os resultados são espetaculares. Há também produtores testando em Pinhão, Simão Dias, Poço Verde e Cristinápolis com bons resultados. Acredito que, na safra de 2019, a soja sergipana vai começar a pegar uma fatia do mercado, ainda que pequena, em torno de três a quatro por cento”, vislumbra.

A soja, conforme o consultor, pode ser uma grande aliada na diversificação de plantios e diminuição das áreas de monocultivo. A cultura, explica ele, pode ajudar no enfrentamento das crises que trazem queda de preço das commodities e perdas para os produtores, especialmente no cinturão do milho, em Sergipe, e na secular monocultura da cana em Alagoas, que nos últimos anos tem sofrido com crises severas, com redução de área plantada e fechamento de usinas.

“É um caminho sem volta. Porque precisamos de um negócio chamado de rotação de cultura. A gente só tem uma safra por ano, que é milho, e o que é que acontece: plantamos milho há 35 anos numa mesma área. Vai chegar a um determinado momento que nem o solo nem o manejo vão conseguir eficiência, devido aos restos de cultura. A soja, além de fixar o nitrogênio no solo, melhora biologicamente e quimicamente o solo”, explica.

Preços

Hoje, o saco de soja é vendida por cerca de R$65 no Oeste da Bahia. Em Alagoas foi vendida por R$83. Em Sergipe, a previsão é de R$80 o saco do grão.

“Tem essa diferença de frete que o produtor ganha aqui. Além de termos a possibilidade de exportar, porque estamos a 300 km do porto da Bahia e 300 km do porto de Maceió, que também são exportadores. O custo de produção aqui é menor inclusive com a questão dos fertilizantes. A soja terá um lugar garantido aqui em Sergipe. Ainda são experimentos com resultados extraordinários”, afirma.

Esforço de pesquisa

O supervisor de Comunicação da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Saulo Coelho, disse ao AJN1 que a Embrapa vem fazendo um esforço de pesquisa focado em inteligência territorial, validação e recomendação de cultivares e variedades de soja com características adaptadas em Sergipe, Algoas e Bahia.

Em outra frente, explica o supervisor, há o zoneamento agrícola de risco climático, um estudo oficial que recomenda e indica quais municípios da região estão aptos e quais as variedades de soja estão indicadas para essas áreas. “Isso possibilita aos bancos de fomento a formalizar linhas de crédito para essas culturas nessas áreas encomendadas. Outra frente é o apoio ao Estado a construir políticas públicas que apoiem não só a soja, mas a cultura de grãos como um todo. Para Sergipe, temos ajudado a fortalecer essa política, aumentado a adesão de alguns produtores nas regiões de Cristinápolis e outros do Agreste. Nós não temos um perfil muito extenso quanto Bahia e Alagoas, mas sempre consistente”.

Saulo Coelho diz ainda que a Embrapa tem ajudado a mostrar a potencialidade da soja como uma alternativa importante para diversificação, com relação a cultura do milho. “O setor produtivo está atento e percebendo a importância que Sergipe tem, não só agrícola, mas logística, em virtude da proximidade do porto. Sergipe tem uma vocação de grãos consolidada e a chegada da soja como opção de diversificação é interessante para o estado. Temos no pesquisador Sérgio Procópio um grande fomentador desse novo momento no Sealba”, conclui.