- 16/08/2019 - 10:00

Ex-federais que ainda valem muito



Numa democracia, a alternância na ocupação de mandatos é sempre saudável. Gera oxigenação, cria mais disposição para os que estão de fora buscarem aprimoramento para aumentar chance de retorno. E isso ajuda também a fazer com que os em exercício do mandato se esmerem, deem o melhor de si, para não correr o risco de ficar de fora numa próxima eleição. Só que, por inexperiência ou por falta de aptidão para a função, em algumas situações são mesmo os antigos ocupantes de postos que ganham visibilidade e projeção, pois seguem trabalhando, mesmo sem ter um mandato eletivo a seu dispor. Para exemplificar, a coluna vai focar em duas figuras da nossa política. Comecemos com o ex-deputado federal Jony Marcos (PRB). Sem mandato, mas com prestígio em Brasília, até pelo fato de ter feito parte da bancada evangélica, Jony segue sendo fundamental para a liberação de recursos para prefeituras sergipanas. Exerce o papel de deputado mesmo sem sê-lo. Claro que não tem o peso do seu voto em decisões importantes na Câmara Federal. Mas conhece caminhos, sabe em que portas bater e de que forma bater – e isso é o mais importante, pois indica bom relacionamento e capacidade de diálogo. O outro exemplo, bastante vistoso, por sinal, é do ex-deputado federal André Moura (PSC). Nesse caso, e como já ocorreu em outros momentos de sua trajetória política, André parece ter “caído pra cima”. Explica-se: disputou mandato de senador e não venceu. Ficou sem mandato, mas não sem força política em Brasília. Tanto isso é verdade que foi convidado pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, para exercer cargo de secretário de Estado, fazendo as vezes pelo Rio do que seria a função de um representante da unidade da Federação na capital federal. E André, para completar, ainda arranja tempo para também dar uma mãozinha aos prefeitos sergipanos. E o que faz com que ex-parlamentares se destaquem mais do que a maioria dos atuais representantes sergipanos em Brasília? Ora, não tem outra explicação: acordar cedo e dormir tarde, com muito trabalho entre as duas ações. Porque não se trata de inventar a roda ou coisa que o valha. Apesar do lobby não ser uma atividade oficialmente reconhecida, é ele que dá as cartas em Brasília. E relacionamento é tudo quando se busca defender alguma bandeira. Nesses dois citados, o lobby é por um Estado, no caso de André, e pelos municípios sergipanos, nos casos de André e de Jony. Cabe aos que atualmente possuem mandato entender como funciona a ação desses dois e fazer o mesmo. Nesse caso, Sergipe e suas cidades sairão ganhando, sem dúvida.

Sem delongas

Antes que comece o “mimimi” sobre a abertura de capital do Banese, vamos a fala de quem entende do riscado, o conselheiro do TCE/SE, Clóvis Barbosa. Ele é o conselheiro responsável pela área de controle e inspeção que inclui o Banese. E, na sua avaliação: “oferta pública das ações do Banese é altamente positiva para o Banco e seus acionistas, sejam eles o Governo ou os minoritários”. Então fica combinado assim: abre-se o capital do banco e se adianta logo esse processo, até para que ele não fique parecendo ser interminável, como muitas coisas na atividade pública.

Judicialização da saúde

Decisão do Juiz Federal Fábio Cordeiro de Lima, de que o Estado de Sergipe e o município de Aracaju devem ser responsabilizados por danos e prejuízos sofridos por pacientes oncológicos que tiveram que enfrentar fila de espera no tratamento é uma prova de que o nosso sistema de saúde pública está, perdão pelo trocadilho infame, doente. É que, ao assumir essa conta, os governos terão que desembolsar quantias que, caso a saúde pública realmente funcionasse, deveriam ser gastas mesmo é no tratamento. Pense numa situação absurda…

Tem espaço

Por mais que a política local em Itabaiana esteja, do lado dos adversários do prefeito Valmir de Francisquinho (PL), celebrando a cassação do deputado Talysson de Valmir, também PL, é bom lembrar que processos desse naipe costumam demorar para uma decisão final. E que a possibilidade de recurso permite antever que Talysson seguirá o curso normal de seu mandato até segunda ordem. Então, pra quem pensa em festejar, é bom esperar mais tempo.

Submergindo

Não se espere de Edvaldo Nogueira (PCdoB) quaisquer manifestações públicas acerca das eleições de 2020. Pelo menos não neste momento. É que o prefeito de Aracaju está fazendo um intenso trabalho de bastidores para manter a unidade do grupo político que o elegeu em 2016. E, ao se analisar que lá atrás, em 2015, a atuação e articulação de Edvaldo foi decisiva para que seu nome fosse o escolhido pelo grupo, é bom não duvidar da sua capacidade, né não?