A triste evasão escolar nas escolas públicas

Segundo dados levantados junto a Federação das Escolas Particulares do Estado de Sergipe (Fenen-Se), sete em cada dez pais apoiaram o retorno dos filhos à sala de aula. Diante da necessidade de manter o distanciamento social e outras medidas sanitárias de prevenção à Covid-19, essas instituições escolares oferecem a modalidade do ensino híbrido, na qual os pais podem optar se os alunos terão aula no local ou remotamente.

Nesse aspecto já podemos destacar algumas discrepâncias com relação aos alunos pertencentes à rede pública de ensino. Além dos problemas para acessar a internet, muitos estudantes enfrentam falta de apoio familiar e dificuldade de estudar sozinhos. Essa mudança de modelo do ensino presencial para o online devido a pandemia escancarou a abissal desigualdade tecnológica entre alunos das redes pública e privada. O futuro com mais possibilidades para esses alunos carentes acaba ceifado por conta dessas antinomias.

Ademais, a crise econômica afeta diretamente as famílias necessitadas. Como um aluno de rede pública, por exemplo, pode se concentrar nos estudos quando se ouve os pais tentando pensar em uma maneira de pagar as contas? Mesmo com o avanço das vacinas, ainda existe uma pandemia de evasão escolar muito grande no cenário das escolas públicas sergipanas. Em contexto nacional, segundo relatório veiculado pelo Enfrentamento da Cultura do Fracasso Escolar (Unicef), o Brasil regrediu 20 anos nas taxas de abandono e de evasão escolar.

Para termos uma ideia, aproximadamente 4,1 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos tiveram dificuldade de acesso ao ensino remoto em 2020. Cerca de 1,3 milhão abandonou a escola. Os dados usados no relatório são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). São mais de 5,1 milhões que tiveram seu direito à educação negado, crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, fase de alfabetização e outras aprendizagens para concluir as demais etapas escolares. Esses ciclos quando interrompidos causam reprovações e nefasto abandono escolar.

É urgente reabrir as escolas da rede pública que ainda se encontram fechadas e mantê-las abertas com segurança, seguindo devidamente os protocolos sanitários. Devemos agir agora para reverter essa terrível exclusão, indo atrás de cada criança e adolescente que está com seu direito à educação sendo rejeitado. Campanhas de informação comunitária, bem como o fortalecimento do sistema de garantia de direitos para afiançar as condições necessárias às crianças e aos adolescentes para que permaneçam na escola, ou retornem a ela são medidas imprescindíveis.

Os alunos da rede pública devem ter os mesmos direitos às aulas presenciais fornecidos aos alunos da rede privada de ensino. A gestão pública tem que dar prioridade ao ensino público, pois seja em escola estadual ou municipal as perdas acabam sendo imensuráveis. Essa disparidade se transforma num atraso tanto no ensino quanto no desenvolvimento do país, em que toda a sociedade sai perdendo.

Conclui-se que os prefeitos dos municípios sergipanos que ainda estão com suas escolas públicas fechadas, estabeleçam diálogos frutíferos com o Poder Público para que adotem as medidas cabíveis nesse vital quesito. Nossas crianças e adolescentes precisam ter os seus direitos educacionais reestabelecidos a partir de ensino inclusivo e participativo, caso contrário teremos uma legião de futuros cidadãos à mercê de uma competição desigual. Chega dessa triste redundância não é mesmo caros leitores?

Afinal, quem é educado, pensa e faz o Brasil avançar.

Autor

Igor Salmeron

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