- 29/09/2019 - 05:00

E se fosse você?

Outubro está chegando e ele sempre carrega a cor rosa para inúmeros pontos do planeta. No Brasil, o outubro rosa ganha força e espaço a cada ano e não é sem motivo. A doença acomete cada vez um número maior de mulheres chamando a atenção da sociedade,  dando destaque a informação e as vezes a desinformação também. Conhecer o que é o câncer de mama e quais são as abordagens para sua prevenção são assuntos cada vez mais comentados e que frequentemente geram polêmica com conceitos errados do ponto de vista técnico e cultural. Por estudos Americanos estimamos que 1 em cada 12 mulheres poderão ter câncer de mama ao longo da vida. E se fosse você ?

Empatia

A empatia é a arte de se colocar no lugar do outro, de enxergar o mundo sob a ótica de outrém, entender reações e emoções que não são nossas, mas poderiam ser. A nossa campanha de Outubro Rosa de 2019 tem como objetivo tentar estimular a empatia em relação a mulheres que são diagnosticadas com câncer de mama para mostrar a importância de medidas preventivas , mas também estimular a sociedade a acolher com todo o respeito mulheres passando por esse momento tão delicado de suas vidas.

Prevenção

A prevenção tem sido um tema bastante abordado neste espaço. Inúmeros estudos mostram que hábitos de vida estão intimamente relacionados ao aparecimento do câncer. O fato que vemos na prática é que há uma tendência do câncer de mama acometer mulheres cada vez mais jovens principalmente em países subdesenvolvidos. Porquê é a pergunta que não quer calar. Objetivamente não há uma causa definida ainda. O que observamos é que a rotina da mulher contemporânea pouco tem a ver com a geração passada e menos ainda com a retrasada. Assisti outro dia um video encaminhado por uma amiga querida onde a atriz Claudia Raia faz um depoimento sobre o que é ser a mulher de 50 anos no mundo de hoje. Faz sentido ela dizer que a mulher de 50  de hoje corresponde a mulher de 40 anos da geração passada considerando disposição e físico, mas também as responsabilidades, as cobranças e o estresse. Será que não podemos esperar então que uma doença típica dos 50 anos comece a a aparecer também aos 40 anos como tem acontecido como o câncer de mama ? Vejo sentido em afirmar que sim, mas ainda não há estudos que garantam que essa premissa seja verdadeira.  Dessa forma, continuamos a recomendar mamografia anual a partir dos 40 anos, hábitos saudáveis de vida e controle de peso dentro do índice de massa corporal adequado. Sim, controle de peso e exercício físico diminuem risco para câncer, e isso só depende da gente.

É preciso amar

Mesmo tomando todas as medidas preventivas a doença é uma realidade que bate na porta de cerca de 58 mil mulheres por ano no Brasil. É muita gente. Toda família que tem um membro diagnosticado com câncer passa por um luto in vivo, um processo doloroso de aceitação da doença cujo tempo varia de pessoa para pessoa. É absurdamente desafiador para uma mulher receber um diagnóstico de câncer de mama. Com frequência há filhos pequenos envolvidos, muito medo e ansiedade que colocam a mulher em um nível de fragilidade  pouco compreendido. A diferença do câncer de mama em relação a outros tipos de tumores está na relação íntima com a estética e com a sensualidade. Em um número grande de mulheres, você enxerga e toca o tumor num lugar com tanta simbologia associada. A angustia é grande, o medo também. Um estudo inédito de um grupo do Sul do Brasil aferiu cientificamente pela primeira vez um número que vivenciamos na prática : 30% das mulheres com câncer de mama sofrem abando do parceiro durante seu tratamento. É um número alarmante. Mulheres em quimioterapia sentem a flor da pele todas as experiências que o diagnostico carrega, o peso, o medo, o preconceito. Ainda vemos olhares assustados para uma mulher que sai de casa careca ou com lenço, ainda vemos pessoas com medo de tocar em pacientes ou até evitar sentar próximo ou na mesma cadeira.  Como se sentiria se fosse você ?

Como se não houvesse amanhã

Dizem que o futuro a Deus pertence. De fato, pouco é o controle que temos sobre o tempo, principalmente o nosso tempo. A enorme maioria das pessoas gosta de afeto, de respeito, de carinho e de amor independente do remetente. Num momento de fragilidade, essa rede de apoio é fundamental. Ser compreendida, amparada, acolhida e respeitada são desejos da grande maioria das mulheres encarando esse processo. Passamos tanto tempo nos prendendo a medos, a convenções sociais, a inseguranças,  que deixamos de demonstrar carinho a pessoas que nos são importantes e que muitas vezes precisam do nosso afeto. Beije, abrace, acolha, dê carinho e atenção, mande muitos corações pelo whatsapp, não perca uma chance de demostrar afeto principalmente a quem está passando por um desafio tão grande como é o tratamento de um câncer. Pode acontecer com qualquer um, nossa ampulheta está virada.

E se fosse você ?

Até semana que vem !