- 13/02/2020 - 08:00

Areia Branca terá uma das eleições mais disputadas de sua história



Anderson Christian

christianjor@gmail.com

Eleições interioranas são sempre um misto de disputa e festa. Não tem jeito: por mais que os regramentos eleitorais tentem impedir que a campanha nas eleições nas cidades ganhem essa característica, é impossível impedir a empolgação natural das pessoas, o envolvimento em nível de torcida mesmo, pois a eleição municipal acaba virando um acontecimento de monta, que mobiliza toda a sociedade e ponto. E é assim sob quaisquer que sejam as circunstâncias eleitorais de cada ano. Mas, quando há uma disputa de fato, com mais de uma candidatura tendo chances reais de vitória, aí é que a intensidade da participação popular no pleito aumenta. E é isso o que certamente correrá na cidade de Areia Branca, localizada no agreste sergipano, que neste 2020 promete ter uma das disputas mais acirradas da sua história política recente. Primeiro vamos a um pouco de história e de contextualização. Depois das administrações de Zé da Serraria e de Sousa, entre 2000 e 2008, a bipolarização política do município foi quebrada com a ascensão do ex-vereador Agripino, que montou o seu grupo e, após uma derrota nas eleições de 2004, sagrou-se prefeito de todos os areia-branquenses em 2008. Com uma administração razoável, mas acima da média administrativa imposta pelos seus antecessores, Agripino conseguiu a reeleição em 2012 sob acusações de abuso de poder econômico e político, conduta vedada a agente público, e compra de votos no pleito, fatos que fizeram o seu mandato ser cassado em novembro de 2015. Convocada a assumir o posto, tendo sido a segunda colocada nas eleições de 2012, Acácia Sousa assumiu a administração de Areia Branca e não soube lidar com a alta popularidade que ainda possuía Agripino. Com uma administração conturbada por problemas pessoais, como uma perda familiar grave, Acácia não conseguiu cair nas graças do povo, amargando o terceiro lugar no pleito de 2016, quando buscou a reeleição. Com o nome em alta, Agripino apoiou o seu sobrinho, Alan Andrelino, que retomou o poder para o domínio da sua família. Acusado de ter se utilizado das mesmas práticas do tio, Alan foi afastado do cargo em agosto de 2018, retornando ao mesmo com o efeito de uma liminar em setembro do mesmo ano, um mês após sair da prefeitura, que ficou sob o comando do presidente da Câmara, o vereador Perna (PMB). Assim, o desafio de Alan Andrelino será mostrar que sua similaridade com o tio, Agripino, vai além dos problemas com a Justiça Eleitoral, sendo também ele, Alan, capaz de, mesmo comandando uma gestão sem feitos extraordinários, manter popularidade e intenção de voto até as eleições. Já da parte da oposição, dois cenários se destacam. Sousa, ex-prefeito do município e marido de Acácia Sousa, também ensaia uma pré-candidatura, na qual muitos apostam que é apenas uma pretensão de compor uma chapa como vice. E o segundo colocado nas eleições de 2016, o ex-vereador Zé Ailton do Junco, prepara-se para mais uma disputa contra Alan. E é bom prestar atenção nesse nome: Zé Ailton do Junco. É que o ex-vereador tem uma aceitação muito grande em todo o município, mantém um estilo “mineiro” de fazer política, calado, sem grandes alardes, mas sempre acaba saindo das urnas bem votado. Como foi ele o derrotado por Alan Andrelino em 2016, caso consiga fazer convergirem para si os votos daqueles que estão insatisfeitos com a atual gestão, Zé Ailton passa a ter sérias chances de chegar à prefeitura de Areia Branca. Com um cenário desses, impossível não imaginar que o município terá uma disputa bem intensa nas eleições de outubro próximo. O que, por sua vez, deve levar a uma participação bastante intensa da comunidade no processo eleitoral e, com isso, a pequena Areia Branca deve ganhar bastante movimentação durante todo o ano, mas especialmente no período eleitoral.

Com a Rede

Em nota assinada pelos Porta-Vozes do partido Rede Sustentabilidade, José Santos de Andrade e Maria Roberta Santos Ramos, ambos do Diretório Municipal de São Cristóvão, manifestam junto com todos os filiados e depois de analisar a conjuntura política atual do município, total apoio ao projeto de pré-candidatura a prefeita encabeçado pela ex-vereadora Gedalva Umbaubá. Tal posição foi fruto de uma reunião do partido, realizada no último dia 8 de fevereiro, ressaltando que “o melhor projeto para a nossa querida cidade seria um projeto sério, compromissado com o povo e ao lado de pessoas humanas, que pensam política com um olhar de atenção especial ao próximo”, destaca a nota.

