- 14/09/2019 - 17:50

Procurando a cura

Diariamente nos damos  com noticiários divulgando novas drogas que possibilitam tratamentos mais eficazes  e novas medicaçõe lançadas para doenças que não eram devidamente tratadas. Geralmente comemoramos a novidade como um feito relativamente simples , mas há um longo caminho a ser percorrido antes da medicação ser aprovada e liberada no Mercado.

O Brasil, atualmente a a sétima economia do mundo, é responsável por ínfimos 3 % de dados de pesquisa clínica no desevolvimento de novas medicações. Triste realidade.

Para todo ensaio clinico é necessário que o participante tenha prévia explicação da função da nova droga, explicação do possível novo tratamento, explicação dos possíveis riscos ao novo tratamento e, principalmente, do aceite do participante, o que chamamos de TCLE (termo de consentimento livre e esclarecido).

Longa estrada

Esse caminho a ser percorrido faz parte dos ensaios clínicos, um conjunto de procedimentos para investigação das novas moléculas, com o objetivo de garantir a tolerabilidade, mínimos efeitos colaterais, eficácia no tratamento e maior sobrevida dos pacientes. Antes mesmos dos ensaios clínicos,  ocorrem o que chamamos de pesquisas pré-clínicas que irão definir a molecula, o seu alvo e a doença que se beneficiará. As pesquisas pré-clínicas ocorrem dentro de laboratórios com testes in vitro, algumas vezes com células e até mesmo com animais. Após a comprovação de detalhamento do sucesso dessa moléculas no laboratório os pesquisadores estão aptos para os ensaios clínicos. Em resumo os enaios clínicos, no mundo e também no Brasil, precisam de três fases muito bem definidas para serem devidamente documentados.

As fases

Na primeira fase o objetivo é identificar a dose correta  e com menor efeito colateral. Neste momento são necessários poucos voluntarios (até 100) e ainda não é necessária a participação de pessoas acometidas pela doença pesquisada.  Essa fase é importante pois é nela que se define a dose que será utilizada nas fases subsequentes e até mesmo no tratamento. Na fase 2, já são tratados pacientes doentes, o número de participantes aumenta (até 200) e começa-se a observar a eficácia da nova droga e novo tratamento. Ainda assim o objetivo principal são os possíveis efeitos colaterias. Na fase 3, é onde de fato vamos comparar a nova droga ao medicamente padrão atual de uma doença. Sim, nos dias de hoje não é comum encontratar pesquisas onde a nova droga é testada comparando com placebos ou pílulas de farinha. Essas comparações só ocorrem quando não havia tratamentos disponíveis para a doença. Ainda na fase 3, observa-se a eficiência em pacientes doentes, os efeitos adversos e principalmente a maior sobrevida dos participantes. Após todos esses passos  se houver resultado positivo, uma nova droga pode ser aprovada. Em media este percurso pode durar mais de 10 anos e custar até 800 milhões de dólares.

Permitindo acesso

Os ensaios clínicos são a estrada em busca da cura de inúmeras doenças, inclusive o câncer de mama. Esses estudos são na sua enorma maioria, custeados pela industria farmacêutica que possuem obviamente um interesse comercial no desenvolvimento de novos produtos. Como o investimento é extremamente alto, essas medicações são lançadas a preços igualmente exorbitantes.  Num país dessasistido como o nosso, a popularização da pesquisa clínica poderia garantir acesso a tratamento e novas drogas caso houvesse interesse do paciente em participar. Os centros que realizam pesquisa devem ter um estrutura mínima e apresentar conceitos de qualidade que sem dúvida beneficiariam também os pacientes. O assunto é polemico, mas vale a discussão.

Como inserir o Brasil

Nosso país merece lugar de destaque no cenário mundial da pesquisa. Temos grandes mentes cientistas brasileiras com capacidade incrível de desenvolvimenro de novos projetos. Precisamos criar a cultura da pesquisa nas inúmeras faculdades que vem sendo abertas, e reacender a chama nas nossas tradicionais instutuições que vem tanto sofrendo por falta de investimento e verba para estudos. A pesquisa, seja na forma de ensaio ou não, sempre fomenta conhecimento e tecnologia onde é praticada.

Até semana que vem!