- 13/08/2019 - 10:00

Belivaldo e uma atitude que merece nota 10



Antes de mais nada, umas reminiscências aqui. O ano era 1989, o colunista “só” 30 anos mais moço, cheio de gás e de disposição para correr atrás do que considerava mais justo para todos. Coisas que marcam a gente, definitivamente. E, naquele ano, estudando o hoje ensino médio no Abelardo Romero Dantas, o Polivalente, em Lagarto, o colunista havia acabado de sair da presidência do Grêmio Livre Estudantil, que criamos, diga-se, mas foi convocado pelas circunstâncias. O diretor da escola, saudoso Cláudio Monteiro, que havia sido escolhido pelo comando da educação estadual – leia-se escolha política –, fazia um trabalho fantástico. Mas, com mudanças na política local, o então governo estadual, a cargo de Antônio Carlos Valadares, hoje ex-senador, resolveu mudar a direção do Polivalente de novo, colocando no lugar de Cláudio o professor Edmundo Lisboa. Nada contra Edmundo, mas tudo a favor de Cláudio, lá se foi o colunista e alguns bons amigos, alguns deles também saudosos, a exemplo de Marco Aurélio Bastos – que foi nosso vice-presidente no grêmio – e Juninho Gonçalves, além de muitos outros ainda vivíssimos da silva, graças a Deus, pedir por democracia na escolha, por mérito, por lista tríplice, por qualquer coisa que fosse, menos por mera indicação política. Foram 15 dias de paralisação das aulas, de piquetes na escola, na praça mais importante da cidade, a Filomeno Hora, de passeatas pelas ruas lagartenses e… …nada! A decisão governamental foi mantida e nós, decepcionados e impotentes, voltamos às salas de aula sem nenhuma conquista e sob a nova direção então imposta. Corte rápido, três décadas depois. Belivaldo Chagas (PSD), hoje governador – que coincidência é essa, né? Pois Belivaldo, há 30 anos, era ferrenho aliado de Valadares, ora pois! – dá posse a 260 diretores de escolas estaduais que foram escolhidos por processo seletivo. Tudo bem que não se tratou da lista tríplice que o colunista e seus aliados naquele processo de 1989 desejavam, mas também já não se trata mais de mera indicação política. E vendo o tempo passar ao longo de tantos anos, é preciso reconhecer quando as coisas efetivamente evoluem. A posse dada por Belivaldo nesta segunda, 12, é histórica e terá conseqüências que, queira Deus, o colunista possa também avaliar nos anos que virão. Porque a frase lapidar de Belivaldo – “não admito política partidária dentro da Educação” – não pode ser apenas retórica, de efeito e coisa e tal. Educação, para ser transformadora, precisa ser gerida de forma profissional, qualificada, com comprometimento e respeito ao alunato e a todo o corpo escolar. Quando um político influencia na escolha de um diretor, os riscos das coisas não funcionarem são bem maiores do que as possíveis vantagens que o mesmo político pode vir a ter ao ter um aliado na função. Simples assim! E que a atitude de Belivaldo, de agora em diante, sirva de exemplo. Sem mais.

Trio bem postado

Emília Correia (Patriota), Rodrigo Valadares (PTB) e Milton Andrade (Novo). Esses três nomes se reuniram e começam a discutir as eleições de Aracaju em 2020. Nada não, nada não, só o fato deles conversarem já pode dar pano para a manga: uma oposição que, ao menos em parte, saia unificada, pode ser considerada forte candidata a marcar presença no segundo turno. Como só são duas vagas e o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) buscará a reeleição, mas com a força de sua gestão a seu favor, quem quiser estar no segundo turno tem que se preparar bem no primeiro. E união faz parte dessa preparação, né isso?

PT forte em Socorro

Não se surpreendam se Klewerton Siqueira se tornar um dos nomes mais fortes na disputa pela prefeitura de Socorro nas eleições de 2020. Saído do grupo do ex-prefeito e atual deputado federal Fábio Henrique (PDT), Klewerton não fechou portas ao se filiar ao PT. Pelo contrário: pode ter sido uma mudança decisiva para unir em torno do seu nome uma parte expressiva da oposição ao atual gestor, Padre Inaldo (PCdoB).

Enquanto isso…

Na Barra dos Coqueiros, outra mudança aguardada em relação a filiação partidária não teve o mesmo impacto. Trata-se da decisão de Alysson Sousa, atual vice-prefeito, de deixar o PSD e migrar para o Solidariedade. Além de não ter conseguido comandar o MDB na cidade, cujo nome mais forte segue sendo o do prefeito Airton Martins, ao migrar para o SD, Alysson pode se tornar personagem de uma disputa que nada tem a ver com a Barra: SD, em Sergipe, é Gustinho Ribeiro. MDB, também no Estado, é Fábio Reis. Gustinho e Fábio são Bole-bole e Saramandaia em Lagarto. Daí que para Alysson deixar de ser o foco na Barra é um pulo…

Mudanças acontecendo

O prefeito Marcos Santana (MDB) iniciou a semana com novidades no secretariado. O vereador Irmão Gibson (PSC), que iria para a Secretaria de Assuntos Parlamentares, assume a Secretaria de Esportes, ocupada por Adailton Silva, também do PSC, que, por sua vez, sai da suplência e senta-se à cadeira de vereador. O prefeito consultou o PDT sobre novo nome para a Pasta de Esportes e o partido abriu mão da indicação. Boa sorte aos novos gestores.