E como foi o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, há exatamente um ano?

Anderson Christian

christianjor@gmail.com

Calma lá, gente, aqui a coluna não se arvorará de registro histórico e nem nada. Mas é que, ao enfileirar algumas ideias para esta edição, o colunista elencou o 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, como uma possibilidade. Até mesmo por seguirmos vivendo um dos mais dramáticos momentos da humanidade por conta da pandemia em curso.

E claro que a vida é o mais importante e, por isso mesmo, nem se cogita aqui em se falar em comemoração pela data, visto que seria absurda qualquer ação nesse sentido, como também não há razão alguma para contrapor, como muitos acham normal, uma ridícula dualidade entre “cuidar da saúde das pessoas X garantir o emprego das pessoas”.

Essa discussão desnecessária, sem fundamento científico algum – e olha que, nesse caso, o colunista cita a ciência de forma ampla e irrestrita, pois nem os saberes científicos da medicina e nem os mesmos saberes na economia têm uma fórmula exata para resolver de bate pronto tudo o que estamos atravessando – e muito mais voltada a antagonismos político-eleitorais do que a um debate sério e efetivamente preocupado com o futuro que nos aguarda (espera-se isso, ao menos) já se mostrou tão infrutífera que, no final das contas, a coluna não encontrou nada de novo em relação ao tema e a data em si.

Conversou com alguns, acompanhou as redes sociais de muitos outros, mas, até as 22h da sexta, 30 de abril de 2021, não viu sinais mínimos de referência ao Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho – você, leitor e leitora, que decida qual nomenclatura para o 1º de Maio melhor lhe representa.

E é claro que, amanhecido o sábado, 1º, todos seremos bombardeados na internet, via redes sociais, com zilhões de postagens em homenagem a data e, óbvio, àqueles que são por ela celebrados. Mas, por entender que essas postagens, essas homenagens, acabam sendo apenas formalidades internéticas, o colunista pensou em recuperar o que havia escrito há exatamente um ano, na noite do dia 30 de abril de 2020, para ser publicado no 1º de maio do ano passado.

E, sob o título “Não precisa guardar lugar nessa fila pra mim!”, a coluna analisava decisão do governador Belivaldo Chagas (PSD) de recuar num dos seus decretos que, naquela semana do ano passado, iniciava a flexibilização do isolamento social, abrindo espaço para o retorno de algumas atividades chamadas não-essenciais. E alguns trechos daquela coluna bastam para entender que as nossas dificuldades diante da pandemia, obviamente além de não serem novidade, têm carregado, ao longo desse um ano e quase três meses, um componente muito complexo: a não compreensão da população de que as dificuldades econômicas são gigantescas, mas que os riscos à saúde são maiores, são mortais.

Por isso mesmo que, há um ano e ainda agora, flexibilizar não pode significar aglomerar, esculhambar e nem adotar uma posição de “não tô nem aí”. Valia para aquele momento de 2020 e segue valendo para hoje. Senão, vejamos o que a coluna analisava sobre fatos ocorridos no primeiro Dia do Trabalhador sob esta fatídica pandemia: “naquela oportunidade, se creditava a decisão de Belivaldo em iniciar a flexibilização do isolamento social e de abrir, paulatinamente, as atividades comerciais em Sergipe como uma aposta que poderia lhe ser positiva ou negativa, a depender dos resultados alcançados”.

Então, em 2020, nesta mesma data, a coluna se detinha ao fato do governador ter, na semana anterior ao Dia do Trabalhador, iniciado uma flexibilização para, em última análise, reduzir os impactos econômicos do isolamento social sobre a economia.

Mas sigamos com mais um trecho resgatado da coluna do ano passado. “Resumindo: Belivaldo voltou atrás e reforçará a necessidade do isolamento social e do fechamento de atividades não essenciais no comércio e nos serviços. Antes de mais nada, um alerta de spoiler: caso algum oposicionista do governador tente impingir nele a faceta de “indeciso”, rejeite imediatamente! A pandemia não tem uma avaliação precisa por ninguém no planeta. Assim, decidir flexibilizar e voltar atrás na decisão, diante de números que se agravaram, como fez Belivaldo, mostra mesmo é bom senso e não insegurança ou indecisão, ok?”.

Olha só, leitor e leitora, nas vésperas do Dia do Trabalhador, em 2020, Belivaldo Chagas recuou de decisão anterior de reabrir, ainda que paulatinamente, comércios e serviços, dois dos principais empregadores da nossa economia. E ele teria feito isso por vontade própria, por um querer seu ou por interesses políticos?

Bem, naquela avaliação do colunista, a decisão de Belivaldo teve outra motivação. Confiramos o que então foi escrito: “Ora bolas, só mesmo quem se manteve em casa, e que não viu o que aconteceu nesta quinta, 30, é que não concordaria com a revogação do decreto. Para ficar em apenas um exemplo, mas muito incisivo: as filas nos bancos oficiais e nas lotéricas nas cidades sergipanas, verdadeiros pandemônios, já justificam a revogação. Assim, uma coisa encafifa o colunista: será que as pessoas não se deram conta ainda de que os governos cuidam da governança social, mas quem cuida da governança pessoal é cada um?”.

Um ano depois, milhares de vidas perdidas depois desse mesmo ano – e esse é o ponto mais importante –, milhões de empregos perdidos nesses 365 dias passados, dá mesmo para levar a sério quem analisa que só os governantes serão capazes de vencer o vírus e, assim, recuperar a economia e, ao final e ao cabo, garantir que o 1º de Maio de 2022, Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho, volte a ser comemorado? Se o todo da sociedade não se tocar da responsabilidade que tem, em 2022 seguiremos, infelizmente, na mesma toada.

Autor

Anderson Christian

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