Síndrome Pós-Covid

Na primeira semana com notícias boas desde a chegada da pandemia, o número de óbitos e infectados começa  a cair na nossa capital.  Neste mesmo periodo, o governo finalmente resolveu editar o decreto e evoluir na abertura econômica e na volta ao trabalho. O cenário começa a dar sinais de calmaria , mas ao final, teremos que lidar com mais uma sequela ainda muito pouco conhecida da epidemia : a síndrome pós-Covid.

A infecção

O processo de adoecimento pelo coronavirus tem sido insistentemente estudado desde seu aparecimento.As fases da infecção já foram definidas e ja aprendemos que os sintomas da doença são variáveis de pessoa a pessoa. Alguns sentem somente sintomas gripais, outros uma dor de cabeça intensa com tontura e mal estar, perda  do olfato e do gosto por tempo variável, cansaço e fraqueza extrema. Outros evoluem para a temida falta de ar e insuficiência respiratória. Apesar dos sintomas já serem conhecidos, os mecanismos pelos quais eles ocorrem ainda estão em estudo. O fato é que a doença ativa se manifesta de maneiras variáveis e regridem em tempos diferentes dependendo de cada um. O que não se imaginava é que algumas pessoas seguiriam com manifestações inflamatórias ou com sintomas incapacitantes que têm recebido o nome de Síndrome Pós COVID.

A Síndrome Pós Infecção

Já tínhamos a impressão que a doença poderia deixar sequelas em algumas pessoas. Essa sensação foi comprovada por um estudo Italiano publicado no periódico internacional JAMA reportado pelo portal Pebmed e estudou a qualidade de vida após a resolução do quadro infeccioso em pacientes que ficaram internados por COVID. Os indivíduos incluídos foram acompanhados ambulatorialmente após alta hospitalar, após negativação de PCR-RT para SARS-CoV-2, melhora sintomática e três dias consecutivos sem febre. Um questionário sobre a presença ou ausência de sinais ou sintomas descritos como potencialmente relacionados à Covid-19 durante a fase aguda da doença e sua persistência após alta hospitalar foi respondido já na fase de acompanhamento em consultório.O questionário incluiu perguntas sobre qualidade de vida antes e depois da infecção. Após uma média de dois meses do início dos sintomas, somente 12,6% dos indivíduos da coorte estavam completamente livres de sintomas relacionados a Covid-19. Aproximadamente 32% ainda apresentavam 1 ou 2 sintomas e 55%, 3 sintomas ou mais. Nenhum apresentava febre ou outros sintomas considerados como de doença aguda. Em relação à qualidade de vida, 44,1% dos participantes reportaram piora em relação a antes da infecção.

Fadiga

Fadiga foi o sintoma persistente mais frequentemente observado, atingindo mais da metade da população estudada (53,1%), sendo seguida de dispneia (43,4%), dor articular (27,3%) e dor torácica (21,7%). Tosse, perda do olfato, síndrome seca, rinite, hiperemia ocular, perda do paladar e cefaleia foram relatados por uma população menor de entrevistados após 2 meses do início dos sintomas.

A presença de sintomas potencialmente incapacitantes que podem ter um impacto negativo em qualidade de vida e capacidade ao trabalho devem ser considerados em um planejamento pós-epidemia. Milhares de pessoas padecerão de sintomas persistentes por um periodo indetermidado de tempo e precisarão de seguimento multidisciplinar incluindo médicos, psicólogos e fisioterapeutas. O estudo relatado foi feito em pacientes que tiveram quadros graves e necessitaram que internação hospitalar. Na prática vemos indivíduos que passaram pela fase infecciosa com quadros leves também apresentando persistência de sintomas em especial a fadiga. Mais estudos são necessarios para entendermos melhor essa síndrome, mas já está bem sinalizado que um olhar a médio prazo deve ser desenhado para os infectados pelo Sars-Cov-2.

Até semana que vem.

Autor

Paula Saab

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