SOS IHGSE

Não, não é uma sopa de letras ou um trocadilho de expressões. Trata-se de mais uma tragédia anunciada no que diz respeito à falta de atenção e de sensibilidade dos gestores públicos com os lugares de memória de Sergipe. Num tempo em que se discute se deve ou não existir orçamento secreto no Congresso Nacional, em que parlamentares vendem suas consciências para agradar o maior mandatário do país e “ficar de boa” com seus nichos eleitorais, a cultura, a educação e a ciência sangram covardemente, à mingua.

Esta semana fui tomado de surpresa por uma nota da presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a professora Aglaé d´Ávila Fontes em que afirma está muito preocupada com os destinos da instituição que pede socorro. Precisa urgentemente de uma reforma e há algum tempo não tem mais contado com a boa vontade do setor público e também do setor privado, com raras exceções, a exemplo do deputado Laércio Oliveira.

Em outros tempos, havia convênios que cobriam as necessidades do IHGSE e o que se arrecadava dos sócios dava para realizar outras ações além das estruturais, como a publicação de sua revista e de outras produções editorais, além da realização de eventos e solenidades, afora o pagamento de seus servidores. Desde quando completou cem anos, não foi mais o mesmo e graças, em grande medida, a esse distanciamento do poder público e do setor privado.

A situação revelada pela professora Aglaé na nota é muito preocupante. Desde que ela assumiu os destinos do prédio, em 2018, tem se desdobrado para manter a sua excelência e lhe dá novas feições, agregando, por exemplo, o interesse e os estudos pela cultura popular, haja visito que a Casa de Sergipe sempre teve ares de uma elite intelectualizada e às vezes excludente.

Afora isso, todos sabemos que a pandemia da COVID-19 afetou a tudo e a todos. Se cultura, educação e ciência já não eram prioridades, imagine agora, se levarmos em consideração o atual quadro ideológico do país (de extrema direita) e econômico que nós enfrentamos. E isso, de algum modo, sobretudo o lado financeiro também acaba afetando no bolso dos sócios que precisam enfrentar a inadimplência e dificultar ainda mais as condições de manutenção do IHGSE.

Não bastasse tudo isso, diz a nota de Aglaé, a Casa de Sergipe foi tomada de sobressalto com a notícia de que o processo licitatório havia sido iniciado e que as obras dar-se-iam em novembro. “Doce engano”, afirma a presidente. Pois tudo, como se diz no popular, pelo menos até o fechamento desta matéria, “deu com os burros n´água”. Todo o processo foi suspenso por conta da famigerada burocracia. Os recursos foram conseguidos com 12 parlamentares, graças aos esforços e traquejo político do vice-presidente do IHGSE, o senhor Igor Albuquerque.

No edital de licitação da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEDUURBS) consta uma exigência para que a empresa vencedora tenha qualificação para fazer “restauro”, o que não seria o caso do IHGSE. A professora Aglaé ressalta que no pleito não há solicitação para este tipo de trabalho. Ainda assim, os órgãos “competentes” desclassificaram as firmas concorrentes. Resultado: coloca em risco a liberação das verbas parlamentares para o fim a que se destinam em razão do prazo que se expira no próximo dia 31 de dezembro.

Infelizmente, essa novela nós da Academia Lagartense de Letras já vivemos recentemente, quando um recurso do deputado federal Fábio Reis destinado para a reforma do Grupo Escolar Sílvio Romero voltou, sem o uso devido e adequado, graças à ingerência do Governo de Sergipe. Espero que o IHGSE tenha mais sorte, apesar da luta contra o tempo, e que a instituição tenha a devida atenção de todos que ainda prezam pela proteção e salvaguarda do patrimônio cultural sergipano.

Autor

Claudefranklin Monteiro Santos

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