- 25/07/2017 - 15:37

Um amigo desgovernado

Que se chama Brasil. Brasil de peitos grandes e muito leite derramado no chão. Meu amigo Brasil é generoso demais, submisso, explorado, a repetir as mesmas cenas dos seus ancestrais. Um perfume para lhe agradar, um presente para lhe calar, um vinho para lhe distrair. Este amigo não sabe se defender daquele que deveria lhe proteger.

Na sala principal onde Brasil planeja seu futuro, não há funcionária que consiga pôr as coisas no lugar. Há sempre um copo quebrado, uma pia entupida, uma cadeira arrancada. Atualmente, os que andam por ele estão disputando quem conseguirá sentar na cadeira da ponta – não para pagar a conta, mas para mandar. Há um prazer em dominar o Brasil, este meu amigo varonil, cheio de lindas histórias, sem contar as feias. Brasil anda triste. Os moradores da sua aldeia já não sabem como produzir, por onde ir, o que fazer. Os conselheiros não sabem aconselhar, e os poderes não se entendem. No meio disso, as crianças dependentes desta harmonia entre os poderes, pagam a conta com desemprego, violência, doença e até morte. Dizem que uma praga entrou na casa do Brasil, permaneceu por séculos e, somente agora descobriram-no nu e com a mão no bolso. Como pode! Há bolso para quem anda nu?! No Brasil, sim. Mas, se toda nudez será castigada, com meu amigo Brasil é diferente – basta apontar para o parceiro que colocou a mão no bolso e o denunciante será perdoado pelo “bem que fez ao Brasil! ”. Se há incoerência nesta delação, melhor, declaração (verdadeira ou não), não questione as leis que imperam na casa Brasil. Aqui, há muitas leis para poucas decisões sensatas. Só sei que meu amigo Brasil anda sofrendo, em colapso, desesperado – os falantes da casa aproveitam a polvorosa para incendiar a fogueira. Os que ouvem, acreditam, e os que não, dizem que são a solução. Mas, tanto aqueles quanto estes já cuidaram de Brasil, e só fizeram fragilizar suas riquezas e seu desenvolvimento. Pobre amigo Brasil de tantos piratas e vampiros, a mudar de personagens, mas não de comportamentos. O que dizer daqueles que, mesmo vivendo dentro da casa Brasil, não tem direito a uma casa digna, salas limpas, alimentação de qualidade, saúde também. Na casa Brasil, este meu amigo, quem não tem direito, é quem mais usufrui dele. Dizem que Brasil, meu amigo, é generoso demais e, seu povo, inerte. Quando se decepcionam, silenciam – reflexo da desconfiança em todos aqueles que gritam – traremos comida, água e riquezas! Eles trazem – para dividir com os seus comparsas e aliados. Meu amigo Brasil está precisando de uma trégua e não se sabe até quando este conflito continuará. Acho que Brasil está precisando se renovar num SPA. E só chegar e tudo será resolvido em uma semana – ganhará oxigênio para suportar tudo isso, quem sabe, por mais uma. Porque cada semana é um episódio na casa Brasil. E ela, uma amante chamada corrupção tem sido a causa de toda desgraça sobre meu amigo, ainda menino, com apenas meio século de vida, tão longe do velho mundo, mas necessitando amadurecer para se tornar um homem de verdade.  Enquanto isso não acontece, seus moradores ficam esperando…”esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem”…