- 15/01/2018 - 17:44

Seja Bendito o Nome do Senhor

Nunca se falou tanto no nome de Deus como ultimamente. Quando nos inserimos nos meios de comunicação, enveredando no mundo virtual da internet, por exemplo, muitas são as mensagens que nos levam à reflexão, tocando a nossa alma de leitores, de interlocutores. O nome do Senhor como um perfume (cf. Ct 1,3) preenche alma de quem, reverentemente, o pronuncia ou o escuta. O Segundo Mandamento do Decálogo, que diz que não se deve pronunciar o nome de Deus em vão (cf. Ex 20,7; Dt 5,11), é bastante taxativo. Infelizmente, parece esquecido por muitos que “exploram-no”, bem como a fé simples do Seu povo para um benefício pessoal ilícito, talvez fazendo do que, eminentemente, é Santo um bem comercial.
No Antigo Testamento, Deus se revela sob diversos nomes e predicados, nos quais se refletem Seus atributos e funções, demonstrando, inclusive, a Sua predileção por Israel, o Povo eleito. No episódio da epifania no Sinai a Moisés, quando da eleição deste para libertar os israelitas do jugo da escravidão egípcia, Deus, ao ser interrogado acerca de Sua identidade para dizê-la ao povo hebreu, respondeu ao Seu escolhido: “Eu Sou Aquele que Sou” (Ex 3,14). Transliterado e sinteticamente, o termo equivale a “Iahweh”, que, graças ao hebraico antigo, pela inexistência de vogais, ficou, naturalmente, impronunciável, de maneira que, até na religião e tradição judaicas, tornou-se inefável. Tal afirmativa que o Onipotente faz acerca de Si possui uma carga grandiosa de sentido. O monge beneditino Dom Cirilo Folch Gomes faz a seguinte reflexão: “Temos pois a resposta a uma pergunta. Moisés pede um nome, Deus lho indica e, em seguida, faz dois usos do nome em situação de sujeito da frase. O nome é ‘sou’ (não: ‘sou o que sou’, pois as primeiras palavras aqui equivalem a ‘meu nome é’). Então, Deus é alguém que pode dizer, sem mais, ‘sou’; e ‘Jahvé’, na segunda resposta, significa o mesmo sob a forma gramatical da terceira pessoa: ‘Aquele que é’” (In: Riquezas da Mensagem Cristã, Ed. Lumen Christi, 2. Ed. p. 108).
No decorrer da Sagrada Escritura, esta alcunha de Deus sobre si, revelando-Se, não foi esquecida sequer pelo Novo Testamento. No Evangelho de João, em especial, há uma recorrência de Jesus que contém, claramente, esta ‘Teologia do Nome’. Por sete vezes, o Senhor diz de Si “Eu Sou…” (cf. Jo 6,35.51; 8,12.9,5; 10,7.9; 10,11.14; 11,25-26; 14,6-7; 15,1.5), explanando a Sua divindade, escandalizando os incrédulos judeus, de sobremaneira a odiarem-No.
O Catecismo da Igreja Católica, ao instruir-nos acerca do Segundo Mandamento da Lei de Deus, afirma: “A deferência para com o seu nome exprime a que é devida ao mistério do próprio Deus e a toda a realidade sagrada que ele evoca. O sentido do sagrado deriva da virtude da religião […] O fiel deve dar testemunho do nome do Senhor, confessando a sua fé sem ceder ao medo” (nn. 2144-2145). E, ao tempo em que ensina, a ‘Mestra Católica’ igualmente adverte os cristãos: “O segundo mandamento proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo o uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos” (n. 2146). E esta proibição em relação ao abuso do nome do Altíssimo diz respeito à infidelidade às promessas, às blasfêmias (incluindo as odiosas atitudes contra a Igreja de Cristo, os santos e as coisas sagradas; ou mesmo em reprovação aos que provocam crimes e usam do nome santíssimo de Deus para desonestidades), às pragas em que se valem do nome do Senhor, o uso mágico do nome divino, o juramento falso sob o testemunho de Deus e o perjúrio.
“O nome do Senhor é uma torre: para lá corre o justo a fim de procurar segurança” (Pr 18,10). Contando com o auxílio da fortaleza do divino nome, com certeza seremos afastados dos erros e das desgraças; acharemos refúgio contra as investidas do demônio. No nosso próximo artigo, ainda no contexto do Segundo Mandamento, trataremos da importância do nome cristão, recebido por nós no Santo Batismo.
Até lá!