- 15/02/2020 - 08:00

Malhador: imposição da situação pode resultar em vitória para oposição



Anderson Christian

christianjor@gmail.com

Quando a análise sobre as eleições 2020 se dá em relação a determinados municípios em que o colunista conhece gente que entende a fundo a realidade local, a coluna não se furta em buscar esse tipo precioso apoio da parte de quem tem conhecimento de causa sobre esta ou aquela cidade. E, por isso, mais uma vez se utiliza de uma das mentes mais privilegiadas sobre política que o colunista conhece, o estudante de publicidade itabaianense Junior Carvalho. Por ser de Itabaiana, lógico que ele tem alcance para analisar os municípios da região do Agreste sergipano como poucos. E a coluna desta edição contou com o apoio inestimável dele. Vamos aos fatos. Localizada no Agreste Central de Sergipe, a cidade de Malhador vê sua política tomando rumos que indicam a saída do poder do grupo que comanda os destinos do município desde 2012. Apesar de ter ocorrido uma retomada do poder no pleito de 2012, o grupo do líder político Dedé do Inhame não perdeu nenhuma eleição desde os anos 80. Não entendeu? Explicaremos na sequência. Em 2004, o líder político imbatível indicou o seu sobrinho, Elan Araújo, para a disputa pela Prefeitura Municipal. Meses depois de ser eleito, Elan rompeu com a própria família, montando o seu grupo para disputar a reeleição. Com a condução do então Governador Marcelo Déda, Dedé do Inhame aliou-se a Jadinho, que emergia na política como liderança e seria um dos candidatos naturais da oposição. Jadinho já liderava todas as pesquisas de intenção de voto e, para assegurar a vitória, Déda conduziu uma composição entre Jadinho e Dedé, que indicou a sua filha Elayne como vice na chapa. Vitorioso no pleito de 2008 e tendo Elayne como vice, Jadinho deparou-se com complicações na Justiça Eleitoral por estar com o seu título de eleitor cancelado, provocando eleições suplementares em dezembro do mesmo ano. Para não correr riscos, Jadinho substituiu o seu nome pelo da esposa, Sarina Faro, que se sagrou campeã nas urnas, confirmando o resultado anterior. Tendo uma gestão conturbada pelo rompimento político com a família de Dedé do Inhame, Sarina não governou bem e concorreu, em 2012, contra sua própria vice, Elayne, que venceu o pleito e retomou o poder novamente para o comando da sua família. Em 2016, Jadinho entrou na disputa novamente e perdeu pela menor margem de votos da história de Malhador. E, nessa eleição, aconteceu algo com Jadinho que não é incomum na trajetória de muitos políticos: depois do pleito, ele praticamente “quebrou”, chegando a cogitar a possibilidade de mudar de cidade, de ir com a família para Aracaju, enfim, de recomeçar a vida em um novo lugar. Pois bem, a população, especialmente os amigos de Jadinho, decidiram que ele não poderia fazer isso e, com a ajuda de cada um deles, foi montada uma distribuidora de gás e água mineral para ele, fazendo com que Jadinho se mantivesse na cidade e, com isso, se tornasse um fortíssimo candidato para suceder Elayne de Dedé em 2021. Para 2020, Elayne conta com nomes que possuem uma boa aceitação popular, como é o caso de Floro Júnior, que já passou pela secretaria de Obras da cidade. No entanto, uma vertente interna do grupo insiste no nome de Givaldo Neto, sobrinho da prefeita, para disputar com Jadinho nas urnas. A insistência de Elayne pelo nome de Givaldo poderá resultar numa amarga derrota nas urnas, a primeira depois de anos de hegemonia nem sempre administrativa, mas sempre nas urnas. Todo o desenrolar da história política malhadorense nos últimos anos, especialmente a ascensão e queda de Jadinho, ainda que ele não tenha ainda tido a oportunidade de governar, levam a crer que a oposição ao grupo de Dedé do Inhame conseguirá, através do próprio Jadinho, encerra o ciclo de vitórias nas urnas da antiga liderança. Se isso acontecer, caberá ao vencedor demonstrar que, em termos administrativos, também é capaz de superar o histórico do grupo de Dedé, valendo, para isso, ressaltar que as duas gestões de Elayne foram exitosas, especialmente quando se leva em consideração a grave crise financeira que atingiu o País nos últimos anos e que se fez sentir ainda mais pesada em municípios de pequeno e médio porte, com quase nada de arrecadação própria, como vem a ser exatamente o caso de Malhador. Jadinho, portanto, pode estar diante da chance de sua vida política, mas que lhe cobrará, em caso de vitória, muita obstinação, dedicação e resultados em termos administrativos. A conferir.

Ele é o assunto!

