Simão Dias por Jorge Luiz Souza Bastos

A sensação que tenho toda vez que vou à cidade de Simão Dias é a mesma. Além de me sentir acolhido e em casa, testemunho inúmeras experiências de salvaguarda do patrimônio arquitetônico de um lugar, sem que estes, necessariamente, estejam sob a proteção oficial de um governo. O povo simãodiense dá provas incontestáveis de educação patrimonial e até mesmo de zelo pela coisa pública. Aliás, por falar em zelo, meus cumprimentos ao prefeito Cristiano Oliveira. Da entrada da cidade ao centro, onde fica a bela e bucólica Matriz de Senhora Sant´Anna, vê-se limpeza, organização e obras, muitas obras. Placas não faltam e as do Governo de Sergipe, então. Confesso que fiquei com uma certa “inveja”, em particular quando lembro do abandono do Grupo Sílvio Romero, em Lagarto, que segue à espera de uma reforma e restauração.

A minha relação com Simão Dias tem mais de 30 anos. Vem da época de estudante no Colégio Estadual Abelardo Romero Dantas, em Lagarto, quando tive inúmeros colegas de lá, tendo feito amizade com alguns deles, cujos nomes não gostaria de citar, para não cometer a injustiça de esquecer. Depois no Curso de História da UFS e de minha passagem pela Faculdade José Augusto Vieira. Sem falar dos trabalhos que já publiquei e dos eventos que já promovi em torno da memória de monsenhor João Batista de Carvalho Daltro (1828-1910). Além do fato de hoje eu ocupar uma cadeira na Academia Sergipe de Letras, nº 28, que fora do desembargador Artur Oscar de Oliveira Déda (1932-2018).

Recentemente, tive a satisfação de prefaciar o livro do professor e historiador Jorge Luiz de Sousa Bastos: “Memórias do Legislativo Municipal – os primeiros “homens bons” da Câmara Municipal de Simão Dias” (2022). Filho de Enoque Leopoldino Bastos e Maria de Lourdes Souza Bastos, professor Jorge nasceu no Povoado Lagoa Grande, em Simão Dias, onde vive até a presente data, passando grande parte do tempo no centro. Ali, fez o Primário, no antigo Grupo Escolar Carlos Alves, hoje desativado, seguindo para a Escola Estadual “Dr. Milton Dortas” (onde fez o Científico e o Magistério”. É graduado em Licenciatura Plena em História, pela Universidade Federal de Sergipe, quando havia o PQD – Secção Lagarto/SE, concluído em 2002, tendo como sua orientadora a Profª. Drª. Terezinha Alves Oliva.

Jorge Bastos é professor da Rede Municipal de Educação de Simão Dias, desde 1997, com passagens pela rede estadual por duas vezes e pela Uniube (Universidade de Uberaba/MG), exercendo a função de preceptor da turma de História e atendendo alunos na região de Lagarto/SE e Fátima/BA. O gosto pela pesquisa histórica se deve à professora Terezinha Alves Oliva, que o estimulou a se dedicar mais à História de Simão Dias, sobretudo depois que ele teve acesso ao livro “Vila de Santo Antonio de Itabaiana”, de Vladimir Souza Carvalho, quando gostou do esboço biográfico deste sobre o vaqueiro Simão Dias.

“Memórias do Legislativo Municipal – os primeiros “homens bons” da Câmara Municipal de Simão Dias” e “As enfermidades dos séculos em Simão Dias”, também deste ano, são os primeiros livros de uma série que o historiador Jorge Bastos promete para os próximos anos, deslindando ainda mais a saga do povo simão-diense. No primeiro, ele trata da formação da Vila de Simão Dias e da instalação da Câmara Municipal, assunto inédito tratado por pesquisadores da cidade, devido à dificuldade de se encontrar documentos escritos nos arquivos. Neste livro, ele fez uma pequena biografia dos primeiros vereadores, falou das casas onde funcionou a Câmara e das querelas políticas entre os senhores de terras, lideranças liberais e conservadoras, que atuaram na Vila até o advento da República e seus herdeiros políticos.

O segundo nasceu num contexto de COVID-19, o que levou o autor a se dedicar a saber como, em outros tempos, Simão Dias enfrentou e superou problemas sanitários, notadamente entre os séculos XIX e XX, a exemplo da Cholera Morbus, da Varíola e da Influenza espanhola. As duas obras foram publicadas com o aval do seu conterrâneo, o governador Belivaldo Chagas, pela EDISE / SEGRASE – Serviços Gráficos de Sergipe. Pela mesma editora, Jorge Bastos teve uma participação no livro “Simão Dias – História e Tradição”, organizada pelo imortal da Academia Sergipana de Letras, Amaral Cavalcante, com o capítulo “Tempos áureos da nossa cidade: A burocratização da Villa de Senhora Sant’Ana – Século XIX”.

Atualmente, Jorge Bastos está envolvido na criação do Centro de Memória Digital de Simão Dias, um projeto do Governo de Sergipe, em parceria com o Instituto Banese, que se refere à reforma de um prédio centenário da Avenida Coronel Loyola, sob a idealização e supervisão do arquiteto Ezio Christian Déda de Araújo. Jorge compõe uma comissão responsável pela elaboração de texto e catalogação de fotografias e histórias e de personalidades, formada ainda pelos professores Dênisson Déda de Aquino, Edjan Alencar Santana Almeida, Amanda de Oliveira Santos e Joaldo Morais dos Santos (todos eles meus amigos) e coordenada pela curadora responsável, a professora Josevanda Mendonça Franco.

O Centro de Memória Digital de Simão Dias ainda contará com uma cafeteria, auditório, Centro Cultural, lanchonete e palco, graças à parceria com a Prefeitura Municipal, cedendo o antigo Mercado Municipal para complementar a obra, que está prevista para ser inaugurada em dezembro de 2022. Enquanto isso, o Grupo Escolar Sílvio Romero, em Lagarto, fundado em 1923, segue agonizando… Parabéns, gente boa e trabalhadora simãodiense! Parabéns, professor Jorge Bastos!

Autor

Claudefranklin Monteiro Santos

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