Ser mãe é mais do que um título

Ser mãe é uma vocação, uma função sublime, dentre as muitas funções e atividades que Deus entregou à mulher. Ser mãe é uma função exclusiva da mulher, só pertence a ela.

Homem e mulher podem fazer muitas coisas, ser cônjuge, inclusive. Homem pode até ser pai, mas ele nunca poderá ser mãe, nunca poderá gerar filhos.

É por isso que Paulo em 1 Timóteo 2.15 vai dizer que a mulher será salva dando a luz à filhos. Paulo não está apresentando nenhum ensino sobre a salvação individual da mulher, ele apenas está tratando daquilo que já no Gênesis havia sido afirmado. Deus prometeu a Adão e Eva que da semente da mulher viria o Salvador (Gn 3.15), e com isso, Paulo destaca que a principal função que uma mulher pode exercer é o ser mãe.

As santas mulheres do passado diziam: “Dai-me filhos, senão eu morro” (Gn 30.1); as mulheres de hoje dizem: “Não me dê filhos, senão eu morro”.

Os filhos são herança do Senhor, são dádivas, bênçãos. Além disso, são flechas nas mãos de um guerreiro, o que significa que não são apenas um presente, mas também proteção (Sl 127.4-5). Infelizmente, muitos filhos não conseguem compreender esse papel, se encantam com a vida e com as possibilidades que a vida traz e esquecem de uma das grandes responsabilidades que Deus nos entrega como filhos: a responsabilidade de devolver à mãe a proteção e o cuidado que recebemos.

Um dia fomos alimentados e protegidos por nossa mãe, e pela graça e misericórdia de Deus, crescemos, elas envelheceram, então, cabe a nós, como filhos, honrar os nossos pais. Somos as flechas afiadas do arco que agora precisam proteger a mãe.

Isso é tão incrível e verdadeiro que o Novo Testamento vai ser enfático ao dizer que os filhos precisam colocar sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido dos seus pais e avós, pois isso agrada a Deus (1 Tm 5.4).

Lamentavelmente, para o mundo de hoje, filhos atrapalham e pais idosos também atrapalham. É por isso que temos tantos abrigos e asilos lotados.

Mas a Palavra do Senhor corrige nossas atitudes e nos orienta a olhar para Cristo, para que sigamos os seus passos.

Quero convidá-lo a olhar para Jesus no momento mais alto de sua agonia e dor, no ápice do seu sofrimento. Ele não olhou apenas pra si, mas com olhar de ternura, ele viu a sua mãe e demonstrou amor e cuidado.

O evangelho de São João 19:26-27 diz: “Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: “Aí está o seu filho”, e ao discípulo: “Aí está a sua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa.”

A cena nos mostra a dor de uma mãe vendo a morte de seu filho. Maria foi agraciada, escolhida para ser a mãe do filho de Deus, teve o maior de todos os privilégios. Amamentou e teve em seus braços o Deus encarnado. Porém, para ela também foi reservada a maior de todas as tristezas pois ela viu o seu filho ser morto numa cruz.

O que Maria enfrentou naquele momento não é muito diferente da experiência de muitas mães que perderam os seus filhos. Certamente, não há maior alegria para uma mulher do que gerar um filho, da mesma forma que não há maior tristeza para uma mãe do que enterrar um.

Que alegria gloriosa e que tristeza perturbadora. Mas veja, há um consolo e uma esperança.

Maria viu o seu filho ser morto na cruz e sepultado, afim de que todas as outras mães – e seus filhos –, ao  olharem e crerem no filho de Maria recebam a vida eterna. Em Cristo, mães e filhos se reencontrarão.

Essa foi a fé de Maria, que como pecadora, precisou de um Salvador, assim como todas as outras mães precisam da mesma fé no Senhor Jesus.  Como Diz o Profeta Jeremias 31.15-17: “Assim diz o Senhor: “Ouve-se uma voz em Ramá, pranto e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem”. Assim diz o Senhor: “Contenha o seu choro e as suas lágrimas, pois o seu sofrimento será recompensado”, declara o Senhor. “Eles voltarão da terra do inimigo.  Por isso há esperança para o seu futuro”, declara o Senhor. “Seus filhos voltarão para a sua pátria.”

A cena ainda demonstra a preocupação do Senhor de não deixar a sua mãe desamparada. Jesus pede para seu discípulo amado cuidar de Maria. Ele queria que João cuidasse de sua mãe como sendo a sua própria mãe. Cristo se preocupou com Maria e providenciou para ela cuidado e proteção. Ele cumpriu até a morte o quinto mandamento, de honrar Pai e Mãe. E esse “honrar” é muito mais que obediência, pois envolve amor, afeição, respeito, cuidado e gratidão.

 O Senhor pediu para que, a partir daquele momento, sua mãe tivesse João como seu filho e que João cuidasse de Maria como sua mãe. Esse pedido de Jesus nos faz lembrar de como podemos ser pais, mães e até mesmo filhos, uns dos outros, seja no sentindo espiritual, onde na comunidade cristã, somos chamados à cuidar uns dos outros, ou até mesmo, no sentido da adoção, de levar para casa e passar a amar, como filho, uma criança que não foi dada por Deus pelo ventre. A adoção é uma das mais lindas atitudes que nos fazem parecer com Deus, pois por meio da obra de Cristo, não apenas encontramos perdão para os nossos pecados e salvação para nossa alma, mas também encontramos uma casa, e mais do que isso, descobrimos Deus como nosso Pai.

Então, seja você mãe de filhos biológicos ou não, de filhos vivos ou que já partiram, olhe pra esse relato bíblico e veja que belo chamado e função o Senhor te confiou – é muito mais que um título. Maria entendeu seu chamado e regozijou-se na esperança do evangelho, e você também, seja qual for sua realidade hoje – de luto, alegria, gratidão ou dor –, lembre-se  que o Senhor é contigo e não te deixará desamparada. Ele cuida, protege, sustenta e capacita.

Domingo passado comemoramos o dia das mães, e talvez você foi elogiada, mimada e bem cuidada por seus filhos. Talvez, essa seja uma realidade distante ou você só desfruta disso no “dia das mães”. Com isso, quero chamar cada filho a olhar para Cristo e seguir seu exemplo, se arrepender e aprender com Ele. Mas especialmente, quero chamar cada mãe a olhar para Cristo, e encontrar nEle pleno cuidado, compaixão e graça. Ele é a nossa esperança, na vida e na morte.

Autor

Pr. Márcio André

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