É pedir muito ter a mínima empatia?

No último dia 27.03.2021, o Brasil contabilizou mais de 3.368 óbitos, o que nos evidencia uma média de 2.548/dia registrada na semana que se passou. Ao total temos a seguinte funérea estimativa: 310.694 mortes. O chefe de Estado prossegue a insistir pela insensata defesa de remédios que não possuem comprovação científica de eficácia para o tratamento da covid-19. As pessoas estão caindo num descabido engodo, ancorado numa fantasiosa narrativa de que há um vermífugo salvador da pátria, cujo tétrico corolário é o seguinte: pessoas contaminadas persistem nesse ‘tratamento’, levando mais tempo para buscar auxílio e acabam perecendo. 

Não esqueçamos a superlotação que está fazendo com quê muitos dos que procuram hospitais e unidades de pronto-atendimento não obtenham acolhimento. Fator este que poderia ter sido evitado se o governo tivesse liberado os devidos recursos para a garantia de leitos de UTI quando os Estados solicitavam o que elucidaria uma tragédia menos recrudescida nesses dias hodiernos. E também não adianta diversos leitos se não houver oxigênio e sedativos para intubação, bem como médicos, enfermeiros e técnicos em número satisfatório para amparar as vidas. A verdade é que a administração federal se excluiu do seu primordial papel que é e sempre foi o de articular a batalha ao coronavírus e propor insumos e expedientes humanos para os locais que necessitavam. 

A saída mais fácil é culpabilizar prefeitos e governadores por adotaram quarentenas e lockdowns, declarando prejuízos econômicos. Por outra perspectiva, o próprio governo federal agenciou aglomerações e impulsionou todos a voltarem a trabalhar, mesmo que isso desembocasse em mais fenecimento de vidas humanas. O desprezo pela mínima dignidade não tem precedentes – o nosso país está classificado como ameaça sanitária global, repleto de variantes de covid graças à banalização das mortes que aqui foi terrivelmente instalada. 

A CPI da Pandemia seria uma das únicas maneiras, nesta ocasião, de brecar um massacre que já está em curso, pois forçaria o presidente a abdicar o negacionismo e a total irresponsabilidade para com a população principalmente mais desprovida, àquelas pessoas que não tem acesso ao ínfimo. A cordilheira de mortos está cada vez mais recrudescida em nosso infortunado horizonte, devendo haver investigação justamente para que esse conjunto de lúgubres acontecimentos sobresteja e as pessoas parem de falecer. Os sócios desse morticínio fazem de tudo para submergir o caso. 

Enquanto as lives presidenciais nos evidenciar que os avisos dos líderes do Congresso Nacional para o presidente modificar o comportamento são tratados como intimidações, estaremos presos a esse péssimo caminho. Se você ainda não percebeu, ele ainda continua falando de maneira análoga ao início da pandemia, tratando essa terrível doença como uma ‘gripezinha’ e ‘resfriadinho’: se coloque por um instante na pele das pessoas que perderam seus entes queridos e verás que há algo de muito infausto acontecendo por aqui. É pedir muito ter a mínima empatia pelo próximo? 

Conclui-se que haja mais possibilidade de se colocar no lugar do outro, pois se continuarmos nesse malogrado itinerário – as incongruentes medidas tomadas pelo poder público continuarão se reproduzindo e, o pior de tudo: matando a esmo. O ensejo primordial é de que o governo não continue surdo nem cego diante desse cenário gritante de negacionismos, onde cria suas próprias ficcionais verdades. É preciso ajudar realmente, encorajar a promoção humana. 

A crepuscular alvorada está logo ali! 

Autor

Igor Salmeron

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