ESQUECIDOS - 01/03/2019 - 16:11

Falta de hidrantes públicos limita ação de combate a incêndios

Fotos: Divulgação

Da redação, Joângelo Custódio

 

Sergipe, assim como outros estados da federação, não está preparado para combater incêndios de grande porte em um intervalo de tempo razoável, aliás, está muito aquém das normas técnicas nacionais, principalmente quando o assunto é instalação de hidrantes públicos de coluna, aqueles pequenos equipamentos de metal fundido que são vistos em calçadas ou em pontos estratégicos, geralmente de cor vermelha ou preta e em formato de “tê”. Eles podem até passar despercebidos no dia a dia, mas são completamente eficazes no combate a incêndios de proporções gigantescas.

Só para se ter uma ideia, se tivesse um hidrante de coluna na avenida Coelho e Campos, perto da madeireira que foi destruída por chamas no último dia 11 de fevereiro, parte da estrutura poderia ter sido preservada. Neste dia, uma viatura do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) foi ao local, mas não deu conta sozinha do serviço, e teve que pedir apoio a outros órgãos, como Petrobras, Prefeitura Municipal de Aracaju, além de carros pipas.

Insuficientes

De acordo com a diretoria de atividades técnicas do CBM, existem em Aracaju 62 hidrantes de coluna e 21 hidrantes subterrâneos, e apenas 22 em todo o interior. Desses, a diretoria não soube precisar quantos estão funcionando ou quantos estão quebrados.

Vale lembrar que é o Corpo de Bombeiros que solicita à Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) a instalação dos hidrantes. Porém, segundo nota da Deso, a responsabilidade de informar quais estão quebrados é dos bombeiros.

Na avaliação do bombeiro Civil Edinaldo Nascimento, a quantidade de hidrantes em Sergipe, principalmente no centro comercial de Aracaju, é “insignificante” e deixa o estado “desguarnecido” em casos de sinistros.

Viaturas limitadas

Na avaliação da arquiteta e urbanista com especialização em Segurança Contra Incêndio da Universidade de São Paulo, Rosária Ono, atualmente, em qualquer situação de incêndio, o Corpo de Bombeiros parte de seu posto para o atendimento à ocorrência com unidades móveis munidas de homens, equipamentos e de água para o combate. “Porém, a sua principal fonte de suprimento de água ainda são os seus próprios auto-tanques, que por mais capacidade que tenham, constituem uma fonte limitada de suprimento”.

A especialista diz ainda que em grandes cidades, o vai e vem das viaturas para serem abastecidas, dificulta ainda mais a situação em função de duas realidades: o trânsito caótico e as dimensões que um incêndio pode atingir, devido à escala dos edifícios e ao adensamento populacional.

Norma nacional

No Brasil, a principal norma que estabelece diretrizes para o estabelecimento  de  hidrantes  é  a  NBR 12.218/1994, e que define a distância máxima de 600 m entre os hidrantes urbanos exigindo vazões máximas para estes equipamentos de 600 litros por  minuto para áreas residenciais e de menor risco  de  incêndio,  e  vazões  de  1.200  litros  por  minuto  para  áreas  comerciais,  industriais  e edifícios de uso público, isto é, para áreas de maior risco de incêndios de grandes proporções.

Também se determina para estas áreas de maior risco que o diâmetro mínimo deva ser de 150 mm para a tubulação da rede à instalação dos hidrantes. Em conformidade com a norma, os hidrantes urbanos devem ser preferencialmente instalados nas esquinas das vias públicas e no meio das grandes quadras.

O cumprimento desta norma parece que não vem sendo cumprida em Sergipe. Num passeio simples pelas ruas da capital, principalmente do Centro, não é fácil achar os hidrantes, e quando os acha, ou está quebrado ou está desativado.

O que diz o CBM

A reportagem do AJN1 procurou a assessoria de comunicação do CBM para comentar o assunto. De acordo com a assessoria, no incêndio que ocorreu na madeireira, “existia um hidrante próximo ao local, porém, tendo em vista a ocorrência, é preferível usar a água dos carros-pipas para as viaturas não terem que se descolar do local para reabastecer e retornar para o local da ocorrência, tendo que montar toda a linha de combate novamente e assim comprometeria o trabalho. Por isso, em alguns casos, é mais viável utilizar a água de outro veículo, do que sair para abastecer. Tendo um resultado mais eficiente que o do hidrante, pois o combate é intermitente”.

Ainda conforme a assessoria, a instalação de hidrantes urbanos em regiões pré-industriais tem que ter uma vazão mínima de 2000l. Já em demais loteamentos a vazão tem que ser entre 1000 e 2000L, com um raio de ação de no máximo 300metros. “Esses hidrantes devem ser preferencialmente instalados em esquinas e no meio das quadras. Os capacetes e tampões dos hidrantes urbanos devem ser pintados conforme o padrão e devem ser sinalizados, com identificação de proibição de estacionamento”.

Sobre os números de hidrantes que estão sem funcionar, a assessoria diz que há um estudo sendo feito para descobrir quantos estão em operação. “Mas quando a população perceber que algum hidrante está danificado, entrar em contato com a Deso”.

Veja o mapa disponibilizado pelo CBM ao AJN1 com os hidrantes espalhados pelo centro da capital: