- 18/12/2017 - 16:02

Um dezembro cheio de história



Dois lançamentos, nesta primeira quinzena de dezembro, chamam a atenção para a História e a Memória de Sergipe. O consagrado historiador Ibarê Dantas, no dia do seu aniversário de 78 anos, 06 de dezembro, lançou “Leandro Maynard Maciel na política do século XX”; a acadêmica Ana Maria Medina, no último dia 13, lançou “Crônicas da passagem do século”, de Edilberto Campos, por ela organizadas em nova edição que reuniu os sete volumes originais em um só.
Dezembro chegou, pois, cheio de História. Um desafio para quem se colocar diante das mais de 400 páginas de Ibarê Dantas e as mais de 800 páginas da obra organizada por Ana Medina. Uma boa leitura é a promessa para o leitor que se dispuser ao desafio. Dantas é conhecido pela obra que construiu ao longo de quarenta anos, dissecando a nossa história política republicana, principalmente pelo estudo do Coronelismo, dos movimentos tenentistas e do comportamento da política local durante a vigência do Estado Autoritário no Brasil, instaurado com o golpe militar de 1964. Porém, tornou-se obrigatória também a leitura do seu “Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel (1825-1909) O patriarca do Serra Negra e a política oitocentista em Sergipe”, que o levou ao estudo da política sergipana no Império, cobrindo uma lacuna nos nossos estudos históricos.
Agora, a biografia de Leandro Maciel, ícone da cena política sergipana no século XX, reúne toda a experiência acumulada pelo historiador e vem para procurar responder a indagações que ele se colocara nos estudos precedentes. A opção de estudar “o homem no mundo”, como ele mesmo declara na Introdução, permite um olhar que não se restringe nem se encerra no biografado, levando em conta que sua atuação atravessa vários períodos da política local, de 1926 a, pelo menos, 1974. É meio século da história política de Sergipe, encarada com o cuidado e a responsabilidade de sempre, por um historiador sobejamente reconhecido pela grande contribuição que presta ao conhecimento do nosso Estado, desvendando os caminhos da vida política que tem demarcado a posição de Sergipe no cenário da Federação Brasileira.
As “Crônicas da Passagem do Século” deixam os sete livrinhos simples da edição original, para figurar na robusta e bem cuidada edição organizada pela Acadêmica Ana Maria Medina, com a contribuição de toda a equipe que com ela trabalhou. Sergipe tem memorialistas de peso, como os irmãos Amado (Gilberto e Genolino). Edilberto Campos, com o peso da sua experiência, cosmopolita e sergipana, oferece ao leitor uma bela oportunidade de percorrer diferentes aspectos da sua vivência. Ela está registrada desde os inícios do século XX, naquela fase de uma transição capital, quando reverberavam em Sergipe as transformações provocadas pela mudança de regime político e pela adoção do trabalho livre, chegando até os anos 1950. Ali estão, em linguagem simples, mas atraente, abordagens que revelam um olhar sensível, minucioso, expressando grande capacidade de observação e de amor pelo que o cerca. Além disso, está presente a vida singular de quem acompanhou de perto fatos marcantes da história republicana, como filho e secretário que foi, do Presidente Guilherme Campos, deposto pela Revolta Fausto Cardoso e sobrinho do Senador Olímpio Campos.
É esta preciosidade que Ana Medina torna acessível, confirmando a sua vocação para resgatar importantes expressões da memória, da história e da literatura sergipanas. A Acadêmica já enfocou o poeta Hermes Fontes, o cronista e memorialista Mário Cabral, organizou as “Efemérides Sergipanas” de Epifânio Dória e, com a mesma maestria, lançou-se à organização da obra de Edilberto Campos, ampliando este lado do seu trabalho intelectual, que se completa com obras referenciais como “Ponte do Imperador” e “Trilhando Memórias”.
Este mês de dezembro, já estamos premiados. Temos material para degustar, com prazer, nos primeiros dias do próximo ano. É hora de desejar aos leitores, junto aos votos de Feliz Natal e Feliz Ano Novo, boas leituras, com mais e sempre melhores oportunidades de conhecimento da nossa história e da nossa cultura.