- 03/10/2017 - 15:47

A (in)fidelidade partidária e os aliados não alinhados

A política é uma ciência extraordinária! Ela promove, entre os sete pecados capitais, espaço suficiente para seis deles. O avarento que ocupa um cargo ou atua neste cenário em qualquer nível das suas escalas, tem neste pecado, um amor incondicional pelo dinheiro e tudo que os bens materiais oferecem. O que se deixa dominar pela luxúria é aquele que acredita que as malas de dinheiro superam o pouco suficiente que vem de Deus! Já os escravos da ira, se deixam contaminar pelo ódio, mágoa e vingança. O invejoso, por si só, se define no próprio adjetivo da palavra. Mas, neste meio, há também o preguiçoso, que nada faz e sempre espera que o outro faça por ele. Por fim, o orgulhoso ou vaidoso é aquele que não se preocupa com quem não esteja no mesmo nível que ele acredita estar. E estes pecados provocam o combustível necessário para que os pecadores ou vítimas destas fragilidades carnais, se duelem entre si, se machuquem, se auto destruam, se exponham, se abandonem e se traiam no centro da arena. No universo partidário ou acordos de aliança, o que mais existe, são ideais partidos – todos são amigos – até o segundo ato! Se um dos possíveis aliados estiver sendo perseguido, pré-julgado, a expressiva maioria abandonará a “vítima”, como se fosse um transmissor de doença contagiosa. Na verdade, alguns acreditam que a boa imagem é não estar ao lado de quem estiver “queimado”. No entanto, assim como as nuvens estão ali, podendo estar em outro lugar, o céu muda de cor,  e as estações costumam embaraçar o calendário oficial. O mesmo acontece com a roda gigante da política! O que está encima, pode um dia estar embaixo e, vice-versa. Se não aprender a usar as verdadeiras ferramentas da humildade, do respeito, da solidariedade, do humanismo, antes dos interesses pessoais, o que será revelado, poderá trazer consequências irreversíveis para quem ignora o poder de um fogo “amigo”. Apesar da raridade na permanência partidária e no cumprimento dos seus estatutos; apesar das alianças que se quebram no meio do caminho, como se fosse madeira podre, há algo que não passa despercebido – a ingratidão. Ela é a mola que revela o estado espiritual de um caráter. E mesmo que a política seja instrumento poderoso para se fazer o bem, se o homem não vigiar, ele será, sem dúvida, sugado pelos pecados capitais, abrindo seu próprio caminho que o levará ao pódio – do inferno.