- 04/02/2019 - 17:51

O vazio da alma

A cada dia que passa, mais ouvimos falar sobre problemas de depressão, sobre os mais variados tipos de síndromes, e nem precisaríamos ouvir a respeito disso nas reportagens especificas feitas sobre o assunto, pois, na verdade, todos nós conhecemos alguém que já passou ou está passando por esse tipo de problema. Isso é tratado como um mal dos dias de hoje.

Muitas pessoas que se aproximam de mim, ao saberem que sou psicanalista, começam a falar sobre algum tipo de desconforto que enfrentam na vida, e o interessante é que gostariam que eu lhes desse uma solução do tipo “analgésico psicanalítico”, não entendendo que a área da psique é muito mais complexa do que se possa imaginar e que, para haver um resultado satisfatório, é necessária uma análise sempre muito responsável e abalizada para se produzir a resposta esperada. Ao nos aprofundarmos um pouco mais sobre esse assunto, descobrimos que isso sempre existiu, ou seja, pessoas com problemas emocionais. Mas, há algo que é indiscutível: o crescimento desse tipo de doença nos nossos dias. E é inevitável perguntarmos: por quê?

Acredito que temos produzido um estilo de vida que tem vantagens extraordinárias, como, por exemplo: as nossas opções de entretenimento, as ferramentas modernas de comunicação, o que facilita demais nossa vida. Dê uma olhada nos celulares, nos computadores, nos carros, nas casas inteligentes e em outros. Sabe, não dá para criticar essas coisas, ou até mesmo reclamar delas, mas o que espanta é o relacionamento que as pessoas estão tendo com as mesmas. E esses foram apenas alguns exemplos. Existem muito mais coisas que representam essa história de realização do homem moderno: no campo educacional, a necessidade de ir sempre mais longe, no que diz respeito a diplomas e mais diplomas; na cultura do corpo existem aqueles que perdem o limite e acabam vivendo mais dentro de academias do que na própria casa; há, também, os adeptos das cirurgias plásticas que, se não fosse a ética medica, já teriam cometido absurdos; e por aí vai. Essas coisas (e o que elas representam) é o que tem dirigido a vida de muita gente nos dias de hoje. Porém, quando isso não é alcançado, muitas pessoas que haviam depositado toda sua expectativa de felicidade e realização nelas, ficam tão frustradas que não conseguem segurar os tsunamis causados por essa frustração.

Eu creio que o apóstolo São Paulo nos deixou uma receita importantíssima para esse assunto. Ele diz assim: “…aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” Entenda: São Paulo não está dizendo que devemos ser pessoas conformadas com o que temos, para não corrermos o risco da frustração. O que ele está falando é sobre a importância de sabermos nos alegrar com o que temos, até porque, é a partir daí que teremos a preparação para podermos viver com coisas maiores. E mais importante ainda nessa receita, é quando ele diz que pode todas as coisas n’Aquele que o fortalece, ou seja, em Jesus, pois ele sabia viver tendo muito, sem que esse muito o prejudicasse, mas também sabia viver na escassez, porque em Jesus ele podia todas as coisas.

Que Jesus nos abençoe para sabermos viver de tal forma que a nossa saúde emocional, tal como nosso espírito e nosso corpo não sejam afetados pela ausência de coisas.

Um forte abraço e até a próxima se Deus disser que sim.