Diogo Nogueira é a atração desta sexta-feira no Oceanário

 

O cantor e compositor Diogo Nogueira comanda nesta sexta-feira (28) uma roda de samba especial em comemoração aos 15 anos do Projeto Tamar Aracaju. O show acontece a partir das 20h, no Oceanário, na Orla de Aracaju. A inspiração da noite será a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), espécie mais abundante nas praias de Sergipe, que curiosamente samba ao desovar.

Com o patrocínio da Petrobras, nos últimos 35 anos, o Tamar já protegeu em Sergipe mais de 93 mil ninhos de tartarugas marinhas das quatro espécies que se reproduzem no estado, 84% destes de tartaruga-oliva. O momento é especial também pelo início das comemorações dos 35 anos da parceria com a Petrobras. Com o patrocínio contínuo da empresa desde 1982, e conquistas como uma nova geração de fêmeas a desovar nas praias brasileiras e o aguardado “Filhote 35 Milhões” no final do ano.

Diogo Nogueira se apresenta pela primeira vez no Tamar e promete uma noite de alegria e muito samba para homenagear as Olivas. Com uma carreira premiada e uma vasta discografia, o artista emociona plateias dentro e fora do Brasil. Além de fazer shows, o cantor segue apresentando o programa Samba na Gamboa da TV Brasil, todas as terças-feiras.

Número de desovas

Dados recentes da temporada de reprodução 2016-2017, que terminou em março, mostram um aumento em relação à temporada anterior de 31% no número de desovas de tartaruga-oliva no Brasil. “Desde 1982, o TAMAR protegeu em Sergipe mais de 93 mil ninhos de tartarugas marinhas, o que representa hoje aproximadamente 35% do total de desovas protegidas pelo Projeto nas principais áreas de reprodução no país”, conta o analista ambiental do Centro Tamar/ICMBio, César Coelho.

Mesmo com resultados positivos, os registros de pescaria de arrasto na região preocupam e mobilizam os pesquisadores. Em Sergipe, Alagoas e norte da Bahia, onde estão as principais praias de reprodução da tartaruga-oliva no país, o arrasto do camarão é a pescaria que mais interage com indivíduos adultos desta espécie, pois ambos utilizam a mesma área. A captura incidental de tartarugas nessa fase de vida de grande importância biológica, pois levam até quase 30 anos para atingir a maturidade sexual, é uma das mais graves ameaças à sobrevivência da população dessa espécie no Brasil.

Samba das Olivas

Noites escuras, permeadas por ventos fortes e marés cheias, podem esconder um dos comportamentos mais enigmáticos dentre as espécies de tartarugas marinhas, a desova da tartaruga-oliva, pois ela sabe dançar. A tartaruga-oliva deposita cerca de 100 ovos a cada postura e completa a desova com muita rapidez. Depois ela dança (como um sambinha num pandeiro) para cobrir o ninho. Sendo uma das menores e mais leves tartarugas marinhas do mundo (média de 42 kg de peso e 72 cm de comprimento de casco), na hora de fechar o ninho bate as laterais da carapaça, uma de cada vez, para garantir a compactação da areia e a proteção dos ovos. E assim que o samba acaba, volta logo, com pressa, para o mar. As outras espécies, que são maiores e mais pesadas, não precisam desse recurso, pois o próprio peso sobre o ninho já garante a compactação da areia.

“Vemos esse espetáculo quando monitoramos as praias à noite e temos o privilégio de acompanhar as desovas de tartaruga-oliva”, diz Coelho. “O samba das Olivas é uma estratégia reprodutiva dessa espécie para proteger o ninho. A curiosidade despertou a escolha do estilo musical para as comemorações no final de abril, que também contarão com informações sobre a conservação das tartarugas marinhas em Sergipe e no Brasil”, completa.

Tamar Aracaju

Mais de 1,7 milhão de pessoas já visitaram o Tamar nos 15 anos de existência do Oceanário de Aracaju. Inaugurado em junho de 2002, ele recebe aproximadamente 160 mil visitantes por ano em uma área construída de 1.700 m², na forma de uma tartaruga marinha com cobertura em eucalipto e piaçava. É um dos atrativos turísticos da capital, destacando-se na moderna e revitalizada Orla de Atalaia, entre espelhos d’água com pontes, calçadão, ciclovia e espaço para exposições, apresentações culturais e esportes aquáticos.

Atividades de sensibilização e educação ambiental, como visitas orientadas, palestras e exposições, favorecem a sensibilização de moradores e visitantes para a conservação do ecossistema marinho e das riquezas do rio São Francisco. Palestras, mostras de vídeo e aulas junto aos aquários, permitem aprender sobre o ecossistema do litoral sergipano e conhecer diversas espécies de animais marinhos.

O Projeto Tamar começou nos anos 80 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, hoje o projeto é a soma de esforços entre a Fundação Pró-Tamar e o Centro Tamar/ICMBio. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

*Com informações da Ascom Tamar