As lentes e as letras de Expedito Souza

Dos atuais trinta e nove integrantes da Academia Sergipana de Letras, doze são crias do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho, a saber: esse que vos escreve, Marlene Alves Calumby, Lúcio Antônio Prado Dias, Marcos Antônio Almeida Santos, Luzia Maria da Costa Nascimento, Paulo Amado Oliveira, Jane Alves Nascimento Moreira de Oliveira, Domingos Pascoal de Melo, Antônio Porfírio de Matos Neto, Marcelo da Silva Ribeiro, José Geraldo Dantas Bezerra e Guilherme Nascimento. Dos falecidos, destaco o imortal Bemvindo Salles.

O Movimento de Apoio Cultural foi criado em 1984 pelo então presidente da Academia Sergipana de Letras, Antônio Garcia Filho. Em 1999, foi rebatizado com o seu nome, pelo atual presidente, o acadêmico José Anderson Nascimento. O MAC, como chamamos carinhosamente, nos últimos anos, ampliou e qualificou seu quadro, reunindo grandes talentos das artes, da cultura, das letras e das ciências.

Atualmente, sob a coordenação da poetisa Jane Guimarães, o Movimento Cultural Garcia Filho tem contribuído de forma significativa para as ações da Academia Sergipana de Letras. A bem da verdade, é quem efetivamente vem a oxigenando por dentro e por fora. Coletivamente, o grupo já lançou, até a presente data, três livros: Sob o sol do sodalício (2017), Letras em movimento (2019) e Recortes do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho (2020).

Quando da organização do livro Letras em Movimento, um macadêmico se destacou pelo empenho, pelo esmero e dedicação, sempre com sugestões firmes e precisas. Refiro-me ao escritor Expedito Souza. Lembro-me, e isso era motivo de risos e de descontração em nossas reuniões com os demais integrantes do MAC, que ele usava recorrentemente a palavra procrastinação. E como isso poderia nos atrapalhar em nosso anseio de publicar e encontrar condições para publicar o livro.

Natural da cidade de Riachão do Dantas, aos 29 de setembro de 1944, José Expedito Souza mora em Aracaju há muitos anos, quando passou a viver com seus avós maternos, Jeremias de Oliveira Cruz e Aurora de Oliveira Cruz, e também tias. Economista pela Universidade Federal de Sergipe, com passagem pela Petrobrás, pelo SEBRAE, foi professor de instituições particulares de nível superior e também da Escola Técnica Federal de Sergipe.

Ao longo dos anos, cultivou especial atenção pela memória, dando ênfase ao aspecto fotográfico. Empenhou-se em escrever e publicar trabalhos que evidenciassem a cidade de Aracaju, representada em imagens singulares. Nesse sentido, lançou dois álbuns: Memórias de Aracaju I (2012) e Memórias de Aracaju II (2013/2017).

A seara de Expedito Souza se destaca para além da sensibilidade visual. Seus escritos são leves e pontuais, rigorosos com a correção gramatical, mas também com a compreensão semântica e informativa, têm leveza, graça, humor e são ricos conteúdo histórico. Nessa esteira, publicou ainda: Relógio do tempo (2014/2015); Tempo de Alma e Anjos (2016), No tempo de cada um (2018) e Memórias de Aracaju – Bodegas (2019).

No dia 8 de novembro de 2016, Expedito Souza ingressou no Movimento Cultural Antônio Garcia. Concorrente à cadeira de número 8, vaga em razão do falecimento do Imortal Clodoaldo de Alencar Filho, pelas razões expostas acima, entre outras, ele se credencia para vir a ser mais um integrante do MAC a postular nos quadros da Academia Sergipana de Letras.

Talvez os ventos não lhe sejam favoráveis no momento, mas torço e lhe empresto o meu apoio e voto. Desejo, assim, que agora ou num momento vindouro se faça valer o que a sociedade espera da Casa das Letras de Sergipe: render graças e laurear aqueles que efetivamente dedicam suas vidas às artes, à ciência e às letras.

Autor

Claudefranklin Monteiro Santos

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