Auxílio emergencial ou auxílio insulto?

No último dia 02.04.2021 as mortes em virtude da covid-19 chegaram a 328.206, sendo 2.922 óbitos registrados nas últimas 24 horas. A pandemia empiorou as condições do mercado de trabalho, que fechou 2020 com o maior número de desempregados e atinge mais de 14, 6 milhões de pessoas nesse ano de 2021 segundo o IBGE. Este nefasto dado nos indica que o desemprego no país ficou em 14,2% no trimestre encerrado em janeiro, sendo a maior taxa já registrada desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). Como se não fosse suficiente aflição para grande parte da população, acresce-se a isso os mais de R$ 2,3 milhões de dinheiro público utilizados pelo Chefe do Executivo para passar férias em São Francisco do Sul (SC) e no Guarujá (SP) no ano passado. 

Para termos uma mínima ideia: esse subsídio bancava o auxílio emergencial no valor de R$ 600, ao menos, 3,8 mil brasileiros por um mês. Num contrastante país onde a pobreza extrema atinge mais de 13,7 milhões de pessoas de acordo com o IBGE, esses fatores são mais que uma ofensa à mínima dignidade humana. O isolamento social está sendo rompido pela maioria dos trabalhadores que possuem a necessidade vital de sair das suas casas para suprimir a fome dos seus filhos. O dirigente do Brasil está provando mais uma vez que não sente empatia alguma, já que não se organiza de forma ponderada pelo equitativo pagamento do auxílio emergencial, pela compra célere de vacinas, ativação de mais leitos de UTI covid, fornecimento de oxigênio hospitalar, bem como para a aquisição dos insumos para intubação dos doentes. Vivenciamos uma tragédia nunca dantes vista. 

Ao sangrar ainda mais as contas públicas, solapou o isolamento social, medida imprescindível para combater a pandemia. Esse pífio auxílio emergencial ratifica a iniquidade que está sendo empreendida contra a tão já expiada população brasileira. O Brasil está ficando cada vez mais asfixiado – sufocado por restos que caem do banquete de desobrigações aos mais abastados. Se pelo menos houvesse uma política central para a garantia de decência aos trabalhadores informais desprovidos, estaríamos voltando aos trilhos. Em meio a essa impiedosa segunda onda pandêmica, o benefício fixou-se de R$ 150 a R$ 375, é ou não é uma afronta que encoleriza? 

As pessoas que não vivem encasteladas ou os parlamentares e ministros do STF que possuem a ação ultrajante de reajustar os próprios faraônicos salários que giram em torno de R$ 33.763,00 a R$ 39,2 mil perceberão que é impossível um trabalhador desprovido e informal sobreviver com R$ 5 diários, pois além de comer, existem as contas de água, luz, telefone, internet dentre outras. Ou o Messias irá dizer para qual santo essas pessoas devem orar para subsistir? Nenhuma mãe ou pai de família necessitado poderá ficar em casa se protegendo desse vírus enquanto seus filhos vão repousar esfaimados. 

Os olhos pranteados desvelam o Brasil famélico que arremessa a Responsabilidade alhures. Entre negacionismos, incentivos às aglomerações, receita de remédios ineficazes, agressão às vacinas e à comunidade científica em geral – o corolário vai ser esse: necropolítica como instrumento de gestão. Conclui-se que em terra de auxílio insulto, planos de saúde vitalícios para parlamentares e ‘rachadinhas’ opulentas, a doação de vacinas ao SUS, ajudando a sociedade a sair desse tenebroso cenário seria obra de primordial altruísmo. Pelo visto, atos humanitários assim estão passando longe daqueles que fazem do desprezo seu mecanismo político. 

Sempre haverá um amanhã! 

Autor

Igor Salmeron

Outras Notícias

voltar para página inicial