Lição para o Brasil made in EUA

A recente invasão que aconteceu no último dia 06.01.2021 no Congresso dos Estados Unidos, realizada por manifestantes a favor de Donald Trump nos mostra de maneira bem clara o corolário que se produz quando um chefe do executivo resolve atacar de maneira ordenada basilares instituições da República. Enquanto deputados e senadores aventavam a confirmação eleitoral de Joe Biden, Trump esteve dedicado em solapar a confiabilidade do sistema eleitoral e ulteriormente, amortizar o acatamento aos outros poderes. Simultaneamente temos uma situação que nos exemplifica o que pode ocorrer por aqui, daqui a exatos dois anos, ao considerarmos que Bolsonaro acusa de forma assídua o sistema eleitoral brasileiro de ser fraudulento sem a mais ínfima prova.

Seus correligionários e estúpido séquito continuam mais do que nunca atacando as instituições, havendo até pedido para se fechar o Supremo Tribunal Federal com o aval do próprio presidente da República que vez ou outra incita tal impropério. Durante diversas semanas, assistimos os discursos abrasados de Trump, acusando as eleições de terem sido trapaceadas; o que transfundiu em seus seguidores a absurda ideia de que houvesse um golpe de Estado contra ele. Ao contrário do que o préstito de ignorantes pensa – temos aqui um retrato límpido do que é atacar descaradamente o regime democrático.

Qualquer semelhança com o nosso caso brasileiro não é mero acaso, isto é, assim como Donald, que foi derrotado nas eleições americanas e pôs a culpa no “fraudado” sistema eleitoral, Bolsonaro denigre a urna eletrônica com descabidos vitupérios. Essa teoria da conspiração se torna bastante útil para que possa ‘questionar’ no futuro o já vindouro resultado eleitoreiro em 2022, caso lhe seja adverso. Mais uma vez, devemos refletir, sobretudo, acerca da tétrica campanha de desinformação contra nosso sistema eleitoral, empreendida por bolsonaristas; um dado apontado pela pesquisa Datafolha, publicado no dia 03.01.2021 nos mostra que 23% da população deseja a volta do voto em papel, que como sabemos, é mais suscetível a fraudes.

O que está em jogo aqui é ficarmos atentos em enxergar como Jair vai edificando a sua inclemente narrativa imersa num objetivo maior. O exemplo dos EUA faz com que percebamos o poder destrutivo de declarações infundadas como essa, sem nenhuma prova advinda de uma falácia presidencial, e que recaem precisamente na fragilização das instituições. No vigente governo brasileiro, podemos exemplificar pelos seguintes pontos: tentativa de enfraquecer a Coaf, Procuradoria-Geral da República, STF, Polícia e Receita Federal, e demais órgãos de fiscalização e controle. A contra indicação de fazer o Brasil dobrar de joelhos de acordo com as vontades individuais recai numa população que desacredita no sistema eleitoral, nas instituições e em tudo aquilo que mantém sua vinculação como fortalecido país.

Para concluir, devemos rememorar que o Brasil possui instituições menos vigorosas que nos EUA; a invasão que aconteceu em terras americanas lega um irrestrito ensinamento para o nosso país se organizar para a próxima eleição presidencial. Por aqui, um sistema de democracia jovial, fragilidade institucional e alguns setores das Forças Armadas com relações indecorosas com o presidente, nos transmite o alerta de que podemos não ter uma conclusão amparada nos mais altivos princípios da República. Será que é tão complicado prever o que acontece quando um néscio belicoso é intensamente aborrecido? Fica para nós a resposta na prática cotidiana dos dias hodiernos e que se seguirão até a eleição de 2022. A importante lição para o Brasil made in EUA se torna uma valiosa pista.

Autor

Igor Salmeron

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