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Semarh vistoria projetos do “Fundo Clima” em assentamentos

 

Dando continuidade às ações em alusão ao Dia da Caatinga, que será comemorado no dia 28, o secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Olivier Chagas, fez uma visita técnica aos assentamentos Nossa Senhora do Carmo, em Porto da Folha, e Cajueiro, em Poço Redondo, no Alto Sertão, para acompanhar o andamento da implantação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que visa a recuperação e conservação do semiárido sergipano, com práticas de reflorestamento e manejo adequado para com o solo.

E Sergipe tem o que comemorar. Recentemente, o MMA ampliou o projeto e já está fazendo a implantação de 10 Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urads) nos sete municípios do Sertão e em cada comunidade serão investidos R$ 520 mil.

O Fundo Clima começou em Sergipe há cinco meses, com a implantação de duas unidades pilotos de referência demonstrativas nas comunidades Nossa Senhora do Carmo e Cajueiro, utilizando-se de técnicas (recuperação de áreas degradadas, sistemas agroflorestais e eficiência energética) de combate aos efeitos da desertificação, recuperando áreas castigadas em seu entorno, a exemplo de matas ciliares, além de construir viveiros para produção de mudas frutíferas (manga, umbu, tamarindo), árvores nativas (Sabiá) e hortaliças (coentro, alface).

Uma técnica muito utilizada nos assentamentos é a contenção de erosão do solo, com a plantação de macambiras e barramento por meio de pedras, para evitar que a chuva carregue a areia e sua matéria orgânica, valiosas para manter a terra fértil.

No assentamento Nossa Senhora do Carmo, por exemplo, 12 famílias estão sendo beneficiadas com o projeto, que abrange cerca de 900 hectares. Lá, reside a lavradora Carla Fernandes dos Santos, de 32 anos, mãe de três filhos e presidente da Associação de Moradores. Para ela, o projeto é animador. “É bom, ajuda a reflorestar a margem do rio e a recuperar a caatinga. Para nós, moradores, é maravilhoso, e para o solo uma graça de Deus, porque estava tudo degradado e estamos recuperando aos poucos”.

Não muito longe dali, em outro loteamento, mora Mariza dos Santos, 37, mãe de cinco filhos. Ela conta que o Fundo Clima está valendo a pena. “O solo aqui estava sem vida, com a ajuda do governo, fizemos o replantio de fruteiras, de plantas nativas, como a macambira, e isso ajuda o solo e nos ajuda na sobrevivência diária. Voltamos a plantar milho, feijão, quiabo, sem degradar. Os técnicos nos ajudam a mexer melhor na terra e a plantar, para que o solo não fique exposto”.

Para Olivier, o projeto, além de combater a desertificação, ajuda os moradores a sobreviverem da terra sem degradá-la. “Hoje estamos fazendo uma visita de campo em dois projetos pilotos do programa Fundo Clima e que são voltados para a região do semiárido sergipano, visando dar orientação técnica ao homem do campo, como fazer os devidos manuseios, a preservação e recuperação da caatinga e também pensando na questão socioeconômica, que é fundamental. Não adianta a gente querer impor às pessoas que elas tenham uma consciência ambiental sem que a gente dê condições para que elas se adequem e tenham uma condição de desenvolvimento sustentável, sem agredir a caatinga. Esse é o grande foco”.

Dentro dessa mesma diretriz aplica-se o plano de manejo florestal da área da caatinga, bioma típico do Sertão, para evitar o desmatamento. Além disso, a comunidade é quem escolhe se quer fazer uma produção de alimentos com as técnicas da agroecologia ou agroflorestal, isto é, fomentando as potencialidades agroeconômicas local.

O engenheiro Agrônomo Hugo Barros, da Associação Plantas do Nordeste (APN), que está diuturnamente ao lado da comunidade para orientar no que for preciso, disse que o projeto está apresentando bons resultados. “A gente iniciou a implementação de algumas áreas para combater a erosão, fizemos viveiros de mudas frutíferas e plantas nativas, sistemas agroflorestais e com a ajuda das Urads vamos ampliar para outros lotes. As próximas etapas são os fogões agroecológicos e o biodigestor”.

Assentamento Cajueiro

No assentamento Cajueiro, em Poço Redondo, vivem 112 famílias. Lá, além das técnicas de contenção de solo e reflorestamento por meio de palma forrageira, já há o esboço da implantação do biodigestor, uma engenhoca que fabrica gás a partir das fezes de vaca.

A tecnologia tem baixo custo de instalação, em substituição do gás butano pelo biogás, se reduz a emissão de gás metano e carbônico na atmosfera, além de produzir adubo orgânico e biofertilizante. O biodigestor consiste em uma caixa de carga, onde se coloca o esterco misturado à água, que passa pela fermentação e sofre a digestão anaeróbica pelas bactérias resultando na produção do biogás (basicamente metano – CH4). O resultado final dessa fermentação também pode ser utilizado como fertilizante ao ser jogado diretamente no solo.

Quem ganhou um biodigestor no quintal de casa foi dona Edvânia Roberta dos Santos, de 37 anos e mãe de seis filhos. Ela ainda não viu o aparelho funcionar, já que ainda está em fase de instalação, mas já vislumbra dias melhores. “Nosso gás é à lenha e, quando estiver em funcionamento, não vou precisar caçar madeira na mata. Isso ajuda o meio ambiente. É uma boa ideia”.

Fundo Clima

O Fundo Clima é um instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), instituída pela Lei n° 12.187/2009. Ele tem por finalidade financiar projetos, estudos e empreendimentos que visem à mitigação (ou seja, à redução dos impactos) da mudança do clima e à adaptação a seus efeitos.