- 01/11/2019 - 10:00

Simone em Riachão e a dureza da realidade



A cidade de Riachão do Dantas vive fortes emoções neste ano da graça de 2019. Primeiro o afastamento da prefeita eleita em 2016, Gerana Costa (PTdoB). Com isso, como seu vice também foi cassado, Gerana acabou substituída pelo vereador Pedro da Lagoa (PT), presidente da Câmara de Vereadores de Riachão, que ficou alguns meses no cargo. Na sequência, eleição suplementar em 1º de setembro que teve vitória de Simone de Dona Raimunda (PCdoB), que assumiu no dia 19 do mesmo mês e iniciou sua gestão automaticamente. Assim, haja emoção, né não? Pois bem, vai vendo que tem mais: nesta quinta, 31, a gestão de Simone apresentou um relatório completo da situação encontrada. Uma tragédia, como diria o ex-prefeito de Simão Dias, Zé Valadares. Cerca de R$ 4 milhões em dívidas e muitos outros problemas que, de certa forma, eram até previsíveis. E há uma explicação para isso que ultrapassa o campo político. A questão é que, de forma objetiva, não há administração pública que resista a tantas mudanças sem sequência. E por isso mesmo que não se trata de uma questão meramente política. É que Gerana tinha seu jeito de governar, Pedro teve o seu e, agora, Simone aplica a fórmula que acha mais correta para tocar a prefeitura da cidade. E isso em menos de um ano? Não tinha como não dar em – perdoem a escatologia – merda! Veja só: gestão pública já não é para amadores, pois é complexa, cheia de regras e mecanismos de controle, externos e internos. Dessa forma, a variação constante de gestores impõe uma obviedade: as regras serão cumpridas por cada um deles a partir da forma que eles entendem ser a melhor em termos e administração pública. Lógico que Gerana, por ter sido a que mais tempo administrou nesses dois últimos anos, pode até ser responsabilizada por muita coisa. Mas, entre ela e Simone, tivemos Pedro da Lagoa, que deverá ter sua parte de responsabilidade também. Mas não se trata de dizer que eles agiram de forma deliberada, intencional. Mas de reconhecer que a instabilidade política leva a esse tipo de situação. E agora Simone, que não tem nada com isso, tem que gerir o caos. Ou, como diz música bem antiga, ela tem que “dirigir o carro bomba”. Mas, a bem da verdade, no prejuízo quem sai mesmo é a população, especialmente os que mais dependem do poder público municipal. Claro que a coluna vai colocar sua opinião aqui, mas como sugestão para que algum parlamentar federal pense em uma mudança na legislação para evitar esse tipo de coisa: que tal se os órgãos de controle externo, TCE, TCU, MPE e que tais, montassem uma força tarefa, amparada devidamente pela lei, para se instalar em administrações que passem por situações transitórias como a que viveu Riachão? Experimentando esse tipo de recurso em cidades que passem por eleições suplementares, quem sabe ele não poderia ser expandido para as transições entre um mandato normal e outro. Porque se no tempo entre o afastamento de uma prefeita e a eleição de outra Riachão acumulou esse quantitativo de problemas, imagina o que não ocorre nas cidades em que a oposição vence uma eleição? Ou mesmo quando a situação elege sucessor? Afinal, são quase três meses entre a eleição e a posse. E, como se vê, quando há problemas nessa tal transição, quem sofre mesmo é o povão, ora bolas!

Muita calma nessa hora

A oposição está correta em tentar desgastar o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) por conta da imensa quantidade de obras em execução na capital. Mas é bom levar em consideração que as obras, um dia, terminam. E quanto mais a oposição responsabiliza Edvaldo pelos transtornos durante a execução dos serviços, tanto mais a população ligará a imagem do prefeito de Aracaju às obras finalizadas e que servirão à sociedade. Assim,o jogo político dá como correta a atitude oposicionista. Mas a realidade administrativa pode, mais a frente, mostrar que a oposição só reforçou a imagem do prefeito como grande realizador. Simples assim!

Na bronca

O vereador Seu Marcos (PHS) voltou a denunciar o descaso que é o atendimento às vítimas de violência contra mulher prestado por alguns órgãos públicos da capital. De acordo com o parlamentar, a moradora do Bugio, violentada no último dia 24, teve exame de corpo de delito agendado para o próximo mês. “Veja o descaso que é o atendimento à mulher vítima de violência doméstica em Aracaju. Após ser atendida pelo DAGV, a vítima recebe a autorização do exame de corpo de delito. Vai ao IML que agenda para daqui a 8 dias. Quero saber se fosse a filha de um comandante, demoraria tanto tempo assim? Corre o risco das marcas não existirem mais”, questionou o legislador.

