- 18/12/2017 - 16:00

O perfeito culto ao Perfeito

Quando de Sua pedagógica revelação a Israel, Deus dá ao ‘Povo da Promessa’ os Dez Mandamentos, ordenando-lhe: “Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-lhe-ás o teu culto e só jurarás pelo seu nome” (Dt 6,13). E isto porque estavam os seus interlocutores entre nações pagãs, politeístas, idolátricas. Entretanto, vasculhando as Escrituras – mais precisamente o Antigo Testamento, perceberemos que, não poucas vezes, o Povo eleito parece ter se esquecido do preceito do Deuteronômio, ou mesmo imiscuído no culto de Israel ao seu Deus, Único e Verdadeiro, elementos da idolatria dos circunvizinhos.
A traição ao Senhor zeloso, que mora no meio de Israel (cf. Dt 6,15), não se fez latente apenas no contexto da iminente entrada dos israelitas em Canaã, a Terra da Promessa, ou somente aos que viveram no contexto veterotestamentário. Mas o próprio Jesus, em Sua época (e a partir dela como ordenamento para toda a Sua Igreja, Novo Povo de Deus), faz questão de frisar: “Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a ele só servirás” (Lc 4,8), inspirando-nos a romper com as enganosas sugestões do maligno que nos quer fazer prevaricar contra Deus, Vivo e Verdadeiro.
Escrevendo à comunidade de Corinto a sua primeira carta, São Paulo é claro: “Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo” (1Cor 12,3). Com tal afirmativa, o Apóstolo dos Gentios ajuda-nos na reflexão da importância das virtudes teologais – Fé, Esperança e Caridade – para uma correspondência ao amor de Deus. E a Igreja, nesta mesma perspectiva (porque bebe da Tradição Apostólica e das Escrituras), em seu Catecismo, alertando-nos acerca da oração, dirá: “Os atos de fé, de esperança e de caridade ordenados pelo primeiro mandamento cumprem-se na oração. A elevação do espírito para Deus é expressão da adoração que lhe rendemos: prece de louvor e de ação de graças, de intercessão e de súplica. A oração é uma condição indispensável para poder obedecer aos mandamentos de Deus. ‘É preciso orar sempre, sem jamais esmorecer’ (Lc 18,1)” (Catecismo da Igreja Católica, 2098). E, ao lado da oração, a Igreja explicita a importância do espírito de penitência, das promessas e dos votos como atitudes de querer ser agradável a Deus mediante uma susceptibilidade ao Espírito Santo, que, também, mora e age em nós.
Se por um lado, a Igreja, Esposa do Cordeiro, estimula-nos à virtude da religião, por outro, quando a ‘Senhora Católica’ nos ensina acerca do primeiro mandamento do Decálogo, ela denuncia: “O primeiro mandamento proíbe honrar outros deuses, além do único Senhor que Se revelou ao seu povo: e proíbe a superstição e a irreligião. A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por defeito à virtude da religião” (Catecismo da Igreja Católica, 2110). Porém, quando fala de superstição, há um ensinamento além, que visa debater contra a idolatria a adivinhação e a magia.
Se alguém pensa que, por ser cristão, está isento da idolatria, está profundamente enganado. Também em nossos dias, esse pecado pode estar presente em nossa vida, sutilmente. Quantas vezes nos flagramos pondo como essencial o material, pessoas, produtos, vaidades, atitudes egoístas, os prazeres de diversas ordens etc., que tomam o lugar de Deus, não fazendo Dele o absoluto, o primordial de nossas vidas? Tudo isso é pecar contra a Providência Divina, e, como tal, é idolatria, pois contradiz ao querido por Jesus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33). Como adivinhação, o Catecismo entende: “recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente ‘reveladoras’ do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenômenos de vidência, o recurso aos ‘médiuns’, tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos” (n. 2116). E, em relação às magias e feitiçarias, a Mãe Católica engloba aí, inclusive, o uso de amuletos.
Já nos alertando sobre o que incorre contra a virtude da religião, logicamente, a Igreja se põe contrária ao ateísmo (travestido em diversas facetas, algumas até discretas em nossa sociedade como o laicismo, que não respeita religião alguma, tampouco os valores dimanados da fé) e o agnosticismo, que, muito embora não negando Deus de maneira direta, nega a possibilidade de conhecê-Lo pela fé, ou mesmo a impossibilidade de o Ser Divino vir até nós para revelar-Se, deixando-Se amar e conhecer. A esta última tendência afeiçoa-se, por exemplo, a Maçonaria.
A consciência dos Dez Mandamentos far-nos-á viver melhor a nossa fé no Único e Verdadeiro Deus; crendo Nele, amá-Lo-emos mais perfeitamente, aproximando-nos de Sua Perfeição; e pela fé e amor nutridos em nós, também esperaremos em Suas promessas de felicidade eterna junto Dele, porque Ele é fiel (cf. 1Ts 5,24).