- 07/08/2017 - 14:56

O “BANHO” DO PERDÃO (a Unção dos Enfermos)

Desde a antiguidade, o mal físico era visto como ligado ao mal espiritual, encontrando neste último aspecto a sua raiz. Assim, poderíamos sintetizar o sofrimento da enfermidade como uma consequência do pecado original.
Se se constitui como verdade – tal como a Santa Igreja Católica crê e professa – que o fato da doença tem o seu radical na dimensão do pecado, temos em Jesus Cristo o médico que liberta o homem na sua integralidade. O Cordeiro Redentor, imolando-se, reaproxima-nos de Deus, com uma união nunca antes tida, que consiste em não apenas perdoar-nos, mas dar-nos uma condição superior aos anjos em dignidade no Céu. Assim, o Senhor Jesus Cristo exerce para com toda a humanidade uma compaixão que atinge todas as dimensões da vida humana, resignificando-a.
Nos evangelhos, vislumbramos tantas pessoas que acorrem ao Senhor, pedindo-Lhe a cura. Este caráter do poder de Jesus já era estampada pela missão do Salvador, profetizada séculos antes pelo Profeta Isaías (cf. 61,1), que é confirmada pelo próprio Jesus, como sendo referida a Si, quando de sua visita à sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4,16-30). Entretanto, o Cristo não queria ser visto como um curandeiro ou simples médico; desejava, portanto, que a Sua solicitude fosse reconhecida como um sinal que assegura a chegada do Reino de Deus (cf. Lc 7,19-23), e que esta ação de curar deve levar o homem a um passo gigantesco na fé, o que inclui a sua conversão a este mesmo Reino (cf. Jo 5,14). O Senhor não apenas se compadece, de forma afastada, distante dos enfermos de diversas mazelas. Segundo o Profeta Isaías, “Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças sobre Si” (Is 53,4), passagem rememorada pelo Evangelista São Mateus (8,17).
O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Muitas vezes Jesus pede aos enfermos que creiam. Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos, lama e ablução. Os doentes procuram tocá-lo, ‘porque dele saía uma força que a todos curava’ (Lc 6,19). Também nos sacramentos Cristo continua a nos ‘tocar’ para nos curar” (n. 1504). Como sacramento que traduz esta potência da Igreja no perdão dos pecados temos também a Unção dos Enfermos, cuja instituição encontramos quando o Senhor Jesus Cristo envia os Apóstolos em missão: [Eles] “Ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam” (Mc 6,13). Igualmente nas Escrituras averiguamos a prática da Igreja mediante a ordem do Senhor (cf. Tg 5,13). O efeito da Unção dos Enfermos é a comunicação da graça, apagando as faltas que o doente ainda tem que expiar, inclusive aquilo que o Concílio de Trento chamará de “reliquias peccati” – sequelas do pecado, consolando e confirmando a alma do doente, excitando-o maiormente na confiança da divina misericórdia, por quem, reanimado, aprende a suportar com mais docilidade os desconfortos e sofrimentos impostos pela enfermidade, ao tempo em que adquire crescente resistência às insídias do demônio. Tudo isto sem olvidar da possibilidade de reaver a saúde do corpo, quando esta for importante para a alma (cf. Dz 1696).
Deus nos ama, e, por amar-nos, dá-nos o seu perdão. Se desesperarmos de Sua infinita misericórdia, por quem esperaremos? Busquemos sempre o Senhor que se deixa, continuamente, encontrar por um coração arrependido, contrito, mas confiante em sua bondade e com desejo de servi-Lo (cf. Sl 129). Não paremos em nossas misérias. Não! Mergulhemos nesta senda de amor infinito que nos quer purificados e juntos a Si, imerjamos sempre em Deus, banhemo-nos desta fonte que a Igreja nos oferece que é a Divina Misericórdia.