ENTREVISTA - 29/09/2018 - 08:32

Dr. Emerson: “Não sou mais do mesmo”

Foto: Divulgação

Da redação, Joangelo Custódio
A Agência Jornal de Notícias (AJN1) e o jornal Correio de Sergipe (CS) estão entrevistando os candidatos ao governo do Estado nas eleições deste ano. O sétimo sabatinado é Emerson Ferreira da Costa, da Rede Sustentabilidade. Do alto dos seus 65 anos, Emerson é natural de Traipu (AL) e formado em medicina, profissão a qual exerce até hoje. Nesta entrevista, ele afirma veementemente que não é igual aos outros políticos e que a sociedade clama por mudanças. Emerson afirma que o Estado está quebrado e também destaca como irá solucionar os problemas relacionados ao meio ambiente, segurança, saúde e educação.
Confira:
AJN1 e CS – O seu partido, a Rede Sustentabilidade, diz que é fruto de um movimento aberto, autônomo e suprapartidário e que reúne brasileiros decididos a reinventar o futuro do país. Em dias de descrença com a classe política, o senhor acredita que pode ser uma nova face que se descortina na política sergipana e convencer o eleitorado que não é mais do mesmo?
Dr. Emerson – O cenário de crise na democracia representativa requer competência, honestidade e independência da velha lógica política. A confiança de que não sou mais do mesmo não pode estar fundamentada no discurso, mas na prática da minha vida como cidadão, pai de família e homem público.

“A confiança de que não sou mais do mesmo não pode estar fundamentada no discurso, mas na prática da minha vida como cidadão”

AJN1 e CS – O que o credencia a governar mais de 2 milhões de sergipanos?
Dr. Emerson – O clamor da sociedade pela mudança, o meu histórico de honestidade, a minha independência das velhas práticas de financiamento ilegal de campanha, toma lá, dá cá, nepotismo e corrupção, além da competência adquirida na escola da vida, e a coragem para resolver os problemas que enfrentamos em nosso cotidiano.
AJN1 e CS – Os problemas ambientais do Brasil e de Sergipe nunca foram pautas permanentes em nenhum governo. Hoje, Sergipe é um estado “careca”, já que só tem 13% de cobertura vegetal nativa e figura como forte candidato a apresentar áreas desertificadas e problemas de escassez hídrica. Há também a questão dos resíduos sólidos. Hoje, Sergipe só tem um aterro sanitário, que pertence à iniciativa privada. Como resolver problemas tão urgentes?
Dr. Emerson – Infelizmente Sergipe não tem estabelecido políticas públicas de Estado. Iremos promover uma gestão pública ambiental que concilie o desenvolvimento econômico, humano e social com a preservação do meio ambiente, por meio da promoção de políticas públicas participativas e articuladas com os diversos setores do governo e da sociedade. Faremos parcerias junto à iniciativa privada onde as empresas patrocinem ações ambientais; incentivaremos as cooperativas de reciclagens e empreendimentos para o desenvolvimento de novas tecnologias para o tratamento de resíduos sólidos; promoção de ações estratégicas para aumentar o número de residências com ligação a rede de coleta de esgoto, auxiliando os municípios em todo o Estado na implementação dos projetos e captação de recursos para ampliar as estações de tratamento, evitando a contaminação do solo e dos rios e fortalecimento dos instrumentos democráticos de gestão, como os comitês de bacias hidrográficas e os conselhos gestores de unidades de conservação.

“Iremos promover uma gestão pública ambiental que concilie o desenvolvimento econômico, humano e social com a preservação do meio ambiente”

AJN1 e CS – O senhor é médico e sabe como ninguém os problemas da população, principalmente a mais carente, com relação ao acesso à saúde pública. Costumeiramente, pacientes do SUS peregrinam em filas intermináveis para tratar suas mazelas e, às vezes, acabam morrendo antes mesmo de serem atendidos. Qual a fórmula para mudar essa realidade?
Dr. Emerson – Para mudarmos essa inaceitável realidade, na qual mais da metade das mortes que ocorrem nos serviços públicos poderiam ser evitadas, precisamos ter a coragem e a independência para despartidarizarmos a política da saúde, estabelecermos gerência e gestão profissionais, pactuarmos com as prefeituras um modelo assistencial com porta de entrada pela atenção básica, de modo a reduzirmos o fluxo para os hospitais, além de melhorarmos o financiamento.

“Precisamos ter a coragem e a independência para despartidarizarmos a política da saúde”

AJN1 e CS – No início de agosto deste ano, o Anuário de Segurança Pública atualizou os dados e Sergipe caiu da 1ª para 6ª posição, com a taxa de 55,7 no número de homicídios por 100 mil habitantes, números ainda acabrunhantes. O que fazer para reduzir a violência?
Dr. Emerson – Estabelecer uma política estadual de segurança, com gestão integrada à saúde, educação, assistência social, cultura, esporte e juventude. Embora dependamos de uma política nacional de segurança, melhoraremos a inteligência policial, criaremos o Batalhão Especializado em Divisas, reativaremos a Polícia Comunitária, integraremos as polícias, adequaremos os recursos humanos e materiais.

“Embora dependamos de uma política nacional de segurança, melhoraremos a inteligência policial”

AJN1 e CS – O déficit da Previdência de Sergipe praticamente dobrou entre os anos de 2013 e 2017, pulando de R$ 546 milhões para mais de R$ 1 bilhão. Esse valor exorbitante trava qualquer administração. O atual governador, Belivaldo Chagas, que também concorre à reeleição, disse que o Estado não está quebrado. O senhor acredita nele?
Dr. Emerson – Não! Quando um Estado está quebrado ele não esconde os seus dados. O Estado está muito mal administrado. O pior governo da história de Sergipe, que gasta muito e arrecada mal. Precisamos melhorar a relação ativos/inativos, reduzir o número de comissionados e terceirizados, acabar privilégios, estabelecer contribuição progressiva e redesenhar a política previdenciária.

“O Estado está muito mal administrado”

AJN1 e CS – Em 2017, Sergipe não atingiu a meta do Ideb para o ensino médio, obtendo média de 3,7. Também em 2017, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais de idade foi estimada em 14,5%, o equivalente a 258 mil analfabetos, segundo o Pnad Contínua. No tocante à educação, candidato, quais são as suas propostas para Sergipe sair desse cenário vergonhoso?
Dr. Emerson – Estabelecer a educação como política pública prioritária, tendo a educação integral como objetivo, de modo a produzir conhecimento com qualidade, formar cidadãos preparados para o mundo do trabalho, valorizando os servidores da educação e promovendo a integração da escola com a sociedade.
AJN1 e CS – A malha rodoviária sergipana é uma das piores do Nordeste, principalmente as que dão acesso a pontos turísticos. Caso seja eleito, o senhor pretende reformar essas estradas ou implantar novas? O senhor também negociaria com o governo Federal a concessão do trecho Norte das obras de duplicação da BR-101 à iniciativa privada – como está acontecendo com a BR-235 – já que as obras se arrastam há mais de 20 anos?
Dr. Emerson – Precisamos pensar infraestrutura não apenas pela economia, mas também pelas pessoas. Precisamos integrar melhor as nossas vias municipais com as rodovias federais, particularmente no sertão sergipano. Sim. O estabelecimento de PPPs poderia ser uma alternativa, desde que estabelecessem contrapartidas que preservassem o interesse público.

“Precisamos integrar melhor as nossas vias municipais com as rodovias federais”

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