- 15/08/2019 - 10:00

Rogério Carvalho precisa mostrar serviço



Corria o final dos anos 1990, o parlamentar sergipano mais vistoso em Brasília era Marcelo Déda, que, inclusive, conseguiu alcançar a liderança da oposição. Surgia ali o nome que, depois, como todos sabem, marcou história na política sergipana. Como força emergente do PT no plano nacional, com discursos bem colocados e posicionados, Déda se projetou em Sergipe também, pois quem não se orgulhava de ver no parlamento alguém de rara oratória, que combatia de forma firme o então governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas que se impunha pela ação parlamentar como alguém a ser respeitado, inclusive pelo mesmo governo que ele combatia. Neste 2019, de tantas atribulações, outro nome petista carrega em si as expectativas de um mandato daqueles de dar gosto ao nosso povo. Trata-se do senador Rogério Carvalho, indiscutivelmente o maior nome do PT sergipano. Só que, até o momento, o mandato de Rogério não encheu os olhos da população como um todo, embora deva agradar aos… …petistas. Mas, é justamente disso que estamos falando: Rogério não é o saudoso Déda e nem quer ser. Só que em seu mandato de deputado federal, Déda falou para toda a população, e não apenas para seu nicho partidário. Claro que, naquela época, com um FHC na presidência, a interlocução era facilitada até pela qualidade intelectual do então presidente. Na atualidade, com Jair Bolsonaro (PSL) na cadeira de Presidente, não há mesmo que se esperar por interlocução. E nem se trata de uma questão intelectual, mas sim de estratégia mesmo. Bolsonaro não está presidente para o debate, o diálogo. O negócio dele é soltar bordoadas contra seus adversários e ponto. Assim, para Rogério Carvalho, o cenário fica escaço, os espaços ficam menores, pois não há muito o que se discutir com quem não quer discussão sob nenhuma hipótese, né não? Por isso que há uma certa decepção com o desempenho de Rogério, uma vez que ele acaba só falando para seu nicho partidário, aceitando o fajuta “nós contra eles”, que, na verdade, é uma proposta que agrada demais o staff bolsonarista. Dessa maneira, o senador petista cai na armadilha e tem passado seu mandato, ao menos até o momento, com o “samba de uma nota só” no ataque ao governo de Bolsonaro. E as grandes discussões nacionais? E projetos de relevância e interesse público? E um discurso mais abrangente, que atenda não só aos petistas, não só aos seus eleitores, mas a toda sociedade? E, o principal: cadê uma defesa mais firme dos interesses sergipanos lá pelas bandas do Senado? Rogério Carvalho é um cabra de rara inteligência. E seu mandato está apenas no começo. Se corrigir rotas, tem tudo para se destacar. Se não, vai seguir nessa balela de “nós contra eles”, que, cá pra nós, já encheu o saco…

Eis um exemplo

Em relação ao comentário acima, vale ressaltar a postura do senador Alessandro Vieira (Cidadania). Por mais que seus adversários tentem colar nele a pecha de “bolsonarista”, posições contrárias ao governo central dão o norte de sua independência. Mas nem por isso Alessandro fica de fora de temas muito importantes, como a recente decisão de flexibilizar mais a utilização de bens apreendidos no combate ao tráfico de drogas. Ou seja: dá para fazer muita coisa importante, independente do posicionamento político.

Eis outro exemplo

Certo que a senadora Maria do Carmo é do DEM e, por sua vez, o DEM faz parte da base governista – ainda que, volta e meia, fique às turras com Bolsonaro e sua turma por conta do comportamento dos presidentes das Casas, Rodrigo Maia, Câmara, e David Alcolumbre, Senado. Mas é importante reconhecer que Maria vai em busca de temas nacionais vigorosos. Não à toa ela está na Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher. Tá vendo que tem como fazer mais e melhor com o mandato que se possui?

Tá no caminho

Olha só como o colunista reconhece os esforços, quando eles de fato são feitos: legal demais ver a notícia de que o governador Belivaldo Chagas (PSD) esteve em Recife/PE, em visita oficial ao consulado chinês na capital pernambucana. Busca por parcerias esteve na pauta do encontro com a cônsul chinesa, Yan Yuqing. Lógico que Belivaldo não sai de lá com negócios fechados e tal. Mas é aquele tipo de notícia positiva que mostra os esforços sendo feitos. E é isso que é bem legal. E reconhecido pela coluna, né isso?

Cobrança certeira

O quase xará do colunista, vereador Anderson de Tuca (PRTB) tocou num ponto importantíssimo: lembrou que o ex-prefeito João Alves, em seu último mandato, concedia incentivos para que empresas se instalassem em Aracaju. O intuito não era facilitar a vida do empresariado, mesmo que isso ocorresse, no final das contas. Mas a contrapartida era muito proveitosa: maior geração de emprego e renda para a população. Tá na hora dos atuais governantes, seja no Estado, seja nos municípios, pensarem por esse viés também.

Ritmo intenso

O colunista trabalha na Comunicação de Estância, como já deixou claro aqui neste espaço. Por isso evita comentar as disputas políticas locais, para não parecer que legisla em causa própria. Mas tem horas que não dá para segurar: o prefeito Gilson Andrade (sem partido) saneou o município, paga em dias servidores, fornecedores e prestadores de serviço, governa uma das sete cidades sergipanas que deram aumento aos servidores em todos os anos da atual gestão e vem fazendo obras, ainda que num ritmo mais ameno por conta dos ajustes nas finanças. E agora que consegue acelerar o montante de obras na cidade, a oposição diz que são obras eleitoreiras? A mais de um ano das eleições? Pera lá, oposição. Para que tá feio isso!