APRENDIZADO - 13/11/2017 - 10:41

Mais Educação reforça ensino de 2 mil alunos

Foto: Silvio Rocha

 

A educação é um dos pilares mais importantes para a busca de uma sociedade mais consciente e igualitária, principalmente quando nos referimos ao desenvolvimento e aprendizado de pessoas ainda em formação social e intelectual. Pensando nisso, a Prefeitura de Aracaju, em parceria com o Governo Federal, tem investido no Programa Novo Mais Educação, voltado aos alunos de escolas municipais.

O programa, iniciado em 2012, oferece a 2.080 alunos do ensino fundamental um reforço diário de Português e Matemática, que são as matérias em que os alunos geralmente sentem mais dificuldade em acompanhar. Além das disciplinas convencionais, o Programa oferece também atividades artísticas e esportivas que propiciam aos alunos a inserção em um ambiente escolar dinâmico e interdisciplinar.

Apesar de existir há quase cinco anos, o Programa ainda não havia passado por uma avaliação que pudesse demonstrar os índices alcançados. Por isso, durante este ano, os alunos foram acompanhados de perto para a obtenção de um diagnóstico consistente contendo informações necessárias sobre a sua atuação. Foram levantados dados que mostram as deficiências e o nível dos alunos, como forma de buscar sanar essas dificuldades no próximo ano letivo.

Indutor

O Novo Mais Educação surgiu com o intuito não só de oferecer um ensino de melhor qualidade para as crianças, mas também como um indutor do ensino integral na rede municipal de educação. Prova disso é a rotina de sete horas diárias que os alunos passam na escola, onde recebem três refeições completas e são acompanhados pelos professores e funcionários.

De acordo com Patrícia Tavares da Cruz, técnica pedagógica da Secretaria Municipal da Educação (Semed), apesar de o Programa ser uma iniciativa de suma importância, principalmente para os alunos mais carentes e com dificuldades de aprendizado, seriam necessários ainda mais investimentos para que a abrangência fosse mais ampla. “As crianças que estão em processo de alfabetização e em situações de mais vulnerabilidade têm prioridade na seleção para o programa, pois atualmente nós não temos condições de atender a todos”, afirma a técnica.

Com isso, ao levar em consideração a expansão do Programa, deve-se pensar também nos custos. Atualmente, o Governo Federal disponibiliza uma parte da verba destinada para o Novo Mais Educação, sendo esta insuficiente e complementada por recursos dos cofres municipais.

Importância

Torna-se até uma tarefa descomplicada traçar o perfil dos estudantes de escolas públicas de bairros carentes da cidade: geralmente negros, de classes mais baixas, inseridos numa realidade social pouco propícia para a total dedicação à educação. Frente a isso, o Programa passa a ter ainda mais importância quando instaurado nessas comunidades fragilizadas.

Para Silvana dos Santos, diretora da Escola Municipal Papa João Paulo II, localizada no bairro Santa Maria, a intenção é trabalhar com essas crianças que não possuem condições financeiras para contar com um reforço fora da escola e/ou com o acompanhamento familiar. “De 700 alunos, a gente tira 140 da possibilidade de estar na rua, na situação do tráfico, na violência, de estar em casa sem companhia ou na rua. Então a gente acolhe essas crianças, amplia o tempo na escola com qualidade e ajuda a melhorar os resultados da aprendizagem pela manhã. Quando eu pergunto, logo me dizem que não sabiam fazer contas, que não sabiam ler as questões, mas que agora já sabem”, conta.

Os alunos beneficiados não pensam diferente. Apesar da agitação típica da infância, todos acompanham as aulas com atenção e reconhecem a importância desse respaldo.

“A gente aprende, brinca, reforça Português e Matemática. Tem gente que é difícil de aprender. Eu mesmo tinha dificuldade em fazer contas, mas agora estou conseguindo”, relata Eduardo Santos, estudante de 10 anos.

Vale ressaltar ainda que grande parte dos professores que lecionam nessas escolas são estudantes de licenciaturas ou veteranos já aposentados, que se disponibilizaram voluntariamente para a missão de estar em sala de aula. Cada um deles recebe apenas uma ajuda de custo.

Segundo o professor de Português, Anderson Nunes, o aprendizado acaba sendo mútuo e de grande gratificação. Para ele, reconhecer seu papel na evolução de alunos o faz se sentir mais realizado profissionalmente. “A diretora [Silvana] estava precisando de ajuda com as crianças e eu me prontifiquei, pois sei que eles precisam muito, e estou aqui pra fazer o melhor possível”, afirma.