RISCO - 27/04/2017 - 08:17

Saúde alerta para riscos da hipertensão

Foto: Divulgação/SES

 

Prevenir e controlar a hipertensão arterial, bem como as doenças cardiovasculares, são alguns dos grandes desafios em saúde enfrentados pelos brasileiros. No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão – 26 de abril -, a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil), realizada pelo Ministério da Saúde em todas as capitais do país e que acaba de ser divulgada, mostrou que o número de pessoas com hipertensão cresceu 14,2% em 10 anos, ou seja, passou de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016.

O resultado da Vigitel Brasil é referente a respostas de entrevistas realizadas de fevereiro a dezembro de 2016, com 53.210 pessoas maiores de 18 anos das capitais brasileiras. As mulheres lideram no ranking. Ao todo, 27,5% das pessoas entrevistadas que têm hipertensão eram do sexo feminino e 23,6%, do sexo masculino. A maior incidência é entre as pessoas acima de 65 anos, entre elas, 64,2% dos entrevistados haviam sido diagnosticados com a doença.

Segundo o cardiologista Eduardo Ferreira, as doenças cardiovasculares, representadas pelo enfarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral, correspondem à principal causa de morte no mundo. “A hipertensão é o principal fator de risco que leva pessoas a terem um desses eventos, considerados potencialmente fatais. A recomendação dada a quem tem hipertensão ou histórico familiar da doença é, principalmente, o controle da alimentação através da baixa ingestão de sódio, rico teor de fibras e pobre em carboidratos. É importante também a adesão de atividades aeróbicas (caminhadas, pedaladas) pelo menos quatro vezes por semana e controle do peso”, esclareceu o especialista.

Eduardo Ferreira recomenda aos cidadãos com idade acima de 40 anos que procurem um especialista para avaliação cardiológica, porém, não isenta o público infanto-juvenil de cuidados específicos. “No caso de crianças e adolescentes diagnosticadas com hipertensão, a razão se dá por doença secundária [endócrinas ou hormonais], porém a hipertensão primária, de carga genética associada à má alimentação ou aumento de peso, vai se manifestar a partir dos 30 anos. Outro agravante ocasionador da doença na atualidade é o estresse”, acrescentou.

Jovens e idosos

A hipertensão é uma doença silenciosa que pode afetar qualquer pessoa. Em algumas delas, o diagnóstico se torna conhecido apenas com o surgimento de complicações, entre as já citadas, a insuficiência renal. Jovem de 25 anos, Júnior Ventura é prova de que a doença não escolhe idade. Ela atinge mais de 50% da população idosa e 5% de crianças e adolescentes. “O diagnóstico de hipertensão foi descoberto através de exames laborais feitos em 2015, mas somente no ano seguinte dei início ao uso de medicações, conforme prescrição médica. O monitoramento ambulatorial da pressão arterial foi feito e num primeiro momento meu quadro evoluiu, estando agora estabilizado”, compartilhou Júnior, que atualmente não dispensa uma alimentação equilibrada e cuidados necessários para manter a saúde renal, que pode sofrer agravos a partir do quadro da hipertensão.

O funcionário público José Armando dos Santos, 56 anos, sofre de hipertensão há quase 30 e descobriu a doença por meio de teste rápido oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Ao receber o resultado do teste que fiz por acaso procurei um especialista para iniciar tratamento de controle da hipertensão. Além dos remédios e de consultas, adaptei as pedaladas matinais à minha rotina e procuro, sob orientações da esposa, controlar o uso do sal e de alimentos inapropriados para o hipertenso”, declarou José Armando.

Controle

O Ministério da Saúde, em seu ‘Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis – DCNT No Brasil’ (2011 – 2012), priorizou as doenças do aparelho circulatório, entre elas a hipertensão arterial como a mais conhecida, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, por serem responsáveis por 63% dos óbitos no mundo e por 72% no Brasil, sendo que um terço dessas mortes são prematuras (abaixo de 60 anos).

Segundo a funcionária da área técnica de Hipertensão e Diabetes da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Maria da Conceição Lima, o Governo de Sergipe apoia os municípios em suas iniciativas e ações de promoção da saúde para redução das taxas de mortalidade prematura, e na prevenção de riscos e agravos à saúde da população. “Estão previstas atividades de educação permanente, teleconferências e capacitações, que abordem não só a hipertensão, mas todo o conjunto das doenças crônicas, visto que muitas vezes tais doenças estão associadas a um mesmo paciente e afeta sua sobrevida. As ações da SES também acontecem de modo contínuo, como o matriciamento e monitoramento de indicadores de saúde dos municípios”, ressaltou Conceição.

Fonte: Ascom SES