CPI da Pandemia deve começar já

Se a população brasileira ainda não percebeu, o país já registrou mais de 13.900.134 casos e 371.889 óbitos por Covid-19 até o presente momento se contabilizar desde o começo da pandemia. A média móvel de mortes no Brasil na última semana chegou a 2.917. Se compararmos à média das duas semanas que se passaram, a variação foi de mais 6%. Os lúgubres números estão localizados no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação pandêmica de coronavírus em nosso país. Este triste dado nos faz perceber que são 87 dias seguidos que o Brasil conta com essa média instável de mortes acima da marca de mil.

São 32 dias com essa calamitosa média que escritura mais de dois mil falecidos diários. Dito isto, podemos atestar que tudo àquilo que puder salvar vidas deve ser avaliado atividade imprescindível e ter seu funcionamento autorizado o quanto antes. A CPI da Pandemia está nesse essencial apontamento, porque pode reprimir o boicote do governo federal no prélio à doença. Para os cicerones do presidente no Senado Federal, entretanto, esses trabalhos da bancada devem aguardar pelo arremate da pandemia. Eu te pergunto caro leitor: Como aguardar e até quando? Quando a situação crítica sanitária for tão-somente uma malfazeja lembrança? Quando as diligentes investigações não puderem mais evitar a morte de algum ente querido? Ficam para todos nós esses vitais e forçosos questionamentos.

Lembremos que a primazia da CPI não é abalizar delatados, mas acertadamente de socorrer o maior número de vidas admissível. As redes sociais fiéis ao chefe do executivo alertam para o risco de contaminação trazido pelas audiências. Mas aqui reside a seguinte jocosa ironia: essas mesmas redes são os grupos que, dias atrás, defendiam afluências de milhares de pessoas em igrejas e templos. No caso prático, desejam impor um lockdown, mas tão-somente para a CPI. O petulante cinismo mais uma vez não conhece limites – pois os mesmos que atacam o distanciamento social e afirmam que a comissão coloca em risco o distanciamento, são no caso àqueles que defendem reuniões coletivas em templos sagrados.

A CPI pode muito bem ser encetada de maneira semipresencial, por meio do acatamento às medidas de distanciamento social e dos adequados cuidados sanitários. Neste sentido, o presidente e o relator assomado a alguns servidores públicos poderiam acompanhar os depoimentos dos convidados presencialmente, enquanto os outros membros da comissão participariam de forma virtual. A CPI além de investigar as atuações e omissões do governo federal na pandemia, também sopesará os repasses de recursos federais a Estados e municípios. Infelizes episódios como o relacionado ao sufocamento coletivo dos cidadãos de Manaus por causa do retardamento no envio de oxigênio jamais podem ser esquecidos.

Além disso, temos a questão de rememorar a arbitrária sabotagem na compra das vacinas assomada à produção e aquisição de remédios ineficazes contra o patógeno. Ao defender tanto o funcionamento das atividades essenciais, será mais uma das contradições presidenciais se recusar que o Senado Federal consinta melhorar o enfrentamento à pandemia.

Portanto, a CPI da Pandemia deve começar já. Para concluir, últimos dados que saíram na Universidade de Washington apontaram que podemos atingir quase 654 mil óbitos a partir do mês de agosto. Somente uma correção de direção pode salvar essas vidas – ou não seria essa a atividade mais que fundamental Senhor Presidente?

Se há 1% de chance, tenhamos 99% de Fé.

Autor

Igor Salmeron

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