Eu o via sempre concentrado no computador, o texto se mostrando em parágrafos longos. A cena se repetiu diversas vezes. Pensei se cuidar de trabalho atinente ao curso jurídico. Finalmente, perguntei de que se tratava. De um romance, a resposta. A minha tentativa de ler algum trecho se esbarrou numa frase curta: só depois de concluído. Estava sacramentado o decisório, instância esgotada, sem direito à interposição de recurso ou sugestão. Tirei assim o cavalo da chuva. Aguardei.
Concluído, impresso em casa de cópia, foi dado a mãe a primazia de ser a primeira leitora com o direito de catar as pedras. De caneta na mão, assinalou o que achava oportuno excluir. A mim, de quando em quando, um comentário silencioso: o texto se revelava maduro e interessante. Estava impressionada, deixando jorrar alguns elogios. Foi chegado a minha vez. E lá vou eu a sorver página por página, capítulo por capítulo, assinalando alguma pedra que passou despercebida, a curiosidade me encharcando a cabeça. Faltando trinta páginas, li o final. Retornei a leitura, ciente do que ia acontecer.
Diagramação operada pelas mãos de quem domina a matéria, já com a experiência de vários livros – Adilma Menezes -, que formulou a capa, adotada pelo autor, deixando de lado a sua. Daí a busca de orçamentos, livro sendo impresso, lançamento para o dia 16 de abril, a partir das dezessete horas, na Escariz da Av. Jorge Amado.
Refiro-me ao Homem Odioso, de Pedro Gonçalves de Carvalho, meu filho, escrito aos vinte e um anos (fez vinte e dois com o livro já sendo impresso), mesma idade com que lancei meu primeiro livro, de contos: Quando as cabras dão leite. A diferença é gritante: o meu, oito contos curtos. O de Pedro, um romance – que nunca consegui produzir -, com trezentas e sessenta e uma páginas, verdadeiro roteiro para filme policial, as cenas principais ocorridas em Aracaju, umas poucas, em Itabaiana, se estendendo até à Praia do Saco, narrativa estável do início ao final. Não vou dar nota. Apenas estimular todos para a sua leitura a fim de cada um atracar na sua própria conclusão. Desafio lançado.