Primeiro no Pódium

Imagine um dia como outro qualquer, você palpa um gânglio diferente no pescoço, percebe uma área mais endurecida na mama, um sangramento ao tossir ou uma alteração em um exame de rotina. São situações como essa que acontecem com mais de 19 milhões de pessoas por ano no mundo todo e levam ao diagnóstico de um câncer.

Câncer, esse termo pesado e que traz uma conotação de sofrimento e tristeza considerada como uma sentença de morte é um símbolo que representa uma gama enorme de doenças de órgãos e sistemas que possuem origens diferentes, tratamentos diferentes e resultados diferentes.  Só o pavor é o mesmo.

A origem

A origem dos diversos tipos de tumores, sejam sólidos ou não, tem sido amplamente pesquisado há muitos anos. Para alguns temos respostas mais claras, para outros seguimos na obscuridade. O tabagismo por exemplo, é um enorme fator de risco para câncer de pulmão, mas também há câncer de pulmão em não fumantes. O porquê segue como um grande mistério cuja resposta será encontrada conforme vamos entendendo melhor a genética humana e suas múltiplas formas de manifestação. O que percebemos em métricas é que a cada ano aumentam os números relacionados a incidência dos diversos tipos de câncer, alguns mais que outros.

Ultrapassagem

Líder absoluto de incidência e de mortalidade, o câncer de pulmão foi ultrapassado pela primeira vez pelo câncer de mama em números absolutos de casos novos. A estimativa do Globocan 2020 anunciada essa semana pela OMS é que houve 2.261.419 de casos novos de câncer de mama e 2.206.771 casos novos de pulmão deixando pela primeira vez o câncer de mama como o mais incidente do mundo. Imaginando que enquanto o câncer de pulmão é uma doença que acomete os dois sexos e o de mama é relativamente raro no sexo masculino conseguimos enxergar a vulnerabilidade a que as mulheres possuem atualmente em desenvolver o câncer de mama principalmente nos 87 países onde ele é o mais incidente.

A verdade

Essa ultrapassagem virou notícia no mundo todo ainda mais quando se pensa no Dia Mundial de Combate ao Câncer, que aconteceu essa quinta-feira. A mídia divulgou essa informação, os governos se manifestaram, todos juntos no combate ao câncer. Esse combate que eu gostaria de entender. Não há razão objetiva para o aumento do número de câncer de mama. Supomos que o aumento populacional atrelado ao envelhecimento da população poderia explicar a linha sempre ascendente dos gráficos de incidência. Talvez não seja tão simples assim. Inúmeros estudos tem sido publicados relacionando sobrepeso e obesidade a aumento do risco da doença, mas não vemos a sociedade se organizar no sentido de mudar alguns hábitos alimentares e de rotina permitindo uma dieta saudável e estimulando a prática de exercícios físicos. Sim, isso é sempre falado. Quero ver produtos orgânicos serem mais baratos que os não orgânicos. Quero ir a uma lanchonete e ter um lanche criativo e natural e não uma coxinha pingando fritura. Quero que uma boa feira custe mais barato que um pacote de arroz e macarrão. O que falamos na TV é impraticável para pelo menos 80 % da população brasileira e talvez menos ainda mundo afora.

Felizmente, o câncer de mama agora ocupa o primeiro em incidência  mas segue em quinto quando falamos de mortalidade. Muitas mulheres se curam principalmente quando diagnosticadas precocemente.

O trabalho de combate ao câncer tem que envolver mudanças estruturais na sociedade e deixar de ser somente um dia de lembrança sobre as doenças. Temos que entender a dimensão do problema e deixarmos de ser meros constatadores e sermos transformadores, cada um dentro de seu alcance individual e principalmente social.

Até semana que vem.

Autor

Paula Saab

Outras Notícias

voltar para página inicial