Beatriz Góis Dantas: Referência na Antropologia em Sergipe e no Brasil

Seguindo na linha de pesquisas biográficas acerca das personalidades que marcam o cenário sergipano, insurgiu o relevante nome de Beatriz Góis Dantas. Mulher influente, fez do ensino e da pesquisa a sua basilar forma de estar no mundo. A renomada professora, escritora, antropóloga e pesquisadora nasceu em Lagarto no ano de 1941. Ao lado de extraordinárias mulheres como Maria Thétis Nunes, Aglaé Fontes, Terezinha Oliva, Zizinha Guimarães, Ofenísia Freire, Ilma Fontes dentre diversas outras podemos afirmar que sua trajetória de vida se enleva como uma das mais essenciais para explicarmos o papel feminino no desenvolvimento de toda a comunidade sergipana.

Quando o assunto é populações indígenas, folclore ou as religiões afro-brasileiras em Sergipe, não temos como dissociá-los da vital atuação de Beatriz Dantas. Possui graduação em Geografia e História pela Faculdade Católica de Filosofia, além de ser formada em História pela Universidade Federal de Sergipe e Mestra em Antropologia pela Universidade Estadual de Campinas. Foi professora de Antropologia na Faculdade de Filosofia durante os anos de 1966 a 1967 e quando surgiu a UFS, foi incorporada e continuou lecionando inúmeras disciplinas antropológicas até que se aposentou no ano de 1991.

Atuou como professora visitante, ensinou por alguns anos nos Mestrados de Educação e de Ciências Sociais, dos quais fazia parte desde que foram criados como cursos regulares de especialização nos anos 80. O espaço da sala de aula e o saudável convívio com seus alunos sempre foram sua maior satisfação. Além do lado de professora dedicada, atuou como incansável pesquisadora. Foi responsável por preencher uma lacuna histórica na bibliografia sobre o suposto `desaparecimento’ dos indígenas sergipanos na metade do século XIX, identificado na verdade como processo de negação das identidades dos índios associada a expropriação de terras.

Em 1970 Beatriz Dantas assumiu a direção do Departamento de Cultura e Patrimônio Histórico onde permaneceu por oito meses, tempo que lhe deu oportunidade de concretizar o mapeamento da situação dos monumentos tombados pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Sergipe, bem como o registro histórico das imagens e santos localizados em igrejas, além de iniciar a reorganização e recuperação do Arquivo Público Estadual. Percebemos assim a preocupação de Beatriz Dantas no campo da ação cultural, onde se preocupou com a devida preservação dos nossos patrimônios ameaçados para que lhes fossem resguardados a continuidade para as futuras gerações.

Foram mais de 29 anos de brilhante atuação dentro das salas de aula, exercendo o magistério com louvor e na busca incessante por novos conhecimentos que contagiava a todos os alunos pelo seu esplendor. Ao se aposentar, esteve a frente da Comissão Permanente de História do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Sua vasta obra inclui livros, como o pioneiro `Vovó Nagô e Papai Branco’, capítulos de livros e diversos artigos veiculados pelas mais modelares revistas científicas especializadas.

Conclui-se que Beatriz Góis Dantas por meio da sua insigne sensibilidade social orientada pela Antropologia deixa legado de determinação e proposta de um mundo melhor. Casada desde 1964 com o referencial professor e pesquisador José Ibarê Costa Dantas, convívio este que se revelou categórico para o crescimento do universo intelectual sergipano e brasileiro em geral.

Somos afortunados, por aqui se faz terra germinante de gênios, saibamos os valorizar!

Autor

Igor Salmeron

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