- 04/09/2017 - 16:39

As Rosas Sonoras da minha aldeia

Elas estão por toda parte. São guerreiras que emitem sons populares, eruditos, estrangeiros, inéditos. Cada uma delas possui um timbre peculiar, como quem emana um bálsamo para as almas aptas a ouvi-las, porque todos podem escutá-las – só os raros podem entende-las! Viver de arte é missão para os fortes. Elas são! Algumas possuem tarefas paralelas, embora seu amor maior esteja na música. No canto de Bárbara Sandes, se pode ouvir o timbre das margens sergipanas, em sol causticante onde as mulheres resistem as altas temperaturas. O som nasce de dentro. Na sonoridade de Cissy Freitas,  a densa névoa dos sentidos da alma povoam seu calendário de noites, abrigando apaixonados e solitários, desta irmã que aprendeu a defender seu pão sem tirar dos que sentem fome. Com olhos de lince, Dana Estavo oferece um banquete de notas decoradas de flores combinadas e serenas. Ela canta como quem prepara uma linda ceia. E o que dizer do timbre de Fernanda de Aquino… uma estrela pronta para qualquer palco! Sabe o que canta e o que quer. Em silêncio, observa e, em silêncio sobe. Mas, quando canta, como canta esta mulher! Nesta trilha sonora, Gilza Barros traz outras amigas consigo. A sua voz representa uma geração que marcou época. Sempre emocionada, ela canta para ser feliz e doar felicidade. Ela é generosa e simples, sem perder a elegância. O canto lhe realiza, onde ela, vitoriosa, persiste. A Bahia nos deu ela, aquarela de sorrisos e de luz! Mulher, mãe, a que canta com lucidez e beleza, talento e nobreza. Ela é Ivana Dantas, mas podem chamá-la de maravilhosa! Até que um dia Deus trouxe para minha vida, uma linda menina que se chama Karla Isabella! No meio das lutas, vi uma guerreira, feito eu, a defender sua dignidade em meio a tantas injustiças. No campo de guerra, unimos nossas mãos, e o amor mútuo nasceu. O seu canto faz notas no seu sorriso, no seu olhar e no jeito amável de cantar para distribuir felicidade aos que mais precisam. Mas, não dá para citar sorriso, sem citar este nome – Lene Hall. Mesmo que cante a dor dos apaixonados, o seu sorriso surge junto com as notas musicais, alinhado ao seu olhar de menina-mulher, encantadora, amorosa, amiga dos seus fãs. O Pará nos devolveu aquilo que também é nosso e, em homenagem a este gesto, adoramos açaí e Lene. Mas, amamos também a nossa Maysa! Se a música brasileira teve a sua, os sergipanos também têm uma, só nossa. Ela conquistou a massa, embora também tenha talento para interpretar peças primorosas da nossa música. Quando ela canta, canta, levando no ventre uma vida que fará dela uma mulher cada vez mais virtuosa. Ela é Maysa nossa! E sendo nossa, citar Núbia Faro é reverenciar as grandes cantoras da história musical das casas noturnas deste Estado. O que ela canta? Ela canta tudo. Alguns só cantam isto ou aquilo, mas nem todos podem cantar quase tudo. E Núbia tem faro para isto. Por isso, é digna do seu canto. E quando se trata de cantar, Paty Fonseca tem o dom das intérpretes especiais. O bom gosto a conduz, a paixão pelo que faz, a leveza da sua luz. Minha doce menina, de Samuca, de todos nós! E, em se tratando de beleza no canto, Raquel Delmondes pontua como uma intérprete que traz singeleza, leveza, como águas serenas a dançar sobre um rio. O seu canto é de raça, onde sua elegância desfila, como o verso que chega ou o amor que partiu. Já o canto de Soayan traz uma caixa de sonoridades advindas de várias partes do mundo, e que vieram repousar na sua voz mineira, brasileira, sergipana também. Ela entende o que canta, mas nem todos conseguirão absorver a profundidade do seu além. E, neste desfile de vozes, eu tenho uma irmã amada, que se chama Suzana Walois. Ela tinha uma casa que se chamava Cantuá. Lá, todos se juntavam, e a gente cantava, e ela emanava um som suave por toda noite, onde ninguém cansava, e todo mundo ficava, só para lhe escutar. Sobrenome de nobreza, nome de flor e beleza, Suzana, a Walois. E, neste encontro musical que marcou cada uma de nós, a menina de Aracaju, Virginia Fontes, trouxe de sua fonte o som da sua diversidade. Ela canta o regional, sem deixar de cantar o pop, o rock, qualquer boa canção de verdade. Ela é sorriso, embora haja uma lágrima escondida na sua maquiagem. Porque toda cantante sorri e chora, mas ama cantar para quem ama a música, em toda sua intensidade. Na minha aldeia há tantas outras cantantes, joésias, patrícias, anas, cidas, cristinas, e nomes que ainda não sabemos. Mas, no dia em que nos unimos para cantar – estas que destaco, 24 de agosto de 2017, cantamos por nós e por elas, coincidentemente o dia consagrado ao artista. Somos todas servas da música, da arte. Porque ser artista é um dom de Deus! Sigamos, portanto, a cantar, para nós, para eles, para os meus e para os seus…cantando o amor mais lindo, sublimando em amor, até que nosso canto crie asas, voe mais alto, e vá subindo, subindo, subindo…