Com a Rede 2

O manifesto é encerrado com a ressalva de que, o Diretório Municipal do Rede Sustentabilidade, “por maioria absoluta dos seus membros, irá marchar no processo eleitoral deste ano ao lado da pré-candidata Gedalva Umbaubá, fortalecendo ainda mais o bloco de Oposição em São Cristóvão”. Gedalva Umbaubá, por sua vez, disse estar muito satisfeita e, ao mesmo tempo, orgulhosa do reconhecimento de todos que concordaram com a manifestação pública desse importante partido político e que, de forma nenhuma, vai decepcionar aqueles que estão acreditando no seu projeto e na proposta nova de governo para a nossa querida São Cristóvão.

Ainda São Cristóvão

Quem também anunciou pré-candidatura a prefeito de São Cristóvão foi o atual vice-prefeito, Adilson Junior, segundo o site Imprensa24h. Confiramos. “Adílson vai se filiar ao PSD no próximo mês de março, quando então lançará sua pré-candidatura pelo partido do governador Belivaldo Chagas e do deputado federal Fábio Mitidieri. “Estou à disposição do povo de São Cristóvão e do meu partido [PSD] para disputar a eleição como candidato a prefeito”, garante o vice-prefeito Adílson Junior, ao ressaltar que esse anúncio ocorre após conversas que manteve com seu grupo político”.

Ainda São Cristóvão 2

E o site prossegue. “Segundo Adilson, o prefeito Marcos Santana deixou de lado o plano de governo que apresentaram à população nas eleições de 2016, e realiza um governo “sem criatividade, sem obras estruturantes”. “O prefeito Marco Santana poderia ter governado ouvindo mais, inclusive com participação popular, mas preferiu fazer um governo fechado ouvindo poucas pessoas”, analisa o vice e pré-candidato a prefeito Adílson Junior. Ainda em relação à atual gestão municipal, o vice-prefeito reconhece que, se comparada à situação encontrada em 2017, hoje a cidade está melhor. “Mas, diante da grande esperança de mudança de renovação que o povo de São Cristóvão esperava, infelizmente não temos grandes avanços”, diz.” Então tá dito, né não?

Muda, mas fica

Na manhã desta quarta-feira, 12, o vereador Cabo Amintas (PTB) foi entrevistado no programa “Impacto”, pelos radialistas Gilmar Carvalho e Jairo, na Rádio Jornal FM. O vereador foi questionado sobre a sua possível mudança de partido. O petebista respondeu: “me reuni com o deputado Rodrigo Valadares, presidente do meu partido, para tratar de temas relacionados às eleições de 2020 sobre os partidos PTB e o PSL. Existe uma possibilidade de trocar de partido, já que há aproximadamente 10 meses não mostro meu trabalho na imprensa sergipana. Chegamos ao absurdo, da imprensa entrevistar outros vereadores para falarem de projetos de minha autoria. Então, o PSL é o partido com maior tempo de televisão, o que me possibilita mostrar meus trabalhos. Portanto, é possível uma troca de legenda, mas não de grupo”, declarou.

Pode ter que exonerar

A Promotoria de Justiça da 12ª Zona Eleitoral, por meio do promotor de Justiça Antônio Carlos Nascimento Santos, recomendou que a prefeita do município de Lagarto, Hilda Rollemberg Ribeiro, exonere os servidores de cargos comissionados que realizam atividades rotineiras e ordinárias da administração pública, sem qualquer caráter de direção e assessoramento. Além disso, foi recomendado que a prefeita rescinda todos os contratos temporários que violem às normas do art. 37, inciso IX, da Constituição Federal (CF), que dispõe sobre “os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público”.

Pra fechar!

O Governo do Estado, por meio da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), emitiu a licença de instalação para que uma indústria de cimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) seja construída no município de Maruim, em uma área do Complexo Industrial Portuário.  A partir de agora, a empresa já está autorizada a iniciar a construção do empreendimento, que deve resultar em um investimento de mais de um bilhão de reais. A expectativa é que haja a geração de 2.500 empregos diretos e 10.000 indiretos na fase de construção da fábrica. Esse número poderá ser de 500 empregos diretos e 2.000 indiretos com a conclusão da obra e início de operação. Quando estiver em operação, serão produzidas por ano cerca de 2,8 milhões de toneladas de cimento.  Entre os fatores que foram decisivos para escolha de Maruim como local de instalação da fábrica estão a grande disponibilidade de energia e de gás natural existente no estado, além da riqueza mineral do solo da região de Maruim, onde predomina argila e calcário, matérias-primas para o cimento.

FRASE

“Bole-Bole e Saramandaia simbolizam uma novela muito antiga, mas acredito estar nos últimos capítulos”

Nininho da Bolo Bom, pré em Lagarto

Sobre os tradicionais grupos que se revezam no poder