- 22/05/2020 - 05:00

Hidroxicloroquina, tomar ou não tomar?

Essa semana foi novamente recheada de polêmicas envolvendo o Governo Federal , os Estados e Municípios.

A saída do Ministro da Saúde gerou mais instabilidade a um cenário político desastro que resulta numa série de inseguranças e sensação de falta de controle principalmente quando assistimos o número de mortes por Covid19 no país ultrapassar mil por dia.

Uma voz de lucidez é percebida quando ouvimos em uma coletiva de imprensa Dra. Mayra Pinheiro, médica cearense que responde pelo cargo de Secretária de Gestão do Trabalho e da Saúde cantar em voz suave argumentos técnicos que justificam a liberação da hidroxicloroquina no protoloco de tratamento da doença em nível nacional. Essa discussão estava ( e continua ) política demais como tudo relacionado ao coronavírus.

A ciência é realizada com a perspectiva de tempo. Os estudos ciêntificos são graduados a terem maior ou menor valor dependendo do desenho da pesquisa. Ainda não conseguimos realizar análises retrospectivas pois não há história prévia de coronavírus. Ainda não conseguimos realizar estudos prospectivos, com um número grande de participantes dividindo grupos  que fizeram o tratamento com a medicação comparado aos que não fizeram. São resultados dessas análises que norteiam com segurança a tomada de decisão para uma determinada doença.

Não possuímos essas informações ainda para o Coronavírus , nos restando apenas alguns estudos de baixo valor estatístico e a experiência pessoal no tratamento da doença.

Alguns países no mundo possuem muito medo do efeito colateral dessa medicação que trata doenças auto-imunes. O Brasil se diferencia nesse cenário. A Cloroquina é usada em grande escala há décadas para tratamento de malária na região Norte do país. As equipes médicas tem um vasto conhecimento de sua aplicação e de seus efeitos colaterais e se anteciparam ao Ministério da Saúde e criaram diretrizes que incluem essa medicação no tratamento da Covid 19. Coincidência ou não , a evolução de pacientes que precisam de internação hospitalar e UTI começaram a cair quando este protocolo foi colocado em prática. Há relatos de médicos dessas regiões que o uso da medicação aliviou os sintomas e encurtou o período sintomático da infecção.

Do ponto de vista ciêntífico, esses relatos de experiência pessoal possuem pouco valor estatístico e não se recomenda a tomada de decisão com evidências tão fracas. Seguindo essa linha, foi publicada essa semana uma diretriz de tratamento elaborada pelas Sociedades Brasileiras de Medicina Intensiva, de Infectologia e de Pneumologia onde não há recomendação para uso de hidroxicloroquina para tratamento da Covid19 .

E agora ?

Há no Brasil uma ampla experiência no uso da hidroxicloroquina para outras doenças e uma segurança em relação a seus efeitos colaterais quando bem indicada. Essa experiência outros países, aqueles que conduziram os estudos, não tem.

Por outro lado, há estudos de baixo valor estatístico, mas publicados em veículos ciêntificos que sugerem que não há benefício na evolução da doença.

Grandes instituições de saúde entenderam que a balança pendeu para a prescrição da medicação na tentiva de controlar a evolução para quadros graves. Resultados não publicados, mas com experiências positivas.

Agora há de se pesar o bom senso e a avaliação individual.

Até semana que vem.