Posição acertada

Mesmos que muita gente importante de nossa política do dia a dia não tenha se manifestado – e talvez por isso mesmo –, é louvável demais a atitude do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, de se insurgir contra a besteira absoluta pronunciada por um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Em nota oficial, Edvaldo, como se diz, esmerilhou pra cima do imbecil comentário sobre edição de um novo Ato Institucional nº 5, o famigerado Ai-5. Por isso mesmo o prefeito merece republicação aqui na coluna de sua manifestação. “Repudio com veemência a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de edição de um novo Ato Institucional nº 5 (AI-5), a mais dura medida tomada pela ditadura militar no Brasil. A manifestação do parlamentar é uma afronta à democracia, é crime previsto na Lei de Segurança Nacional e uma afronta à Constituição do nosso país, de modo que deve ser condenada e combatida.

Posição acertada 2

“Durante a vigência do AI-5, o Congresso Nacional e as assembleias legislativas estaduais foram fechadas, a censura prévia às artes e à imprensa foi instituída, juízes foram sumariamente destituídos em estados e municípios, mandatos de governadores e prefeitos foram cassados e muitos dos que discordavam do regime foram torturados e assassinados. Como cidadão brasileiro e prefeito de Aracaju, eu reafirmo a minha mais clara defesa do Estado Democrático de Direito, da justiça social, do exercício da imprensa livre, da liberdade de expressão, do pleno funcionamento das instituições públicas e a proteção aos direitos fundamentais do cidadão e da soberania popular.

 Posição acertada 3

“Na condição de vice-presidente nacional da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), subscrevo nota oficial da entidade que defende como indispensável que a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados tome urgentemente as providências cabíveis e necessárias para defender a democracia brasileira”. Sem nenhum reparo possível, restam os parabéns pela postura ao prefeito Edvaldo Nogueira. Mandou bem demais!

Segue andando

A Companhia de Gás de Sergipe (Sergas) divulga a relação das empresas declaradas aptas para prosseguirem na fase de negociação dos contratos de suprimento no âmbito da Chamada Pública Para Aquisição de Gás Natural. As empresas selecionadas são a PETROBRAS: Petróleo Brasileiro S.A.; CELSE – Centrais Elétricas de Sergipe S.A.; GOLAR – Golar Power Latam Participações e Comércio Ltda. As propostas recebidas foram encaminhadas para análise de aderência e conformidade ao edital. A partir de agora, as empresas selecionadas iniciarão uma nova fase do processo da chamada pública de negociação de contratos de suprimento.

É o cara!

Pra que o leitor e a leitora vejam como são as coisas: Gilson Andrade (sem partido) é prefeito de Estância, tem gestão qualificada e organizada. Mas, antes de ser prefeito, Gilson é médico, especialista em obstetrícia. E sua gestão prima pela saúde do povo estanciano, claro. Afinal, eis nesse quesito um gargalo nacional, não só de Estânica. Mas uma atitude de Gilson, que meio que passou despercebida, tem que ser exaltada. Foi ele que encabeçou movimento para que o Hospital Amparo de Maria (HAM) saísse da situação caótica em que se encontrava e, em certa medida, ainda se encontra. E mesmo não sendo politicamente aliado do governador Belivaldo Chagas (PSD), ainda que tenha votado nele no segundo turno de 2018 – quando Belivaldo “papocou” nas urnas estancianas. Daí que Gilson Andrade não parou um só minuto até que o governo estadual, principal gestor do HAM, desse uma solução para a unidade de saúde. E o resultado chegou: o Amparo de Maria voltará a funcionar. É esse tipo de atitude que, no final das contas, faz a diferença e, o principal, diferencia o político comum daquele que atua de forma a humanizar suas ações administrativas.

Pra fechar!

A Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) informa aos candidatos e ao público em geral que o Processo Seletivo Simplicado n° 01/2019 (Editais 01, 02 e 03/2019), está suspenso por 30 dias, em respeito à Medida Cautelar 20.777 expedida pelo Plenário do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, nos autos do Protocolo TC 014189/2019. A FHS informa, ainda, que as medidas  judiciais estão sendo adotadas

FRASE

“Como cidadão brasileiro e prefeito de Aracaju, reafirmo a defesa do Estado Democrático de Direito”

Edvaldo Nogueira, pref. de Aracaju

Sobre fala estapafúrdia e ditatorial de um filho do presidente