- 24/07/2017 - 19:58

O “Banho” do Perdão (o Batismo)

A Igreja, que é Mãe e Mestra, é a única depositária da salvação operada pelo Cristo. Ao tempo em que ela custodia, também distribui tal graça eminente. Entrementes, muitos, inclusive os ‘cristãos desinformados’, não acreditam que a Igreja tem o poder de perdoar pecados; duvidam-lhe na sua extrema autoridade espiritual dada pelo próprio Deus. Não obstante aos incrédulos, temos em vista outros tantos ‘cristãos desleixados’ que não se deixam reconciliar com Deus pelo meio ordinário da Igreja que são os sacramentos. “Creio na remissão dos pecados”: eis o décimo artigo da Profissão de Fé da Igreja de Cristo.
Em algumas páginas do Evangelho, encontramos o fundamento para esta prática da Igreja. O próprio Senhor, ao demonstrar com o seu perfeito exemplo o modo de libertar as pessoas integralmente, curando-lhes principalmente o coração, o interior, não raramente afirmava aos miseráveis que o procuravam, pedindo-lhe vida nova: “Os teus pecados estão perdoados” (cf. Mt 9,2; Mc 2,5; Lc 5,20; 7,47-48). Esta prática não se bastou ao Cristo, que a confiou à Sua Igreja, continuadora de Sua missão redentora, conferindo ao Colégio Apostólico, as “colunas de Seu Corpo Místico”, o seu exercício baseado em um poder inigualável, procedente do próprio Deus: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19); “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23); “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia” (Tg 5,14-16).
A limpeza operada por Deus através da Igreja e dos seus sacramentos se dá primariamente no ‘Banho’ da regeneração: o Batismo. Já constatamos esta verdade no Símbolo Niceno-Constantinopolitano: “Professo um só Batismo para a remissão dos pecados”. O principal efeito deste proto-sacramento, ao ser recebido pelo indivíduo com fé e conversão, é introduzi-lo no universo da graça, fazendo com que, ao lhe serem perdoados os pecados, mergulhe na morte para o pecado e ressurja, regenerado e renovado pelo Espírito Santo, revestido de Cristo, santificado Nele.
O Batismo não somente apenas apaga os nossos pecados, como também nos faz filhos de Deus no Único Filho, Jesus Cristo, configurando-nos a Ele. Assim, o Batismo incorpora os seres humanos a Cristo, tornando-os membros do povo de Deus; perdoa-lhes todos os pecados e os faz passar, livres do poder das trevas, à condição de filhos adotivos, transformando-os em novas criaturas pela água e pelo Espírito Santo; por isso, são chamados filhos de Deus e realmente o são. Neste mesmo sentido, Santo Ambrósio, nos seus escritos ‘Tratados sobre os Mistérios’, no distante século IV, disse: “Se não for batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, não poderá receber a remissão dos pecados nem acolher o dom da graça espiritual”. E também: por meio deste Sacramento, ao ingressarmos na vida divina, em simultâneo, tornamo-nos para o mundo presença de Cristo Luz e Sal (cf. Mt 5,13-16); logo, arremete-nos numa grandíssima responsabilidade: somos cristãos pelo Batismo para nós, para a nossa própria salvação, e para os outros.
Pelo ‘Banho’ da regeneração, como filhos de Deus e da Igreja, façamos justiça à nobre graça que recebemos: primemos pela salvação que o Senhor mesmo nos transmitiu pela ação de Sua Igreja no dia do nosso Batismo. No nosso próximo encontro, continuaremos tratando da temática do décimo artigo de nosso Credo, naquela feita, debruçar-nos-emos sobre o Sacramento da Confissão.
Até lá!