- 08/08/2017 - 14:40

Sim, não, talvez!

Em tempos de busca pela moralidade pública, especialmente no exercício da representatividade política, a história de cada um tem sido escrita entre três palavras que tiveram peso na última semana, no dia em que se decidia o destino jurídico do presidente Michel Temer. Em cada resposta dada, havia embutido, um estudo profundo sobre interesses pessoais ou coletivos. Alguns votaram em projetos, outros na estabilidade do país, e alguns, na permanência das suas convicções ideológicas. Em meio a esta guerra de interesses de poder, onde todos afirmam estar lutando pelo bem comum, há algo muito mais complexo do que a visão de 90º da sua visão, ao invés dos 360º do seu entorno – o futuro do Brasil.
Diante de alguns ladrões oficializados, uma lição deve-se ter aprendido – que recursos acabam e que, se não houver planejamento e estudo sobre a destinação deles, uma nação pode afundar numa crise sem precedentes. Na última quarta, 2, quando um presidente é colocado nas mãos de 513 deputados, se ele deve ser, ou não, retirado das suas funções, por conta de uma denúncia muito bem articulada, sendo real ou não, mesmo que venha ser julgado e condenado, de uma coisa a nação, inerte, parece ter observado, já que sua indignação não a leva às ruas como antes – que o problema deste país não está na existência de denúncias em torno do presidente, mas numa gigantesca condição cultural que afundou o Brasil por, pelo menos, mais 20 anos, podendo não se estender, se passarem a fazer o dever de casa com ética e transparência, não roubando mais e nem deixando ninguém roubar. Neste ponto do julgamento, as medidas entre Dilma e Temer não foram iguais. O contrapeso beneficiou o último da chapa. Isto, é fato.
Mas, no cenário desta semana, o que mais chamou a atenção não foram os discursos de nenhum deles, tampouco a espetacularização de alguns, mas sim, o voto pelo sim, pelo não e, no caso dos ausentes, talvez sim, talvez não. A data de 02 de agosto de 2017 permitiu que cada brasileiro, caso possua este discernimento, analisasse por que Fulano votou sim, se poderia ter dito não, e qual a razão daquele que disse não, quando tinha tudo para dizer sim, o fez, causando surpresa. Em cenários como este, há algo que conta – a matemática antecipada. Se calcula bem que será, o bom ou mal senso, o que irá prevalecer, qualquer voto extremo, soa indiferente, sem minerva ou xeque mate, dando crédito ao próprio votante perante o eleitorado, como afirmação de unidade com a opinião pública. Mas, cabe aqui outra reflexão – qual povo se refere? O funcionalismo público, que tem se sentido prejudicado; os dependentes do bolsa família, que elege a maioria; ou os mais esclarecidos, que são filiados em organizações civis ou possuem formação educacional que os capacitam a um raciocínio mais científico; citando apenas esta tríade significativa?
O fato é que, mesmo o presidente Michel Temer permanecendo no poder, não desagrava a crise que estamos enfrentando. O que se decidiu não foi pelo fortalecimento “temista”, mas um cuidado com um “paciente” chamado Brasil, já ferido, na UTI, por identificação de um câncer na administração pública, por falta de ética e respeito ao erário público. O voto, pelo sim ou pelo não, foi pela decisão de manter este paciente respirando por aparelhos, ou retirá-lo das mãos de uns médicos para colocar sob os cuidados de outros. Isso não iria alterar em nada a gravidade da saúde deste paciente. O que cabe agora é dar a ele a medicação certa, respeitando as regras. Afinal, o povo brasileiro terá o direito legal de decidir, daqui a 14 meses, quem passará a cuidar deste sofrido país – onde roubam seu sangue descaradamente, mesmo sabendo que está anêmico. Neste desfecho, a única certeza que temos é sobre o destino dos mornos – que não sabem se disseram sim mesmo querendo dizer não, ou disseram não pensando que o certo seria o sim. Não deixam de ser mornos. E estes, nem Deus os suporta.