- 11/07/2017 - 15:25

ARACAFRIO – OS DIAS EM QUE ARACAJU TREMEU!

A cidade está em polvorosa. Até um jacaré apareceu para dar o ar da graça. O sol nos deixou por alguns dias e, mesmo surgindo em poucas horas, tem sido vencido pela força das águas. Aliás, chuva e frio costumam ser raros por aqui, especialmente quando aparecem juntos.

Fico imaginando sobre o poder do tempo na mente de quem não está acostumado com algo assim. E o que dizer do vento! Quase um filme de terror à beira mar, roubando o sono de quem vê fantasmas de vidro na janela. Os filhos do sol se assombram em manhãs frias. O chuveiro espera visitantes que demoram. Nem todos se habilita. Como conseguem dormir sem um banho? Os enamorados se esforçam para o ato de coragem e, nesta lista, os que se banham no morno, não são considerados. Coragem é o choque térmico! De minha parte, a água morna me agrada em qualquer tempo.

Mas, Aracaju está vivendo dias atípicos. Daqueles que retiram as naftalinas dos armários. Recentemente, num encontro social, uma senhora passou garbosamente em seu imenso casaco. Minhas narinas identificaram a data de nascimento do animal morto que se transformou em sobretudo – chutei quinze anos! A chuva e o frio, juntos, mudam hábitos.

Apesar do lúdico, como estão aqueles sem cama, sem teto ou sobretudo?!…

As ruas se transformaram em pistas de rali – livrar dos buracos é quase uma saga!

Observo o menino sem camisa, abraçando a si mesmo enquanto o queixo se debate. É o frio, para quem está aconchego, bom! Para os esquecidos, uma tormenta. Em dias assim, o amor verdadeiro se deita na fronha e sussurra – durma! O frio beija sua pele, mas não rouba seu sono. E eu acredito. E durmo.

A natureza convida a Cidade , a uma visita nos seus compartimentos. Em dias frios e chuvosos, se a alegria não tiver reservas, as noites se tornam muito tristes – e oro por estes!

Na dança dos coqueiros, suas notas não têm agradado aqueles que estão acostumados com o barulho do ar condicionado ou de um ventilador.

Quando o frio segurar nas mãos da chuva e partirem, sem aviso, e o sol retornar ao seu posto, nem todos sentirão saudades deste notável casal, que retirou das profundezas de um armário, o elegante casaco daquela senhora.