José Almeida Monteiro (1928-1982): Era um bom tipo, o meu velho

Um ano antes do falecimento de meu pai, em 1981, Altemar Dutra emocionava o Brasil inteiro com o lançamento do clássico “É um bom tipo, meu velho”, do LP “Eu nunca mais vou te esquecer”. Passados 40 anos, para além de saudades de José Almeida Monteiro, tenho a sua imagem em minhas memórias cada vez mais nítidas, seu cheiro de sarro, seu pigarro e seu sorriso franco, até mesmo a sua voz. Impossível não ouvir as canções de Dutra e não retornar àqueles primeiros anos de minha vida, entre 1974 e sua partida, com apenas 57 anos de idade.

Filho de Antônio Monteiro de Carvalho e de Alice Menezes Monteiro de Carvalho, José Almeida Monteiro nasceu no dia 21 de novembro de 1928, em Lagarto-SE, onde viveu sua infância, adolescência, tonou-se adulto e constitui família, com Maria Claudemira dos Santos Monteiro, aos 22 anos, tendo 12 rebentos, criando-se 7 destes. Dona Mira era filha de Raimundo Nonato dos Santos e Eutímia Benvinda dos Santos.

Não foi um homem de muitos estudos. Tinha apenas o Curso Primário completo, feito de forma particular com a professora Zizi. Porém, os testemunhos de seus contemporâneos dão conta de dizer que tinha um excelente domínio de matemática e falava o português de forma correta, sabendo portar-se em qualquer ambiente, dos mais cultos aos mais simples.

Dedicou-se, basicamente, a três tipos de atividade: ao desporto, ao comércio e à política. Antes de se tornar proprietário do Bar e Mercearia São José, entre as ruas Senhor do Bomfim e Mizael Vieira, trabalho de tudo um pouco. Era de origem humilde de família de agricultores e alguns, mais abastados, criadores de gado. Foi jogador de futebol amador entre os anos 40 e 60.

Como vereador por Lagarto, exerceu o mandato por três legislaturas, tendo ocupado várias vezes a ocupar os cargos de 1º secretário, presidente e líder do prefeito. Durante seu mandato, sempre lutou pelo povo, principalmente pelos menos favorecidos. Além de ter sido autor de inúmeros projetos de indicação para calçamento de ruas, títulos de cidadania, entre outros. Defendeu veementemente o funcionalismo público municipal.

Entre os traços de sua personalidade, a fidelidade para com os amigos, para o seu grupo político e também a habilidade de dialogar com situação e oposição. Ainda como vereador, acompanhou de perto as ações das administrações municipais de Dr. João Almeida Rocha e de José Vieira Filho. Trabalhou na candidatura do comerciante Artur de Oliveira Reis para a Assembleia Legislativa de Sergipe. Até seu falecimento, pertencia ao grupo Saramandaia.

Envolveu-se na campanha de Artur de Oliveira Reis para a Prefeitura de Lagarto, mas não chegou a vê-lo vitorioso, pois faleceu no dia 12 de janeiro de 1982, na cidade de Aracaju, em razão do agravamento de uma cirrose hepática aguda. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério Senhor do Bomfim, lotado de amigos, familiares e correligionários. Nas eleições daquele ano, sua memória política foi representada por seu filho mais velho, o professor José Cláudio Monteiro Santos, que logrou êxito como vereador, dando continuidade ao trabalho do pai até 1988.

Para além da síntese de um pai amado, que hoje teria 92 anos de idade, a representação de um homem público raro em nosso tempo, capaz de conciliar seus negócios e família com o bem público e o suprimento das necessidades do povo. Devo salientar que meu pai foi de uma geração em que vereador não tinha salário, apenas ajuda de custo, tão pouco se promovia financeiramente com o erário público.

Autor

Claudefranklin Monteiro Santos

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