O observador da política “nossa de cada dia” mais atento já deve ter percebido algo que o colunista não resiste a comentar: esse período pré-eleitoral está repleto de “ondas”, chamemos assim. Dessa forma, temos uns dias com um determinado tema dominando o noticiário, depois outro, logo em seguida surge mais um e assim sucessivamente. Arriscando um palpite, a coluna diria que o efeito redes sociais, maximizado, tem parcela de responsabilidade por esse fenômeno. Mas, em determinadas situações, o fato em si é que ´se impõe. Caso, agora, da decisão do TRE/SE de não permitir que o deputado estadual Gilmar Carvalho se desfilie de seu atual partido, o PSC, e siga seu caminho, inclusive sendo candidato a prefeito de Aracaju.

Ele é o assunto! 2

Em resposta a sua “não-liberdade” partidária, Gilmar falou ao NE Notícias e a coluna reproduz. “Como NE Notícias informou, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe decidiu nesta sexta-feira, 14, por seis votos a zero, indeferir o pedido de autorização do deputado estadual Gilmar Carvalho para deixar o PSC sem risco de perda de mandato. Há poucos instantes, Gilmar informou que recorrerá da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral. “Recorrerei ao TSE. Sou pré-candidato a prefeito de Aracaju”.” A coluna, humildemente, entende que decisão judicial não se discute, se cumpre. Mas, por outro lado, fica difícil compreender as razões que impedem Gilmar de se desfiliar e ponto. Fidelidade partidária, poderão argumentar os mais entendidos no assunto. Mas só que aqui entra uma outra questão: Gilmar quer ser candidato, o PSC não quer lançar candidatura. Esse impasse, na boa?, seria resolvido se a própria Justiça não tivesse barrado a possibilidade de candidaturas independentes, sem filiação partidária obrigatória. Em momentos assim, vem a grande pergunta: afinal, que democracia é essa?

Cinquentão

O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) está próximo de completar exatos 50 anos desde a sua sessão de instalação, em 30 de março de 1970. Para celebrar a data, a instituição promoverá um evento técnico com nomes de destaque, a exemplo do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro José Múcio Monteiro, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; e do ministro emérito do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto. O Congresso Comemorativo “TCE 50 anos – Equilíbrio Fiscal das Contas Públicas como Indutor de Efetividade de Boa Gestão”, ocorrerá de 25 a 27 de março, no auditório da Corte de Contas, tendo como público-alvo membros e servidores das Cortes de Contas, bem como dos três poderes e representantes da sociedade civil.

Não causou!

O ex-prefeito de Areia Branca, Sousa (PSB), rompeu com Zé Ailton (PL) e irá encarar uma candidatura própria, na disputa com Alan de Agripino (PSD). Acontece que Sousa esqueceu de combinar com o seu eleitorado, que têm aversão ao grupo de Agripino e enxerga somente Zé Ailton com reais condições de eleger-se prefeito, tirando do poder o grupo que vence as eleições desde 2008. Inteligentemente, Zé Ailton não se manifestou de forma a censurar a decisão momentânea de Sousa. Isso, portanto, pode e deve ser levado em consideração mais tarde, quando a campanha estiver mais próxima, né isso?

Solidariedade irrestrita

Além de conhecer e saber o grande profissional que ele é, o colunista faz questão de se solidarizar irrestritamente com o jornalista e radialista Carlos Ferreira, atualmente secretário de Comunicação de Socorro, por conta de uma coisinha básica, mas muitas vezes deixada de lado: a ética. É que Carlos Ferreira tem sofrido ataques, provavelmente oriundos de oposicionistas da gestão em que ele trabalha, de um baixo nível absurdo. Utilizam áudios captados de forma ilegal, exibindo trechos sem nenhum contexto, apenas para macular a imagem do profissional. Quem ouve e tem um mínimo de sensibilidade e apuro, percebe que não passam de conversas daquelas bem informais, daquelas em que qualquer pessoa fala impropérios, mas sem nada que, de fato, denote alguma gravidade em relação a Carlos ou ao seu trabalho. Mas o que incomoda, como já dito, é a falta de ética em diversos níveis: dos que gravaram as conversas, verdadeiros canalhas e, pior ainda, criminosos também, e dos que produzem e espalham esse tipo de conteúdo nefasto. A onda fake nessas eleições, como constantemente alertado aqui na coluna, tem que ser severamente punida. E a Carlos Ferreira, uma só palavra basta: força! Esse tipo de situação ridícula passa, amigo. Já aqueles que se utilizam desses artifícios espúrios, seguramente nem ficam!

FRASE

“Temas como corrupção, má gestão, transparência, com destaque para o controle das políticas públicas”

Luiz Augusto Ribeiro, pres. do TCE/SE

Sobre debates que acontecerão nos 50 anos do órgão