Lugar de criança, é na escola!

Com a chegada do Ano Novo e o tempo de volta às aulas, o movimento envolvendo escolas e pais se aquece em um cenário incerto envolvendo a segunda onda da Covid-19 em Sergipe.

Está bem claro que não há consenso no retorno presencial das atividades escolares entre os pais embebidos na ânsia que varia entre o medo da exposição e medo da falta de contato social e as consequências emocionais que esse isolamento pode ocasionar nos filhos.

A falta de dados científicos em relação ao comportamento da Covid 19 em crianças e o seu real papel na cadeia de transmissão da doença faz com que posicionamentos virem ideológicos, políticos e passionais. Mas, faz sentido abster as crianças da escola e expô-las em shoppings, lojas, aeroportos e tantos lugares ondem circulam adultos, os grandes vilões da epidemia?

A Ciência

A ciência nos diz pouco em relação as crianças. Alguns artigos relatam que elas podem sim transmitir o vírus mas sugere que numa intensidade menor que os adultos. Quanto maior a idade, maior a capacidade de transmissão sugere-se. Em relação ao adoecimento, crianças podem desenvolver sintomas , na enorme maioria das vezes muito mais brandos e com uma duração menor do que em adultos. Segundo membros da Sociedade Brasileira de Pediatria, não há dúvidas que ao contrário de agentes como influenza e o vírus sincicial respiratório transmitido principalmente por crianças, a Covid19 não as tem como alvo e as poupa de formas mais graves. Esses dados apesar de fracos são traduzidos na mortalidade. Segundo a SBP, 0,6 % dos óbitos por COVID 19 ocorreram em menores de 20 anos o que a torna numericamente uma doença de adultos.

Público x Privado

Assim como na saúde, o Brasil é dividido em dois sistemas educacionais, o público e o privado. As escolas particulares em sua maioria possuem estrutura para buscar programas de orientação, higienização e busca ativa de uma maneira muito mais objetiva que as escolas públicas que já sofriam pela falta de material humano e insumos básicos para higiene mesmo em situação normal.

Colocar as escolas públicas dentro de um programa que contemple medidas sanitárias anti-Covid é um desafio tão grande para o governo quanto ampliar o sistema de saúde para abranger o cenário da pandemia. Parece mais fácil simplesmente tirar as crianças do local onde mais deveriam estar. A sociedade moderna se sustenta e três pilares básicos : Saúde, Educação e Trabalho. Tratar a educação como um complemento dispensável é continuar negando seu valor e sua prioridade. Qual o limite ¿ Parece não haver…

A vacina

Muitos se pautam na vacina como única maneira de retornar a rotina de maneira segura.

Apesar dos ânimos estarem acelerados devido a apresentação dos resultados da vacina do Instituto Butantan , a previsão de uma vacinação em massa ainda está distante da nossa realidade  principalmente para as crianças que não estão em grupo prioritário em nenhum plano de vacinação. Atrelar o retorno das aulas à vacinação é condená-las a mais um ano padecendo das consequências do isolamento social e afetivo.

Volta ou não volta ?

Como a ciência não responde, a sociedade pode exigir e achar qualquer coisa. Pesquisa informal realizada em uma mídia social que contou com 340 participantes mostrou que 53 % das pessoas acham que as aulas devem retornar e 47% acham que não devem.

Não existe certo ou errado mas pode haver coerência das ações. Se há liberação para eventos presenciais, pode-se realizar uma aula seguindo os mesmos procedimentos. Se pode ir ao shopping, pode brincar no parque da escola.

Estamos banindo os menos acometidos pela pandemia e tornando-os as maiores vítimas sociais do nosso desconhecimento sobre a doença. Negar educação é como negar saúde, moradia ou alimentação. Educação é mais que tudo, essencial. Até semana que vem.

Autor

Paula Saab

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