- 23/10/2017 - 18:50

Maria, Mãe de Deus e da Humanidade (Parte II)

Na continuidade do que já falávamos em nosso artigo anterior acerca a maternidade divina de Maria, queremos vasculhar um pouco mais das Escrituras, que confirmam este dado querido da vida de Maria Santíssima. Assim, cremos que esta verdade dogmatizada pela Santa Igreja Católica ganha seu principal esplendor, em especial, no Evangelho de Lucas; basicamente em duas passagens que são, diretamente, provas para tanto.
Em primeiro lugar, o texto da Anunciação do Anjo Gabriel a Maria. “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. – e continua o Anjo – […] O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,31-33.35). Na reminiscência do chamado Expositor Grego, valho-me do fato de que é Maria quem deverá impor o nome no Menino; um nome que Ela recebeu de Deus. Eram os pais quem nominavam os filhos como sinal de pertença. Jesus é Filho de Deus e de Maria. Numa só Pessoa de dupla natureza – divina e humana – Cristo não é um homem que se caracteriza como ente humano espiritual. Não. Verdadeiro homem é, antes de tudo, verdadeiro Deus.
Em um outro momento, temos a visitação de Maria a Isabel, sua prima. Nos lábios daquela que representa a Antiga Aliança, e, consequentemente, o Antigo Testamento, temos o brado estupefato: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Lc 1,42-43). Senhor, com o passar do tempo, na interpretação da Torá, tornou-se sinônimo do nome impronunciável de Deus. O pronome possessivo ‘meu’, na boca da estéril-mãe Isabel diante da Virgem-Mãe Maria é a constatação de que Deus cumpriu o que prometeu, vindo visitar o Seu povo, e o vem de maneira milagrosa, inédita, singular, pelo seio virginal. Também nesta exclamação de Isabel (a saber: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”), temos o primeiro louvor que uma criatura humana rende a Maria Santíssima, que sucede aquela saudação feita à mesma Virgem, quando Deus, por meio do Anjo, lhe disse “Ave”. Assim, Isabel lidera, ao tempo em que representa, aqueles que homenageiam Maria pela sua maternidade divina.
Enfim, após estas provas oferecidas por São Lucas, dentre tantas que as Escrituras e a Tradição Apostólica oferecem, após longas discussões heréticas por parte de Nestório (que afirmava que Maria é a mãe do Cristo homem apenas: em grego ‘Christotókos’), a Igreja definiu, no terceiro Concílio Ecumênico de sua história, na cidade de Éfeso, no ano de 431: “Por isso, [os Santos Padres] no decorrer dos séculos não duvidaram chamar a santa Virgem de Deípara [Mãe de Deus], não no sentido de que a natureza do Verbo ou sua divindade tenham tido origem da santa Virgem, mas no sentido de que, por ter recebido dela o santo corpo dotado de alma racional ao qual também estava unido segundo a substância, o Verbo se diz nascido segundo a carne” (Denziger, 251).
Com o olhar e a lembrança na visita da Mãe de Deus a Isabel, trazemos à lume as constantes visitas de Maria ao seu povo, aos seus filhos. Vivíamos, há poucos dias, as festividades alusivas dos trezentos anos da aparição maternal de Maria aos brasileiros, manifestada pelo encontro de sua imagem enegrecida e alquebrada no Rio Paraíba do Sul. Maria, a quem, carinhosamente, chamamos ‘Nossa Senhora Aparecida’, tornou-se, por ser Mãe de Deus, Mãe dos brasileiros, como se o achar de sua pequenina imagem em águas brasileiras tivesse um liame estreito com o evento da Cruz, quando, expirando, Jesus tem forças para conceder-nos a Sua Mãe como nossa também. Que ela continue velando por nós, seus filhos, nas diversas turbulências que, na atualidade, investem contra a nossa Pátria e contra as nossas famílias.