Entre a UTI e o necrotério

Superamos a marca de mais de 4000 mortos em 24 horas.

A pandemia da COVID está nos levando para duas situações gravíssimas, a fila para se conseguir uma UTI e a falta de sacos mortuários e de vagas nos necrotérios. E ainda tem gente defendendo o fim das restrições em nome de uma falsa liberdade, utilizando a retórica da morte, típica de um darwinismo social ou de puro e simples genocídio que afetará os mais pobres e mais vulneráveis.

Estamos em uma emergência sanitária onde a própria legislação brasileira mais recente autoriza o uso de medidas restritivas e que podem ser aplicadas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, de forma concorrente como dispõe a Constituição Federal.

Essas medidas não se confundem com o estado de defesa e o estado de sítio, também previstos na ordem constitucional. Essas são medidas extremas em situações que possam de alguma forma afetar o Estado democrático. A pandemia ameaça a vida e a saúde da população brasileira e não a democracia.

Não se enfrenta crise sanitária com discursos políticos e ideológicos. O vírus não tem partido, não tem ideologia, não tem predileção por time de futebol, não é sexista, não é homofóbico, não é religioso, não é xenófobo, não faz discurso de ódio e não faz oposição política. O vírus adoece e mata, qualquer um, independente de raça, cor, religião, poder econômico, partido político, ideologia, sexo ou idade.

O enfrentamento de uma crise sanitária sem precedentes exige das autoridades públicas seriedade, responsabilidade, compromisso com a verdade, competência administrativa, competência emocional, e acima de tudo empatia com as famílias e amigos de mais de 330 mil vítimas até agora.

A omissão deliberada, a relativização da crise e a falta de humanismo diante de uma tragédia sanitária anunciada e que poderia ser menor se as autoridades não se tornassem “parceiros” do coronavírus em sua sanha assassina a tirar sem piedade a vida de milhares de brasileiros e brasileiras.

A ideia de mandar todo mundo para a rua, quase como uma convocação para a morte, nos remete a mesma ideia utilizada pelo nazismo quando encaminhava mulheres, crianças e idosos para a morte nos campos de extermínio.

Isso é uma falsa ideia de liberdade. Muito mais, é o incitamento a um suicídio coletivo típico de seitas satânicas e de líderes sem escrúpulos e sem sentimentos. Utilizando da mentira e do discurso sem argumentos sustentáveis como verdadeiras armas, matam tanto quanto fuzis e minas nos campos de guerra.

A sociedade brasileira não pode admitir que a única saída seja a fila para a UTI ou um espaço no necrotério.

Autor

José Anselmo de Oliveira

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