Iniquidades e tiranias

Enquanto a população clama de forma angustiada pela imperativa volta do auxílio emergencial, o governo persiste em ser célere para liberação de armas e munição, bem como para facilitar a compra de agrotóxicos e interferir no preço do diesel. O nosso país está atravessando uma das piores crises da sua história: nas searas econômica, social, sanitária educacional e política. A Covid-19 está ceifando cada vez mais preciosas vidas, o poder executivo lava as mãos, a displicência tomou conta.

Após fazer um levantamento junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, nota-se que, até o mês de setembro de 2020, havia se contabilizado mais de 14 milhões de desempregados. Diversos especialistas apontam que temos quase 20 milhões sem carteira assinada. Na informalidade, a tétrica projeção é que existem mais de 40 milhões. O Brasil não cresce, as empresas estão fechando suas portas e o número das que abrem é insuficiente. A inflação está corroendo o salário dos trabalhadores. Os preços dos alimentos, do gás, da luz, dos remédios e da gasolina dispararam. Findou-se a política de valorização do salário mínimo, a classe média perde seu poder aquisitivo e os Direitos sociais conquistados historicamente estão sendo solapados como jamais se viu.

Os jovens do nosso país estão sacrificados em seus anseios, a perspectiva de futuro está escassa. Temos nos dias hodiernos, 52 milhões de pessoas vivendo na pobreza e 13 milhões na extrema miséria. A questão da vacinação virou disputa política, o que nos deixa numa situação preocupante e totalmente equivocada. Fico me perguntando quantos ainda precisarão morrer para as autoridades entenderem que a saúde e a vida das pessoas estão em primeiro lugar? A intolerância racial e religiosa, a homofobia, a violência contra as mulheres, o trabalho escravo avançam sem precedentes. Todo esse cenário é aterrorizante – não é esse o Brasil que nós desejamos, jamais podemos ficar omissos diante de tantas iniquidades e tiranias.

Acredito que devemos mais do que nunca abraçar as causas da população brasileira por meio de políticas humanitárias. A aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica já foi um bom começo, uma genuína vitória para o ensino brasileiro. Este ano de 2021 tem se mostrado tão abstruso quanto 2020, onde a sociedade está sofrendo, não sabendo como será o dia sucedâneo, se terá algo na mesa para comer, se estará empregada ou desempregada, se será agredida pela cor da pele. De uma coisa temos certeza: não é com odiosidade e violência que os problemas brasileiros serão solucionados.

Mais do que nunca os espaços políticos precisam ser compostos pela rica diversidade do nosso povo, com mais mulheres, negros e jovens atuantes. Temos que manter o diálogo edificante, reivindicando sempre o melhor para todos sem distinção. É preciso persistir, ir ao bom combate em defesa da vida, do direito que todos possuem de ser feliz. A vacinação acelerada é possível com a compra de vacinas o suficiente e o auxílio emergencial tem que ser retomado imediatamente – algo que vai ajudar no resgate da economia e, nomeadamente, os micro e pequenos empresários.

Conclui-se que precisamos de um presidente que governe para todos, e não que priorize os seus. Um genuíno Chefe de Estado, não de grupos faccionais. Carecemos de mais vacinas em massa e auxílio num valor digno para toda a população sofrida desse nosso Brasil. Necessitamos de mais pessoas que saibam dizer ‘não senhor’ quando momentos delicados como esse em que estamos cruzando solicita. Sairemos dessa!

Autor

Igor Salmeron

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