- 21/08/2017 - 15:10

Em Cristo, eternamente vivos

Eis que chegamos ao duodécimo e último artigo do Credo Católico: “Creio na Vida Eterna”. Ao lado do undécimo, refere-se qual a finalidade do homem; o ‘para quê’ fomos criados. Ressuscitaremos não apenas para o julgamento, mas para viver: eis o nosso destino após a morte, após a nossa felicitação no juízo.
Como dissemos anteriormente, a morte não é o fim do homem, e sim o fim de um tempo de peregrinação por esta vida terrena. Ao fecharmos os olhos para esta realidade e pela morte adentrarmos na porvindoura, seremos julgados por Cristo: é o juízo particular, onde prestaremos contas de tudo quanto fizemos em nosso trilhar na terra (cf. Mt 16,26; Lc 16,22; 23,43; 2Cor 5,8; Fl 1,23; Hb 9,27; 12,23): “Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre” (Catecismo da Igreja Católica, 1022). Logo, dizemos, amparados pelo Magistério da Igreja, que três são os destinos da alma humana após a passagem da morte: o Céu, o Purgatório e o Inferno.
Como já refletimos outrora, quando falávamos do sétimo artigo do Credo (em um texto nosso intitulado “A Glória de Cristo e o seu julgamento”), “entendamos por Céu a vida em comunhão definitiva com Jesus; a bem-aventurança e a felicidade eterna de ver a Deus e estar junto dele. O Purgatório, por sua vez, significa que há pessoas que, no dia de sua morte, ainda não estão preparadas para um encontro com Deus, em uma plena comunhão com ele. Nós acreditamos que Deus, em sua misericórdia, os purifica e lhes dá o perdão para que entrem, posteriormente, no Paraíso, no Céu. Ele prepara-os para esse encontro. Daí a importância de rezarmos pelos mortos, principalmente intercedendo pelas almas do Purgatório. Por Inferno, entendamos a exclusão definitiva da comunhão com Jesus, a infelicidade e a miséria dos que se separaram voluntariamente de Deus. Por isso, o Inferno ser tido como um estado de alma de tormentos e de sofrimentos. Um estado irreversível”. E com que parâmetros seremos julgados? São João da Cruz, permeado por uma mística admirável, poderá nos alentar ou não: “No entardecer da nossa vida, seremos julgados sobre o amor”.
A Palavra de Deus, piamente crida e ensinada pela Igreja, também nos fala do juízo final. Igualmente consoante ao sétimo artigo, retomamos: “No fim do mundo Jesus Cristo, cheio de glória e de majestade, há de vir do Céu para julgar todos os homens, bons e maus, e para dar a cada um o prêmio ou o castigo que tiver merecido. Podemos questionar-nos: Se cada um, logo depois da morte, há de ser julgado por Jesus Cristo no juízo particular, por que haveremos de ser julgados todos no Juízo universal? Isso acontecerá por várias razões: primeiramente, para glória de Deus; depois, para glória dos Santos, que alcançaram o Céu por uma vida de amizade com Deus; para confusão dos maus, que conquistaram a sua própria condenação; finalmente, para que o corpo, depois da ressurreição universal, tenha juntamente com a alma a sua sentença de prêmio ou de castigo. No Juízo universal, há de manifestar-se a glória de Deus, porque todos hão de reconhecer, transparentemente, a justiça com que ele governa o mundo, embora se vejam às vezes na presente realidade que os bons estão a sofrer e os maus em prosperidade. Sendo um único Deus com o Pai e o Espírito Santo, no Juízo universal também há de manifestar-se a glória de Jesus Cristo, porque, tendo Ele sido injustamente condenado pelos homens, aparecerá à face do mundo inteiro como Juiz supremo de todos. Dissemos, amparados pela sã doutrina da Mãe e Mestra ‘Senhora’ Católica, que no Juízo universal há de manifestar-se a glória dos Santos, porque, tendo sido muitos deles desprezados e mortos pelos maus, hão de ser glorificados em presença de todos os homens. No Juízo universal, a confusão dos maus será enorme, especialmente aqueles que oprimiram os justos, e aqueles que, durante a vida, procuraram ser tidos, falsamente, por homens virtuosos e bons, pois verão manifestados, à vista de todos, os pecados que cometeram, ainda que ocultamente” (cf. “A Glória de Cristo e o seu julgamento”).
Queridos irmãos, disse-nos o Senhor: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6,51). Pela Eucaristia, entramos, ainda que momentaneamente, na intimidade de Deus; antegozamos o céu, o convívio dos bem-aventurados em Deus, a vida eterna. Se pelo Batismo nos tornamos membros do Corpo de Cristo, pela Eucaristia travestimo-nos do Ressuscitado, que antecipará a Sua vida em nossa vida já nesta realidade terrenal. Que o Sacramento do Altar nos confirme nesta nossa adesão de fé na ressurreição e na vida gloriosa infindável reservadas para o fiel crente.